Alergia no inverno: o que fazer para evitar as crises?

Pneumologista explica como se prevenir de doenças respiratórias e dá dicas para amenizar alergias e aumentar a imunidade para evitar infecções

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alergia é um problema que acomete cerca de 30% da população brasileira, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). Como forma de alertar e conscientizar a população, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou o Dia Mundial da Alergia (8 de julho).

Com a chegada do inverno inicia-se, também, a temporada das doenças respiratórias. Nesta época do ano, os dias ficam mais secos devido à pouca incidência de chuvas, causando uma menor dispersão dos poluentes – o que piora a qualidade do ar -, que por si só já seriam fatores irritantes das mucosas respiratórias.

Isso tudo associado à tendência de aglomeração em locais fechados faz com que as infecções aumentem a sua incidência. Com isso há o estímulo à resposta inflamatória nas vias aéreas, o que propicia o aparecimento de doenças respiratórias como a asma, bronquite, rinite e sinusite.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), as alergias respiratórias atingem, em média, 30% da população mundial. Especialistas estimam que, até o final do século, metade dos brasileiros deve sofrer com diversos tipos de alergias.

Porém, durante o inverno, os maiores níveis de poluentes no ar costumam irritar as vias respiratórias com mais frequência e, durante esta estação, ocorre a já conhecida inversão térmica – quando uma camada de ar frio mais pesada acaba descendo à superfície terrestre e retendo os poluentes.

O ar frio e seco também pode reduzir alguns processos naturais de proteção das vias aéreas, como a eliminação do muco – que recobre as células e causa ainda mais sintomas respiratórios -, o que pode variar de coriza e espirros à tosse. E crises de falta de ar em pessoas mais sensíveis.

Além disso, a maior circulação de vírus como os da gripe e resfriado influencia diretamente no aumento de doenças do aparelho respiratório. Vírus e bactérias acabam se transmitindo de pessoa a pessoa com maior facilidade, o que causa alguns surtos e até epidemias.

Neste período, as medidas de redução do risco de contágio de vírus respiratórios, como a higiene das mãos, o uso de máscara e a ventilação dos ambientes, tão reforçadas ao longo da pandemia da Covid-19, também ajudarão a conter a transmissão dos agentes típicos desta estação, como o vírus influenza, o adenovírus, rinovírus, entre outros.

Segundo o pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Gustavo Prado, em dias mais frios e secos, a nossa via aérea se torna mais vulnerável.

“O muco que recobre as vias aéreas se desidrata mais facilmente quando exposto ao ar seco, e isso o torna mais espesso. Além disso, acontece, também, a redução dos batimentos dos cílios das cavidades, que recobrem as células do revestimento do trato respiratório.

Esses cílios têm o papel de mobilizar a secreção através de movimentos, que se assemelham aos dos remos de um barco. E quando eles param, a secreção se acumula, e pode desencadear a contração dos músculos que revestem os brônquios, sendo mais difícil a passagem do ar, o que pode provocar tosse, chiado ou cansaço.”, esclarece o especialista.

As principais doenças respiratórias que se agravam no inverno

Asma – E quais as principais doenças respiratórias que se agravam durante o inverno? A asma é uma delas, sendo caracterizada por uma doença inflamatória dos brônquios que pode ter um componente alérgico. A pessoa com asma apresenta uma reação exagerada das paredes brônquicas, denominada hiperatividade a estímulos externos, que podem ser poluentes ambientais ou mesmo domésticos, como os ácaros, pelos de animais de estimação ou fumaça do cigarro.

“Os sintomas clássicos das crises de asma são as crises de chiado no peito, a tosse e a falta de ar. O tratamento, à base de medicamentos anti-inflamatórios e broncodilatadores por via inalatória trata a causa do processo, e previne o paciente de desenvolver crises quando exposto a estes fatores desencadeantes”, explica o Dr. Gustavo Prado.

DPOC – A doença pulmonar obstrutiva crônica é uma designação para um misto de bronquite crônica e enfisema pulmonar – alterações irreversíveis que ocorrem nos brônquios e pulmões de fumantes. Clinicamente a doença se manifesta como cansaço aos esforços e tosse produtiva frequente. Pode evoluir, também, em crises que às vezes se apresentam de forma mais frequentes nesta época do ano.

“A melhor prevenção para esta doença é a cessação do tabagismo. As pessoas com diagnóstico dessa enfermidade beneficiam-se da vacinação antigripal que antecede os meses mais frios”, diz o especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Pneumonia – São infecções do pulmão de causa viral ou bacteriana (sendo essa última mais frequente), que ocorrerem em qualquer época do ano, mas também são mais incidentes no inverno. “Os sintomas mais típicos são a tosse, febre, falta de ar e até mesmo dor torácica, com grande queda do estado geral do doente”, alerta o Dr. Gustavo Prado.

O diagnóstico rápido e o pronto início do tratamento são as chaves para se reduzir os riscos de complicações. Nesse contexto, é necessária uma avaliação médica para se definir, baseado na condição clínica e fatores de risco do paciente, pelo tratamento hospitalar ou em casa, com antibióticos. “Agilidade no diagnóstico, assertividade no tratamento e uma boa avaliação de risco fazem toda a diferença”, explica Dr. Prado.

Como amenizar e prevenir as doenças respiratórias durante o inverno?

Manter a caderneta de vacinação em dia é uma das formas mais eficazes. A vacinação para gripe e para Covid-19, integralmente disponíveis através do Sistema Único de Saúde, conferem uma proteção segura e eficaz para a redução do risco de manifestações mais graves dessas doenças, bem como na diminuição da chance de irritações de asma e DPOC.

“Além disso, o ideal é ter cautela com aglomerações em lugares fechados e mal ventilados, evitar a fumaça do cigarro, atentar para o cuidado dos ambientes domésticos, e manter uma boa higiene das mãos”, explica o pneumologista.

Outra dica é lembrar-se sempre de manter hábitos saudáveis como uma boa hidratação, alimentação adequada e prática de atividade física regular, além de evitar as grandes vias de tráfego e os horários do dia em que há maior concentração de veículos.

Dicas durante as baixas temperaturas

Atente-se à umidade do ar: ar com pouca umidade resseca as mucosas, o que facilita a entrada e a proliferação de micro-organismos. Por isso, é importante lavar o nariz com soro fisiológico frequentemente. Com essa estratégia simples, além de manter a via aérea úmida, reduzindo o desconforto do ressecamento nasal, também facilitamos a remoção de secreção e diminuímos os sintomas de rinite e sinusites;

Atualize a carteira de vacinação: as vacinas atuam na prevenção de infecções respiratórias como gripe, Covid-19 e pneumonia;

Alimente-se bem: a queda na imunidade facilita o contágio por doenças respiratórias. Para aumentar a imunidade, uma boa alimentação é a melhor aliada. O consumo de frutas, legumes, verduras e proteínas, também são fundamentais de serem incorporados na dieta;

Mantenha os ambientes arejados: janelas abertas ajudam na circulação e na renovação do ar, além de reduzir a presença de vírus e bactérias que ficam concentrados em ambientes pouco ventilados. A limpeza constante da casa é essencial para evitar o acúmulo de poeira e eliminar ácaros, que são potenciais desencadeadores de crises em várias doenças respiratórias e alérgicas;

Lave bem as mãos: a higienização correta e constante das mãos é essencial para eliminar contaminantes e agentes alérgicos que poderiam entrar em contato com a boca, olhos e nariz, o que promove a transmissão de doenças;

Hidrate-se: a ingestão de bastante água ajuda a manter a hidratação do organismo, e é uma forma de prevenção contra gripes, resfriados e alergias.

Pneumologista explica como se prevenir das doenças respiratórias e dá dicas de como amenizar os casos de alergias, além de aumentar a imunidade, para evitar infecções

 

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