O avanço de novos casos de sarampo em São Paulo reacende o alerta para a queda da cobertura vacinal no Brasil. Somente neste ano, o estado já confirmou 23 casos da doença, a maior parte relacionada a viajantes não vacinados. O cenário preocupa especialistas, já que o país continua distante da meta de 95% de cobertura vacinal recomendada pelo Ministério da Saúde para garantir a imunidade coletiva e impedir a reintrodução do vírus.

O sarampo é uma infecção viral aguda e extremamente contagiosa, transmitida por secreções respiratórias lançadas no ar ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Os primeiros sintomas costumam incluir febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e as características manchas vermelhas que se espalham pelo corpo. Um fator complicador é que a transmissão ocorre antes mesmo de as erupções cutâneas aparecerem.

Apesar de ser uma doença totalmente prevenível por imunização, o sarampo pode provocar complicações graves, como pneumonia e encefalite, e até levar ao óbito, afetando com maior severidade crianças pequenas, gestantes e pessoas imunodeprimidas.

Alerta para a rubéola congênita e ‘amnésia imunológica’

Como a cobertura vacinal está abaixo de 95%, existe um risco real e permanente de reintrodução do vírus por meio de casos importados de países onde a doença ainda circula. O sarampo voltou a registrar surtos no Brasil em 2019 justamente por esse motivo, e a rubéola está sujeita ao mesmo risco.

Manter a vacinação em dia é fundamental para proteger toda a população, especialmente os grupos mais vulneráveis, como as gestantes, que podem sofrer complicações graves em decorrência da Síndrome da Rubéola Congênita“, alerta o médico pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids, no Rio de Janeiro.

O especialista chama atenção para outro aspecto pouco conhecido, mas extremamente preocupante, da doença: a chamada amnésia imunológica. Estudos publicados na revista científica Science demonstraram que o vírus do sarampo pode comprometer a memória imunológica do organismo, reduzindo a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e combater infecções contra as quais a pessoa já havia desenvolvido proteção. Em alguns casos, essa perda pode chegar a 20% e até 50% da imunidade adquirida ao longo da vida.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 18 pessoas que não estejam vacinadas. Por isso, a prevenção por meio da vacinação é indispensável.”, reforça Turner. Não deixe o sarampo ameaçar a saúde dos seus filhos. Procure a unidade de saúde mais próxima e vacine-os”, diz o especialista.

Mas por que o sarampo preocupa?

O o médico pediatra explica que o vírus do sarampo se espalha facilmente pelo ar, infectando muitas pessoas rapidamente. Em crianças menores de 5 anos, o sarampo pode causar complicações graves como pneumonia e encefalite.

É importante conscientizar a população sobre a importância da prevenção, já que o sarampo voltou a circular devido à baixa vacinação. Os casos recentes foram confirmados no Rio de Janeiro, em São João de Meriti, onde a cobertura vacinal está muito baixa”, observa

Os principais sintomas do sarampo são: febre alta, tosse, coriza e manchas vermelhas na pele. Um agravante é que a doença não tem um tratamento específico:

Quem já teve sarampo está imune à doença. Mas é importante ressaltar que o vírus do sarampo é mais contagioso que o da COVID-19, e sobrevive no ar por até 24 horas. A vacinação é um ato de amor e responsabilidade. Proteja seus filhos e ajude a evitar a propagação do sarampo”, frisa Turner.

Histórico de vacinação e ameaça de volta com a Copa

O Brasil chegou a ser considerado livre do sarampo em 2016, porém perdeu essa certificação em 2019, após um número expressivo de cerca de 18 mil casos registrados, voltando a recuperar o título anos depois. Apesar de a doença estar erradicada no país, o aumento da circulação internacional do vírus associado à Copa do Mundo exige vigilância redobrada.

Os três países que sediaram a competição,  EUA, Canadá e México, enfrentam surtos de sarampo. Dados do CDC mostram que até 28  de maio do ano os EUA  registraram 1983 casos ante 2288 em 2025. Pior,  o CDC informa que nos EUA  até os locais com boa cobertura vacinal podem ter pessoas não vacinadas que coloquem os turistas sem proteção vacinal em risco.

A meta do Ministério da Saúde é imunizar 95% da população-alvo com as vacinas Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e Tetraviral, que também inclui proteção contra a varicela, o vírus da catapora. Embora os índices de vacinação infantil tenham apresentado recuperação em 2024 e 2025, os dados ainda revelam importantes lacunas de imunização.

Segundo relatórios da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024, a cobertura da primeira dose da Tríplice Viral atingiu 82,1%, enquanto a segunda dose foi de apenas 46,4%.

O cenário representa um declínio histórico. Depois de manter índices iguais ou superiores a 95% entre 2003 e 2014, a cobertura da Tríplice Viral passou a cair de forma contínua a partir de 2015, deixando milhões de brasileiros suscetíveis ao retorno de doenças que já estavam sob controle. A redução das taxas de vacinação cria brechas perigosas na proteção coletiva:

O sarampo é uma doença totalmente prevenível por meio da vacinação. Quando a cobertura vacinal diminui, o vírus encontra pessoas suscetíveis e volta a circular. Por isso, esse momento exige atenção, principalmente de quem não sabe se completou o esquema vacinal ou deixou de receber alguma dose”, ressalta o professor do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera, Vagner Mendes.

Como deve ser o esquema vacinal

A vacina Tríplice Viral é segura, eficaz e continua sendo a principal forma de prevenção contra sarampo, caxumba e rubéola. O esquema vacinal prevê duas doses na infância, aos 12 e aos 15 meses de idade. Jovens de até 29 anos devem comprovar duas doses registradas na caderneta de vacinação. Adultos entre 30 e 59 anos precisam ter, pelo menos, uma dose, enquanto profissionais de saúde devem receber duas doses, independentemente da idade.

A meta é alcançar 95% de cobertura vacinal para proteger toda a comunidade. A recomendação é que todos tomem a vacina, que só não é recomendada a bebês  com menos de 6 meses e adultos com mais de 50 anos. O Ministério da Saúde, indica, no entanto, a dose zero para crianças de 6 meses em casos de surtos.

Antonio Carlos Turner lembra que a vacina não é indicada para gestantes, pessoas com imunossupressão grave e bebês menores de seis meses, salvo situações específicas previstas pelas autoridades de saúde. O médico também reforça que não existe qualquer comprovação científica de associação entre a vacina Tríplice Viral e o autismo.

Vacinar é um ato de proteção individual e coletiva. Quem mantém a caderneta em dia protege a si mesmo e também aqueles que, por motivos médicos, não podem receber a vacina. Vale a pena conferir a caderneta de vacinação hoje mesmo e, se necessário, procurar uma unidade de saúde para atualizar as doses”, conclui.

Com Assessorias

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