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Vacina BCG: a forma mais segura e eficiente de prevenir a tuberculose

Muita gente acha que tuberculose é uma doença do passado, mas ela está mais viva e presente do que nunca. A doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch é provavelmente um dos problemas mais desafiadores da saúde pública mundial. Mas a tuberculose tem cura e para preveni-la é necessário que as crianças tomem a vacina BCG – aquela que deixa uma marquinha no braço para a vida toda.

Administrado em dose única, o imunizante tem até data no calendário da saúde. Em 1° de julho de 1921, a descoberta da BCG foi anunciada pelos pesquisadores franceses Léon Charles Albert Calmette e Jean-Marie Camille Guérin, que nominaram com seus sobrenomes o bacilo de Calmette e Guérin (BCG), microrganismo bacteriano contido nesta vacina.

O Dia da Vacina BCG, que marca o dia da descoberta do imunizante, é uma boa oportunidade para lembrar a importância da população se manter em dia com o calendário vacinal. No Rio de Janeiro, as Secretarias de Saúde do Estado e do Município alertam sobre a importância da vacinação como método de prevenção contra as formas graves da tuberculose.
Obrigatória no Brasil desde 1976, a BCG está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), e deve ser aplicada a todo recém-nascido. A vacina não é recomendada para crianças com mais de 4 anos de idade ou adultos, a não ser em caso de pessoas que convivam com quem tenha hanseníase.

A Secretaria de Estado de Saúde enfatiza a importância de se aplicar a dose em bebês preferencialmente até 12 horas após o nascimento, ou, no máximo, até os quatro anos de idade.

Vacina BCG: uma forma de reduzir os alarmantes números de tuberculose

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), a tuberculose acomete 10 milhões de pessoas no mundo, provocando 1,5 milhão mortes por ano. O Brasil registra um terço dos casos da doença nas Américas, e a incidência no Rio de Janeiro é alarmante. Atualmente, o estado ocupa a terceira posição no ranking nacional de incidência de tuberculose, atrás apenas do Amazonas e de Roraima, sendo o primeiro em mortalidade por essa causa. A taxa de incidência é de mais de 74 casos por 100 mil habitantes.

O número de casos aumenta mais a cada ano. Em 2022, foram 17.373 casos totais de tuberculose, sendo 13.642 novos adoecimentos. Em 2021, o Estado do Rio de Janeiro notificou 16.099 casos de tuberculose de todas as formas, sendo 12.986 somente de novos casos. Em 2020, foram 11.623 novas ocorrências da doença.

Ao longo dos anos, o número de óbitos por tuberculose tem aumentado. Em 2019, foram 659 mortes; 765 óbitos, em 2020; 876, em 2021 e 807 em 2022. Os dados sobre abandono de tratamento também são alarmantes: cerca de 19% dos pacientes pararam de tomar os medicamentos antes do período indicado de seis meses em 2020.

“Os dados de tuberculose no Rio de Janeiro ainda se mostram muito preocupantes para a saúde pública. E tornam ainda mais urgente esclarecer que a vacina é o meio mais eficaz para combater a doença. Por isso, é tão importante vacinar os recém-nascidos com a BCG”, afirma o secretário de Estado de Saúde, Dr. Luizinho.

Vacina BCG: Rio tem cobertura vacinal superior a 90% em 2023

A vacina BCG é administrada pelas equipes municipais de saúde, conforme programação de cada município. Na rede municipal de saúde do Rio, a BCG é aplicada ainda na maternidade, logo após o nascimento do bebê. Nos seis primeiros meses de 2023, a cobertura da BCG já supera a meta de 90% de cobertura das crianças, com mais de 20,6 mil doses aplicadas. Em 2022, a meta também foi batida.

“É de extrema importância a cidade ter alcançado essa porcentagem de cobertura da BCG, que é uma vacina segura e eficaz. A imunização é um esforço conjunto. Outras vacinas de rotina das crianças ainda não alcançaram a meta e contamos com a colaboração dos pais e responsáveis para que levem seus filhos às unidades de saúde para a verificação e atualização da caderneta de vacinação”, convoca a superintendente de Vigilância em Saúde, Gislani Mateus.

Além de nas maternidades municipais, a BCG está disponível nas unidades de Atenção Primária (clínicas da família e centros municipais de saúde) e no Super Centro Carioca de vacinação, em Botafogo, em dias pré-estabelecidos, conforme o cronograma disponível no link https://shre.ink/lts3

A orientação é para que pais e responsáveis levem seus filhos aos postos portando um documento de identificação e a caderneta de vacinação da criança. A SMS também oferece uma cartilha com orientações sobre o calendário vacinal de rotina de crianças e adolescentes, com informações essenciais sobre cada imunizante disponível. O material pode ser consultado no site do EpiRio, no link .

Tuberculose atinge populações mais vulneráveis

Contagiosa mesmo quando latente, a tuberculose é uma doença infecciosa que, além dos pulmões, afeta ossos, rins e as meninges (membranas que envolvem o cérebro). Os principais sintomas são tosse, febre, falta de ar, dor no peito, perda de peso e fraqueza. É considerada uma doença de grande impacto a nível de saúde pública, com evolução lenta, mas com possibilidade de gravidade e sequelas.
“O imunizante  é o modo mais seguro para prevenir complicações, internações e mortes decorrentes das formas mais severas da doença (miliar e meníngea)”, informa a Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS). 
Por ser uma doença infecciosa crônica, os dados de tuberculose são consolidados sempre no ano seguinte, diferentemente do que acontece com as chamadas doenças agudas (meningite, influenza, sarampo, poliomielite etc.). Assim, o número de casos e óbitos de tuberculose deste ano serão conhecidos apenas em 2024.
Embora tenha cura, a doença requer um tratamento prolongado, de pelo menos seis meses. No entanto, muitos pacientes interrompem seu tratamento antes do prazo, por diversos motivos, principalmente devido a vulnerabilidades sociais. Além disso, a transmissão da tuberculose acontece largamente entre a população carcerária, o que se torna mais um grande desafio para o combate à doença.

Plano estadual de enfrentamento à tuberculose

Em agosto de 2022, foi lançado o Plano de Fortalecimento das Ações de Controle à Tuberculose no Estado Rio de Janeiro. A Secretaria de Estado de Saúde liderou a assinatura de um conjunto de ações de combate à doença, que envolverá 92 municípios nos próximos cinco anos.
Na ocasião, o  Estado garantiu recursos na ordem de R$ 246,3 milhões ao longo do período. Esses recursos foram destinados pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e se somam à verba que a secretaria já investe anualmente.
O pacto para o enfrentamento à tuberculose no Estad  tem como proposta ampliar e potencializar as ações de combate à doença. Os parceiros no projeto são a Opas, que por meio de cooperação técnica, será a responsável por administrar os recursos; os municípios, que irão colocar os projetos em prática; e o Ministério da Saúde.
O pacto reúne gestores, profissionais de saúde e sociedade civil organizada e visa reduzir a incidência e a mortalidade pela doença. A expectativa é aumentar o acesso a testagem e intensificar a atenção ao abandono do tratamento. Ações de reforço alimentar para os pacientes em tratamento e o aumento na realização dos diagnósticos devem melhorar os indicadores da tuberculose. A expectativa é que o suporte social faça diferença e melhore os dados de cura da tuberculose nos próximos ano.

Ações para ampliar coberturas vacinais no Estado do Rio

A SES-RJ tem reforçado que é fundamental melhorar a cobertura de todas as vacinas do Calendário Nacional de Vacinação. E ressalta que, além de serem seguras, as vacinas estão entre as medidas mais eficazes para a proteção contra doenças imunopreveníveis. Atualmente, o Estado do Rio de Janeiro tem cerca de 2.000 salas de vacinas, distribuídas pelos 92 municípios.
A Secretaria informou que vem buscando parcerias visando ao desenvolvimento de ações efetivas que motivem a população a se vacinar. Inclusive tem realizado uma série de reuniões com representantes do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para a construção conjunta de estratégias que serão desenvolvidas a partir de julho.
A Secretaria também realiza frequentemente reuniões de capacitações para as equipes de imunização, Vigilância Epidemiológica e de Atenção Primária dos municípios, demonstrando a importância de realização de busca ativa de não vacinados, a realização de visitas domiciliares e a vacinação extramuros para atualização dos esquemas vacinais em atraso.
Com Assessorias SMS-Rio e SES-RJ

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