Cigarro eletrônico, maconha, álcool e bebidas quentes afetam a voz

Otorrino fala sobre doenças e hábitos que prejudicam a voz e dá 5 dicas. Fonoaudióloga orienta professores que sofrem com problemas vocais

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Doenças respiratórias simples como rinites, resfriados, gripes, laringites inflamatórias e doenças infecciosas da laringe são problemas que fragilizam a voz. Problemas gástricos como o refluxo gastroesofágico e doenças tireoidianas também são potencialmente nocivos à saúde vocal.

Outro grave problema para a voz é o câncer de laringe, doença que afeta diretamente a habilidade vocal. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registrou 7.790 novos casos desse tumor em 2022.

O tabagismo é uma das principais ameaças à saúde vocal. E não estamos falando apenas do cigarro convencional. No Brasil, o uso de cigarro eletrônico – conhecido como vape – cresceu 600% nos últimos seis anos e, segundo o Ipec – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, o país tem quase três milhões de  usuários do dispositivo eletrônico de fumar (DEFs).

“Para cuidar da saúde da voz, é preciso evitar hábitos como o uso recorrente de vapes, tabaco, narguilé e também o uso recreativo de maconha”, alerta Danilo Carvalho Guimarães, médico otorrinolaringologista do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de Todos.

O otorrinolaringologista ainda aponta que a “ingestão de bebidas alcoólicas ou bebidas muito quentes” também pode ocasionar problemas vocais. Além de problemas de saúde, ele alerta que hábitos rotineiros simples, como a ingestão de água, podem impactar a voz.

“A hidratação e ingestão de água por via oral é comprovadamente importante para preservação de uma boa qualidade vocal. Além de benefícios sobre a vibração das pregas vocais e qualidade vocal, ainda reduz o atrito das pregas vocais com  um muco menos denso durante a fonação. As pausas para ingestão de água evitam o abuso contínuo e a ocorrência do pigarro por ressecamento”, explica.

Dia Mundial da Voz, celebrado nesta terça-feira (16), é uma ação global de conscientização para alertar a população sobre os cuidados necessários para preservar a saúde vocal. “É importante acompanhar com profissionais da saúde e buscar tratamento sempre que apresentar qualquer alteração ou sintoma vocal”, aconselha Guimarães.

6 hábitos que podem influenciar na saúde vocal

Cuidar da saúde vocal requer atitudes básicas, mas o fato de situações comuns, que acontecem repetidamente ao longo dos dias, gerarem desgaste nas cordas vocais, torna ainda mais importante estar alerta para o assunto. De acordo com Danilo, estes seis hábitos podem fragilizar a saúde da voz:

  • Tossir frequentemente;
  • Pigarrear;
  • Falar muito rápido, alto, forte ou gritar;
  • Falar sussurrando, sem respirar ou enquanto inspira;
  • Viver em ambientes familiares ou trabalhar em locais muito ruidosos;
  • Fumar ou viver em ambiente de fumantes.

5 passos básicos para cuidar melhor da voz

Na semana do Dia Mundial da Voz, confira os cuidados básicos indicados pelo otorrinolaringologista Danilo Carvalho Guimarães para proteger sua saúde vocal:

1. Evite gritar, falar alto, pigarrear ou falar sem pausas;

2. Beba pelo menos dois litros de água diariamente para prevenir lesões das pregas vocais;

3. Tenha cuidado com a ingestão recorrente de bebidas alcoólicas;

4. ⁠Alimente-se bem e evite alimentos que causam azia ou má digestão;

5. ⁠Não se automedique. Diante de uma dor de garganta ou falha na voz, procure um profissional da saúde, como um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo, para averiguar o que está acontecendo.

Professores sofrem com problemas nas cordas vocais

Professora em sala de aula: voz é principal instrumento de trabalho (Foto: Freepik)

Em casa, no trabalho, durante festas e confraternizações, sempre que nos comunicamos oralmente, as cordas vocais entram em ação para produzir a voz. Agora imagina para os professores que têm na voz um dos principais instrumentos de trabalho? Afinal, é por meio dela que ensinam e instruem os alunos. Porém, o ambiente escolar pode ser barulhento e exigir o uso intenso da voz.

Por isso, em alguns momentos, precisam aumentar o volume e potência da fala para competir com sons externos ao da sala de aula. Ao forçar a voz, os professores podem lesionar e desenvolver nódulos nas pregas vocais. Os problemas estão relacionados a alterações permanente nas cordas e à afonia, perda total da voz.

Também causa danos à vida social e à profissional, pois a dificuldade de projetar a fala atrapalha a comunicação. No caso dos professores, prejudica a explicação do conteúdo e consequentemente no aprendizado dos alunos, que não o escutam e se dispersam com mais facilidade.

De acordo com especialistas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), os problemas vocais causados pelo uso excessivo da voz podem prejudicar a vida pessoal de professores e o aprendizado de alunos, dizem A fonoaudióloga do HSPE Juliana Santarosa explica também que em seu consultório é comum os professores relatarem hábitos prejudiciais à saúde da voz.

O som baixo e instável das cordas vocais cansadas ou lesionados dificulta a comunicação desses profissionais e consequentemente que os estudantes escutem e se atentem. Entre os principais sinais do problema estão: rouquidão, falha ao falar e voz mais grossa ou mais fraca. “Eles precisam falar alto e por muito tempo e, muitas vezes, ingerem pouca água e fazem refeições com intervalos longos”, comenta a especialista.

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5 dicas aos professores para manter a saúde da voz

A fonoaudióloga Juliana Santarosa alerta que o uso de pastilhas e chás para suavizar incômodos causados pelo uso excessivo da voz traz prejuízos vocais. Apesar de produzirem alívio, as alternativas podem mascarar sintomas e facilitar o desenvolvimento de problemas sérios nas pregas vocais. Caso os sinais não desapareçam em 15 dias, deve-se procurar por atendimento especializado.

“Incômodos que permaneçam por mais de 15 dias podem indicar casos sérios de lesões nas cordas vocais e exigem avaliação de profissional especializado”, afirma a médica, que lista abaixo algumas dicas especialmente para os professores.

– Tomar pequenos goles de água durante longos períodos de fala;
– Evitar falar enquanto escreve no quadro, pois o objeto atrapalha a propagação do som, facilitando a imposição intensa e desnecessária da voz;
– Utilizar microfone e outras ferramentas para aumentar o volume da voz e diminuir o esforço das pregas vocais;
–  Alimentar-se regularmente e manter uma dieta balanceada, uma vez que nutrição e hidratação adequadas estão relacionadas a boa saúde da voz;
– Ter uma boa noite de sono, pois durante o descanso o corpo se repara dos danos causados no período de atividades intensas

Com Assessorias

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