Covid-19: nova vacina vai proteger contra variante XBB

Doses atualizadas começarão a ser distribuídas pelo Ministério da Saúde em 15 dias. Vacinas bivalente e monovalente, já disponíveis, continuam eficazes

Nova vacina da Pfizer contra covid-19 começa a chegar ao Brasil (Foto: Geovana Albuquerque / Agência Brasília)
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Novas doses da vacina contra a covid-19, atualizadas para proteger contra a variante XBB, devem começar a chegar nos próximos 15 dias para serem distribuídas aos estados e municípios. O Ministério da Saúde confirmou a compra de 12,5 milhões de doses de vacina contra a covid-19 da farmacêutica Moderna. Os imunizantes devem chegar à população nos próximos 15 dias.
A pasta informou que iniciou o processo de aquisição emergencial em dezembro de 2023, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão mais atualizada do imunizante. A pasta iniciou negociações com duas fabricantes – Moderna e Pfizer. O contrato foi fechado na sexta-feira (19).
Em nota, o ministério diz que essa é a primeira vez que empresas farmacêuticas disputam o fornecimento de vacinas contra a covid-19 no Brasil. Todas as aquisições anteriores foram feitas em um ambiente sem concorrência. A medida, segundo o governo, possibilitou uma economia de R$ 100 milhões.

A vacina monovalente adaptada à variante XBB.1.5 possibilita uma cobertura adicional contra as principais variantes em circulação no Brasil e no mundo. Apesar disso, as vacinas bivalente e monovalente original, que são disponibilizadas atualmente, continuam tendo um impacto positivo na redução de hospitalizações e óbitos pela covid-19.

As vacinas contra a covid-19 vêm sendo atualizadas de acordo com as mutações do vírus. Hoje, são aplicadas as vacinas bivalentes, uma atualização feita com base no vírus que evoluiu muito desde o início da pandemia. O recomendado pelos órgãos de saúde é que cada pessoa tenha tomado pelo menos duas vacinas das relacionadas ao vírus inicial e mais uma bivalente da Pfizer.

Adultos precisam completar o esquema vacinal

De acordo com o Ministério da Saúde, as vacinas disponíveis nos postos de vacinação continuam efetivas contra as formas graves da doença. Além disso, a rede continua abastecida com as vacinas para o público infantil que, segundo a pasta, é um público prioritário em razão da baixa cobertura vacinal.

Entre os jovens com menos de 14 anos, apenas 11,4% receberam as três doses do imunizante. No Brasil, as vacinas contra covid-19 são recomendadas para a população geral a partir dos 6 meses de idade. O esquema vacinal primário é de pelo menos duas doses.

Ainda segundo a pasta, alguns municípios podem estar sem estoque, mas a maior parte das redes de saúde dos estados ainda tem doses da Coronavac e da Pfizer para adultos que precisam completar o esquema vacinal.

 

Vacina oferece cobertura adicional para novas variantes da covid

Aprovada pelas Anvisa, a nova vacina monovalente adaptada à variante XBB.1.5 da ômicron deve ser aplicada em toda a população elegível acima de 6 meses. O imunizante já recebeu anteriormente a aprovação de outros importantes órgãos regulatórios de saúde internacionais, como Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, e European Medicines Agency (EMA), da Europa.

Segundo Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil, a nova vacina se mostrou eficaz na proteção contra as principais cepas que estão mundialmente em circulação. No entanto, ressalta, os imunizantes atualmente disponíveis no país não perdem sua importância.

“As vacinas bivalente e monovalente original, que estão disponíveis nos postos de saúde do país, continuam tendo importante papel na redução de hospitalizações e mortes pelo vírus. Por isso, é imprescindível que a população brasileira elegível mantenha sua vacinação contra Covid-19 em dia, seguindo a recomendação do Ministério da Saúde“, afirma.

Ainda segundo ela, apesar de a covid-19 desde maio de 2023 não ser mais considerada como uma emergência de saúde pública, isso não significa que o vírus vai deixar de circular. “Pelo contrário, estamos acompanhando o surgimento de novas variantes”, destaca.

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Baixa cobertura contra a covid-19 no Brasil

Atualmente, a cobertura vacinal contra covid-19 no Brasil está longe do ideal de 95%. Somente 51% dos grupos elegíveis possuem pelo menos três doses da vacina, e apenas 19,3% receberam a vacina bivalente, a mais atualizada disponível pelo SUS, segundo dados do Ministério da Saúde.

A pasta recomenda uma dose adicional para a população acima de 60 anos de idade que tenha recebido a última dose da vacina há mais de 6 meses. Quando falamos de público infantil os números são ainda mais preocupantes, as faixas de 6 meses a 2 anos e de 3 a 11 anos de idade que receberam 3 doses representam apenas 5,94% e 11%, respectivamente.

“Apesar de estar disponível para grupos específicos no PNI, toda a população acima dos 6 meses de idade que está com o esquema vacinal incompleto ainda tem a chance de receber a vacina contra Covid-19 gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma Adriana Ribeiro.

Como as vacinas fazem a diferença para a vida da população brasileira

Vacinas não possuem 100% de eficácia mas são totalmente seguras e são ferramentas essenciais para o combate a doenças

No dia 17 de janeiro de 2021, a enfermeira do Hospital das Clínicas de São Paulo, Monica Calazans (foto), foi a primeira pessoa a ser vacinada no Brasil contra a covid-19. Desde então, a vacinação em massa se difundiu pelo país e, ainda que a doença não tenha sido totalmente erradicada, as vacinas foram as grandes responsáveis pelo arrefecimento da pandemia no país.

“É muito importante vacinar, visto que a circulação do coronavírus e das internações relacionadas à doença aumentou. Isso ocorre porque menos de 30% da população brasileira se vacinaram com a bivalente então essa atualização se torna essencial”, descreve  a infectologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Patrícia Rady Muller.

O grande objetivo das vacinas é fazer com que a pessoa crie anticorpos que oferecerão uma resposta ou reação a uma determinada doença. Segundo a médica, o principal objetivo das vacinas é prevenir as formas mais graves das doenças. “Nunca vai ter uma vacina com 100% de eficácia. Ela é importante para abrandar os sintomas, impedir consequências graves e mortes causadas pela doença”, explica.

A especialista afirma que todas as vacinas são essenciais, mas que é preciso obedecer às faixas etárias e públicos determinados.

“A gente viu como funcionou o processo de vacinação para a covid-19. A partir de estudos científicos, se determina qual a faixa etária mais adequada e se é destinada para homens e mulheres, por exemplo. Tudo varia de acordo com a ação do agente infeccioso que está sendo estudado”, destaca.

Para a elaboração, as vacinas podem ser de diferentes tipos: aquelas com agentes vivos ou atenuados (em que o vírus é atenuado e não pode mais transmitir a doença), com agentes inativos (com vírus mortos) e aqueles de RNA mensageiro (engenharia genética).

“Isso é feito porque tem partes de vírus e bactérias que são fundamentais para incentivar a criação de anticorpos e a criação da defesa em relação àquela doença”, detalha.

Alerta contra as fakes news sobre vacinas

Patricia orienta que é fundamental manter a carteira vacinal atualizada e ressalta que o Programa Nacional de Imunização (PNI) é um dos mais completos do mundo, com vacinas disponíveis de acordo com a faixa etária. Algumas delas, como a contra a tuberculose, são essenciais, enquanto outras como a do pneumococo (causada pela pneumonia por bactérias) e a do HPV são destinadas a públicos específicos.

Apenas as vacinas disponíveis no PNI já oferecem uma proteção muito importante, segundo Patricia. A infectologista ainda faz um alerta importante para a população. “A gente só consegue erradicar doenças se a gente tiver tratamentos associados a vacinas. As vacinas testadas e aprovadas pela ciência, como as contra a covid, não vão trazer malefícios”.

Ela também alerta que é preciso combater as notícias falsas que circulam sobre o assunto. “Por isso, é importante sempre procurar médicos disponíveis e os órgãos e instituições de saúde para tirar todas as dúvidas relacionadas ao assunto para evitar qualquer distorção”, finaliza.

Com informações da Pfizer Brasil, Agência Brasil e Hospital Edmundo Vasconcelos (atualizada em 20/04/24)

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