Proteção Animal responsabiliza agronegócio por tragédia no RS

‘Toda vez que senadores e deputados destroem a legislação ambiental brasileira estão compartilhando da responsabilidade por crises climáticas’, diz ong

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Não são apenas perdas humanas. Animais também estão entre as vítimas da maior catástrofe ambiental já registrada no Rio Grande do Sul. Campanhas como a do Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad), para salvar animais de estimação que se perderam de seus tutores durante as inundações, ganham cada vez mais força e emocionam na internet. Mas todos os animais – inclusive os silvestres e os de criação – precisam de atenção.

“Como uma ONG que se propõe a ser uma voz dos direitos dos animais, seres sencientes que, assim como os humanos, sentem emoções complexas como medo e dor, lamentamos também o impacto desse desastre climático na vida de animais domésticos, silvestres e daqueles criados em fazendas“, afirma a Proteção Animal Mundial, com mais de 70 anos de atuação e presente no Brasil desde 1995.

Além da solidariedade, o momento é de responsabilizar quem contribui para a tragédia climática no estado – leia-se ‘agronegócio’. Por isso, a ong internacional não só lamenta as perdas devastadoras – principalmente de vidas humanas – e se solidariza com todas as pessoas afetadas, mas também chama a atenção para um dos principais responsáveis pela tragédia e pela ameaça ao bem-estar animal: a pecuária industrial.

Tricia Croasdell, a nova CEO global da Proteção Animal Mundial, que tem sede em Londres e atuação em 47 países, reforça a necessidade de repensar o modelo de sistemas alimentares.

Tricia Croasdell, nova CEO global da Proteção Animal Mundial, reforça a necessidade de repensar o modelo de sistemas alimentares (Foto: Divulgação)

“Neste momento de emergência climática no Rio Grande do Sul, questionamos o histórico devastador do agronegócio sobre os biomas do país que há décadas vem desmatando vegetação nativa para o cultivo de grãos, majoritariamente soja, que são destinados para a produção de ração animal, que é o que mais contribui para as mudanças do clima atualmente no Brasil”, afirma.

Ano passado, Tricia esteve no Brasil para o encontro global de planejamento para definir ações de proteção animal, tanto da fauna silvestre, como dos chamados animais de produção. “Vamos seguir atuando para promover transformações profundas e sistêmicas no modelo agroalimentar para evitar o avanço ainda maior da crise climática e do aquecimento global”, afirma.

O tamanho do impacto ambiental causado pelo agronegócio

Há anos a Proteção Animal Mundial vem produzindo relatórios e estudos mostrando o impacto ambiental causado pelo agronegócio e isso inclui sua contribuição significativa nas emissões de gases de efeito estufa e aquecimento global.

O setor tem um histórico devastador sobre os biomas do país e há décadas vem desmatando vegetação nativa para o cultivo de grãos, majoritariamente soja, que são destinados para a produção de ração animal.

“Todos esses estudos sempre alertam que, esse ciclo, que se inicia com as queimadas exterminando habitats e dizimando a vida silvestre, é o que mais contribui para as mudanças do clima atualmente no Brasil, agravando seus efeitos e impactando a vida também de milhares de seres humanos”, diz a ONG, em posicionamento à imprensa.

Para a Proteção Animal Mundial é necessário promover “transformações profundas e sistêmicas no modelo agroalimentar” atual para evitar o avanço ainda maior da crise climática e do aquecimento global. “Essa missão é urgente, embora extremamente complexa, por conta da imensa influência política exercida pelo agronegócio”, reconhece.

Grandes empresas do setor agropecuário, como a JBS, uma das maiores produtoras e processadoras de proteína animal do planeta, têm ditado o afrouxamento das políticas públicas ao financiarem o Instituto Pensar Agro (IPA), ligado à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) no Congresso.

ONG alerta para destruição da legislação ambiental

Segundo a ong, além da alteração de todo o Código Florestal em 2012, e mais recentemente da definição do Marco Temporal indígena, e da aprovação do Pacote do Veneno, neste momento, o Senado Federal ainda tenta aprovar o Projeto de Lei 2159/2021, apelidado de Projeto de Lei da Devastação porque, se aprovado, vai diminuir o rigor necessário para a aprovação de licenciamentos ambientais. Se isso acontecer, teremos o aumento dos efeitos da crise climática.

“Toda vez que senadores e deputados destroem a legislação ambiental brasileira, estão compartilhando da responsabilidade por crises ambientais como a vivida no Rio Grande do Sul”, enfatiza a Proteção Animal Mundial.

Ainda de acordo com a Ong, os sistemas alimentares no Brasil representam 74% das emissões de gases de efeito estufa no país, segundo um estudo do Observatório do Clima. E a pecuária industrial é o setor que mais impacta nesse resultado.

“Dessa forma, a Proteção Animal Mundial avalia que esse é o momento de repensar o atual sistema alimentar e priorizar pequenos produtores em vez de investir grandes somas de dinheiro no já abastado agronegócio, que comprovadamente não alimenta todos brasileiros e ainda causa grandes impactos ambientais”.

Primeira-dama adota Esperança, resgatada no RS

As imagens da primeira-dama Janja Lula da Silva com uma cadela resgatada durante a tragédia causada pelas chuvas no Rio Grande do Sul emocionaram os internautas. A cachorrinha ganhou o nome de Esperança e viajou para Brasília junto com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Esperança foi adotada pela primeira-dama durante visita em uma instituição em Canoas (RS) que acolhe 400 animais. Na ocasião, ela participou da entrega de uma tonelada de ração. Nas redes sociais, Janja publicou um vídeo com a cachorrinha em seu colo ainda durante o abrigo. Depois, o animal aparece dentro do avião presidencial no colo do presidente Lula.

Pelas redes sociais, a primeira dama comunicou que a cachorrinha está com algumas fraturas e será internada para realizar o procedimento nesta terça-feira (7/5). O casal presidencial tem outras duas cachorrinhas: Resistência e Paris, ambas também adotadas por Janja.

“São milhares de pessoas e animais que sofrem a consequência da crise climática. Só no abrigo em que a adotamos, são 400 bichos que precisam de alimentos, remédios, cuidado e amor. Que a alegria e a resiliência da Esperança inspirem a todos nós a superar desafios e a construir um mundo melhor juntos”, escreveu a primeira-dama.

3,5 mil animais domésticos são resgatados nas enchentes

As equipes do poder público e de voluntários resgataram ao menos 3,5 mil animais ilhados pelas chuvas no Rio Grande do Sul (RS) até o último domingo (5). Porém, o número deve ser bem maior, já que se formaram diversos grupos de voluntários para o salvamento de cães e gatos que ficaram para trás devido às enchentes que assolam o estado,

As equipes do poder público resgataram 3,2 mil animais até a noite de sábado (4). Voluntários ouvidos pela Agência Brasil afirmaram ter conseguido salvar com vida pelo menos 350 animais. Em apenas em um dia, a Grad realocou cerca de 100 animais nos municípios de Esteio e São Sebastiao do Caí, na região metropolitana de Porto Alegre.

Outra organização que tem atuado no resgate e cuidado de cães e gatos ilhados é a Campo Bom pra Cachorro, que fica no município de Campo Bom (RS), na região metropolitana de Porto Alegre. De acordo com a ONG, eles resgataram 80 animais em um único dia, chegando ao total de 200 animais retirados da água pelos voluntários.

A quantidade de animais resgatados foi tão grande que eles não têm mais espaço para receber novos animais e pedem ajuda de outras pessoas nas redes sociais para que possam acolher, temporariamente, os bichinhos perdidos devido aos alagamentos.

“É muito animal gente, na pontinha do telhado, é muito animal preso na janela, é muito animal que que está nadando incansavelmente, é muito, muito, não consigo passar um número de tantos animais que são”, informou em uma rede social Carla Sássi, coordenadora do Grad.

Segundo ela, a organização precisa de um barco com motor para ampliar os salvamentos, já que a correnteza é forte. “Os pedidos por resgates não param de chegar, mas muitas áreas continuam inacessíveis. Precisamos aumentar nossa equipe a campo e estamos solicitando apoio de embarcações a motor para salvar o maior número de animais possível”, afirmou, em nota, a Grad Brasil.

Proprietária de um pet shop e de uma creche de animais em Esteio (RS), Carla Ebert contou que recepcionou, apenas ontem no sábado, 50 animais deixados pra trás nas enchentes. Ela relata que pessoas comuns estão resgatando os animais ilhados e levando para um abrigo cedido pela prefeitura.

“É muito animal. É uma coisa absurda. A gente vai ver quando baixar a água, a gente nem está preparado para isso, devido aos que morreram. É muito triste”. A gente se organizou como pôde e as pessoas foram levando os animais”, completou.

Equipe de resgate socorrem animais em área de risco devido a forte chuva. Foto: grupoamorempatas/Instagram
Equipes de resgate socorrem animais em áreas alagadas – grupoamorempatas/Instagram

“Novo Hamburgo (RS) está mandando muito cachorro pra cá. A gente não pode mais aceitar animais aqui. Tem gente chegando aqui sendo grosso com a gente, brigando com a gente, querendo a qualquer custo trazer animais de todos os bairros”, informou em rede social Kayanne Braga, voluntária da organização.

Para quem doar?

Aos interessados em colaborar com os animais afetados no Rio Grande do Sul, a Proteção Animal Mundial recomenda:

Grupo de Resposta a Animais em Desastres, o @grad_brasil. Chave pix CNPJ: CNPJ: 54.465.282/0001-21.

Nas páginas do @cozinhassolidariasmtst, dos @correiosoficial, da @cufabrasil e do @movimentosemterra têm mais detalhes sobre como ajudar.

Com informações da Agência Brasil e Grad-Brasil

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