A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica a ocorrência de 700 mil suicídios por ano no mundo; 14 mil no Brasil (38 por dia). E este número não para de crescer. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a estimativa é que todos os dias no Brasil, aproximadamente 44 pessoas sejam vítimas de suicídio. Em 2022, um total de 16.262 pessoas tiraram as próprias vidas, quase 12% a mais que em 2021, quando foram registrados 14.475 casos de suicídio.

Em boa parte dos casos, são identificados problemas com a saúde mental, que impactam sobretudo o ambiente de trabalho. Segundo o relatório “Diretrizes sobre Saúde Mental no Trabalho”, publicado em setembro de 2022 pela OMS, a depressão e a ansiedade causam uma perda estimada de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, resultando em um custo global de quase 1 trilhão de dólares para a economia.

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que em 2022, foram registrados 209.124 mil casos de afastamentos do trabalho devido a transtornos mentais, incluindo depressão, distúrbios emocionais e Alzheimer, enquanto em 2021 esse número foi de 200.244 afastamentos. Segundo a Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), solicitada pelo IBGE, 10,2% dos brasileiros acima dos 18 anos, ou seja, aptos ao trabalho, são diagnosticados com depressão.

Outro problema que vem crescendo em preocupação, sendo debate no Brasil e no mundo é a Síndrome de Burnout, que se manifesta por meio do esgotamento físico, emocional e mental resultante do estresse constante no ambiente de trabalho. Em 2022, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu essa condição como uma doença ocupacional.

Segundo a International Stress Management Association (Isma), o Brasil é o segundo país no ranking mundial de número de casos diagnosticados. Só fica atrás do Japão. A pesquisa da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) aponta que aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com o burnout. As mulheres são as maiores vítimas do Burnout, tudo por conta do acúmulo de funções.

O que as empresas devem fazer?

Os dados alarmantes reforçam a urgência de empresas e sociedade civil debaterem sobre a importância do equilíbrio emocional. Em 2022, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) determinou que um ambiente de trabalho seguro e saudável está entre os princípios e direitos fundamentais do trabalhador. Assim, todos se comprometem com prevenção de acidentes e doenças ocupacionais e a promoção de uma cultura de segurança e saúde nas organizações.

A Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) no Trabalho reforça a necessidade de incentivar a cultura da saúde em ambientes corporativos. Tanto que criou o Movimento Gerar Bem-Estar, que vai ao encontro da determinação da OIT e assume esse compromisso, com o desafio de impactar a vida de mais de 500 mil trabalhadores até 2030, por meio do engajamento de organizações, lideranças e colaboradores.

Neste mês, acontece a campanha Setembro Amarelo, de conscientização a respeito do suicídio e da saúde mental. Durante o período, são apresentadas possíveis medidas de combate às condições para pessoas que passam por problemas envolvendo saúde emocional, além de linhas de diálogo para que a discussão sobre o tema seja menos estigmatizada. No âmbito do trabalho, é crescente a preocupação em construir um ambiente que debata as condições de seus colaboradores e que respalde as pessoas que sofrem desses problemas.

Como promover o equilíbrio emocional nas empresas

Para a coach, palestrante e diretora da Febracis Paraná, Daniella Kirsten, é fundamental que as empresas priorizarem a saúde emocional de seus colaboradores, uma vez que diante do panorama atual, o equilíbrio emocional se torna algo indispensável para a motivação, o engajamento e a produtividade dos colaboradores dentro das organizações.

“É essencial que as empresas reconheçam a necessidade de investir em programas de conscientização emocional e em estratégias que promovam o equilíbrio emocional dos colaboradores. Palestras, workshops e outras atividades que estimulem o autoconhecimento, a inteligência emocional e o gerenciamento do estresse são fundamentais para superar os desafios emocionais no ambiente de trabalho”, explica.

Promover o equilíbrio emocional dos colaboradores não é apenas uma responsabilidade das empresas, mas também um requisito fundamental para construir um ambiente de trabalho saudável, sustentável e de sucesso.

“Para alcançar um ambiente de trabalho verdadeiramente saudável, é essencial que haja um comprometimento genuíno da liderança e uma cultura organizacional que valorize o equilíbrio emocional. Além disso, é importante disponibilizar recursos e profissionais especializados que possam oferecer apoio aos colaboradores que enfrentam dificuldades emocionais dentro e fora do ambiente de trabalho”, conta Daniella.

6 dicas para equilibrar profissão e bem-estar

O autocuidado fica de fora da lista de prioridades de grande parte dos trabalhadores brasileiros, ocupada majoritariamente por demandas e cobranças que geram sobrecarga de trabalho. E é por isso que muitos profissionais se queixam de estarem em um ciclo constante de estresse, esgotamento, redução da produtividade e problemas de saúde.

Mas é possível mudar esse quadro com uma mudança de mindset, o que inclui estabelecer limites e aprender a dizer não, gerenciar melhor o seu tempo, priorizar o autocuidado, buscar ajuda e, se necessário, mudar de emprego.

Confira seis dicas da Refuturiza, plataforma digital de empregabilidade e educação, para investir na saúde e no bem-estar e prevenir o burnout.

1) Aprender a dizer não

Assumir tarefas que não são suas e aceitar mais trabalho do que é possível administrar não é um caminho saudável. A atitude só gera sobrecarga e não traz nenhum benefício: nem profissional e nem pessoal.

Para sair do ciclo de sobrecarga, é preciso aprender a dizer não de maneira assertiva e estabelecer limites claros, para você e para os outros.

2) Praticar a gestão do tempo

Aprender a gerir o próprio tempo é de extrema importância e uma das principais teorias de administração do tempo ensina que existem quatro tipos de tarefas:

·     Urgente e importante (necessidade real);

·     Não urgente e importante (eficiência);

·     Urgente e não importante (decepção);

·     Não importante e não urgente (desperdício)

Somente os dois primeiros grupos merecem atenção, mas normalmente a maior parte do tempo é gasto com os dois últimos, o que só gera decepção, frustração e desperdício de tempo.

Então, antes de começar a trabalhar, é importante priorizar as tarefas e começar pelo que é importante, dizer não para o que não importa e delegar quando necessário.

3) Priorizar o seu autocuidado

Ao fazer a sua lista de tarefas diárias, lembre-se de se incluir nela. Você é prioridade máxima e manter uma rotina de autocuidado não é algo supérfluo. Pelo contrário: é essencial. Se você não estiver bem e com a saúde em dia, nada mais fará sentido. E pior: rapidamente aparecerá alguém para te substituir (sim, essa é uma verdade dolorosa, mas necessária).

Então, reserve tempo para:

·     ter uma rotina de atividade física;

·     manter uma alimentação balanceada;

·     beber bastante água;

·     dormir o suficiente para descansar o corpo e a mente.

4) Cuidar da saúde mental/emocional

Dedicar tempo a atividades prazerosas fora do ambiente de trabalho é uma maneira eficaz de relaxar e recarregar a energia. Ler, dançar, praticar jardinagem e bordar são alguns bons exemplos. O mesmo vale para a prática da atenção plena (mindfulness) e da meditação, que ajudam na redução do estresse e da ansiedade.

5) Buscar ajuda sempre que necessário

Contar com apoio de um psiquiatra, psicólogo ou terapeuta para orientar e fornecer as ferramentas necessárias para atravessar o estresse e aprender a lidar melhor com ele é uma forma de manter a saúde mental em dia. Por isso, não hesite em buscar ajuda profissional.

6) (Se necessário) mudar de emprego

Algumas vezes, mesmo colocando em prática todos os itens anteriores, o problema está justamente no ambiente de trabalho, que pode ser tóxico e, ao invés de impulsionar o crescimento, esgota e coloca o profissional para baixo. Se esse for o seu caso, saiba que há outras possibilidades de trabalho, considerando outras vagas na mesma área ou mesmo uma mudança de carreira.

Mapa de autoavaliação sistêmico

Para promover o equilíbrio emocional nas empresas, a coach Daniella Kirsten sugere a utilização do Mapa de Autoavaliação Sistêmico (MAAS) como uma ferramenta para fazer uma análise abrangente da saúde mental. O MAAS – parte do Método CIS, desenvolvido pela Febrasis e baseado no Coaching Integral Sistêmico – é uma ferramenta que permite a auto avaliação em diferentes áreas, atribuindo uma pontuação de 1 a 10, em tópicos como:

– Qualidade de vida: hobbies, diversões, plenitude/felicidade e espiritualidade;

– Pessoal: saúde, disposição, desenvolvimento intelectual e equilíbrio emocional;

– Profissional: contribuição social, recursos financeiros e realização/propósito;

– Relacionamentos: vida social, relacionamento amoroso e família.

Observando esses pontos, muitas pessoas percebem o quanto estão desconectadas de suas tarefas diárias e de suas reais motivações, passando a ter a oportunidade de reavaliar questões fundamentais para suas rotinas. “As empresas muitas vezes negligenciam a importância das pessoas como seus principais ativos e isso pode gerar inúmeras frustrações.

As pessoas também podem se sentir perdidas, sem um propósito de vida claro. Por meio do Método CIS e do Mapa de Autoavaliação Sistêmico, as pessoas têm a oportunidade de ganhar clareza sobre seu estado atual, estabelecer objetivos de forma mais segura e identificar suas potencialidades.

“É uma abordagem que visa promover a autorreflexão e o autodesenvolvimento, proporcionando uma base sólida para o crescimento pessoal e profissional”, explica Daniella.

Daniella também alerta que a promoção do equilíbrio emocional entre os colaboradores é uma questão que vai além de trazer benefícios para as empresas, sendo primordialmente uma responsabilidade social.

“Ao cuidar da saúde mental dos colaboradores, as empresas contribuem para a construção de um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e sustentável. Isso se reflete na vida de toda a sociedade, que passa a ter mais consciência sobre a importância do equilíbrio emocional em todas as áreas da vida”, finaliza.

Com Assessorias

 

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