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Robótica torna cirurgia mais eficiente, mas robô não opera sozinho

Comemorado esta semana, o Dia da Ciência e da Tecnologia (16/10) nos faz lembrar os importantes avanços da Medicina para a saúde humana nos últimos anos. Um deles é a cirurgia robótica, que vem revolucionando os procedimentos cirúrgicos nos hospitais do país, ao prometer reduzir riscos, diminuir o tempo de recuperação e trazer resultados mais satisfatórios para a recuperação dos pacientes. 

Segundo informações do Instituto de Cirurgia Robótica do Paraná (ICRP), o número de cirurgias realizadas com o auxílio da plataforma robótica no Brasil saltou de 24 mil, em 2021, para 27 mil em 2022 – com crescimento de 12,5% em um ano, segundo representantes do setor no mercado. Desde 2008, quando iniciou a operação do primeiro sistema no país, até o final de 2022 foram feitos cerca de 100 mil procedimentos.

Apenas na cirurgia geral a utilização de robôs ocorreu em 6.5 mil operações no último ano. A plataforma está presente em vários estados brasileiros, com aproximadamente 100 robôs em atuação. Apenas no Paraná quatro hospitais contam com a tecnologia.

Robô não opera sozinho: cirurgião bem treinado é fundamental

O robô é aplicado em cirurgias minimamente invasivas e segue os comandos feitos por um cirurgião através de um console de controle, atuando diretamente no paciente por meio de pinças e braços robóticos.

É importante ressaltar que a plataforma não tem autonomia e não faz nenhum movimento sem o adequado comando do cirurgião no console de controle. Ao todo, o Brasil já possui mais de 1,2 mil médicos certificados a realizar cirurgias robóticas em diferentes especialidades.

Existem inclusive mecanismos de segurança para garantir maior precisão, conforme explica o cirurgião de fígado e pâncreas,  Eduardo Ramos. “O robô paralisa imediatamente se o médico tira o rosto do console de comando e também para caso o cirurgião faça algum movimento brusco e/ou inesperado durante a cirurgia”.

Sistema robótico é indicado em casos complexos

Do total de cirurgias gerais robóticas feitas no Brasil no ano passado, 25% são relacionadas à bariátricas. O cirurgião bariátrico do Instituto de Cirurgia Robótica do Paraná (ICRP), Giorgio Baretta, explica as vantagens nesses casos.

“O paciente tem a redução de sangramento durante a cirurgia, bem como menor risco de infecção na ferida operatória. A técnica é ainda mais vantajosa para os pacientes superobesos ou que precisam de uma cirurgia revisional”, esclarece.

De acordo com Christiano Claus, cirurgião do aparelho digestivo dedicado ao tratamento das hérnias abdominais do ICRP, a utilização deste sistema é indicado principalmente para casos considerados mais complexos. Segundo ele, o paciente também é beneficiado com a redução da dor pós-operatória e recuperação precoce com retorno mais rápido às atividades cotidianas.

“O robô permite mais precisão nos movimentos e oferece uma visão ampliada e em 3 dimensões do campo cirúrgico, o que torna a operação mais segura e ainda mais delicada, sendo ideal para casos complexos que não poderiam ser realizados de forma minimamente invasiva sem essa tecnologia”, explica.

Fim das cicatrizes gigantes na cirurgia abdominal

Rodrigo Galhego exalta vantagens do novo método utilizado para corrigir diástases e hérnias (Foto: Divulgação)

Na cirurgia abdominal, a robótica não é mais novidade. Cicatrizes grandes, pós-operatório mais longo e processo mais invasivo são coisas do passado. Hoje, com apenas três furinhos e o uso de robôs é possível ter um abdômen sarado em menos tempo do que em uma abdominoplastia tradicional.

Especialista em cirurgia do aparelho digestivo no Rio de Janeiro, Rodrigo Galhego opera com esta inovadora técnica seus pacientes. “O robô também é uma via de acesso minimamente invasiva, porém, aumenta a precisão de movimentos e qualidade da visão (tridimensional), aumentando o índice de sucesso e reduzindo o potencial de complicações”, afirma Galhego.

A maior procura é de mulheres que passaram pela gravidez e tiveram as paredes do abdômen afastadas, a já conhecida diástase

“A diástase facilita o aparecimento de hérnia umbilical e epigástrica, pois enfraquece toda a parede abdominal. Diástases muito pequenas e sem hérnias associadas podem ter alguma melhora com exercícios físicos e fisioterapia direcionada, porém, normalmente, não de forma definitiva. É preciso operar quando o paciente apresenta incontinência urinária, dor lombar, incômodos ou desconforto estético”, diz Galhego.

Cirurgia é único tratamento para hérnias abdominais

O grande problema do enfraquecimento da parede abdominal é o surgimento de hérnias. As hérnias abdominais são doenças progressivas e o único tratamento existente é a cirurgia para correção. Adiar o procedimento pode fazer com que a hérnia aumente de tamanho, aumentando também os sintomas apresentados pelo paciente e a complexidade da cirurgia necessária.

Além disso, existe o risco de ocorrer complicações como o estrangulamento e o encarceramento da hérnia, o que exige cirurgia de emergência. Tratar o quanto antes e realizar essa cirurgia por robótica é mais eficaz e mais seguro, porque proporciona um rápido retorno às atividades normais, com um pós-operatório indolor e sem cicatrizes aparentes, além de reduzir índice de complicações e recidiva.

Existem diferentes tipos de hérnias abdominais, como a umbilical, inguinal (na virilha), incisional (no local de uma cicatriz anterior) e a epigástrica (pouco acima do umbigo). Todas geram sintomas semelhantes aos pacientes: dor abdominal, dependendo do tamanho e da localização, dor ao praticar exercícios e desconforto estético com um abaulamento no local da hérnia. 

“Exercícios físicos que fortaleçam a musculatura do abdômen podem prevenir o aparecimento de hérnias. Porém, levantar muito peso de forma desorganizada, como em trabalho que exija muito esforço, pode ocasionar ou piorar hérnias”, analisa.

Quarta geração de robôs promete reduzir tempo de recuperação

A chegada ao mercado do robô Da Vinci Xi, novo sistema que permite a realização de cirurgias robóticas de maneira minimamente invasiva e de modo muito mais ágil e preciso, é comemorada pelos médicos do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, que desde junho utiliza o novo sistema robótico.

“A quarta geração desse robô se diferencia em relação às versões anteriores por possuir uma maior capacidade de fornecer uma visão tridimensional e ampliada do local da cirurgia, graças à tecnologia de imagens detalhadas e de alta resolução (incluindo em 3D), oferecendo uma visão mais clara e nítida. Esse investimento reforça nosso compromisso em oferecer cuidados de saúde de alta qualidade e avançar na vanguarda da medicina e tecnologia de última geração”, afirma o diretor geral Dario Ferreira Neto.

De acordo com ele, com mais eficiência, o médico poderá realizar mais de uma cirurgia por dia a depender da complexidade, o que beneficia tanto o médico quanto o paciente que terá um pós-operatório e uma recuperação mais rápidas, reduzindo seu tempo de internação, custos com hotelarias, gastos hospitalares, entre outros.

Segundo o médico, outro diferencial da cirurgia robótica é que os braços robóticos oferecem mais precisão e estabilidade, o que permite uma manipulação delicada dos tecidos durante a cirurgia.

“Os braços robóticos que são feitos por meio de pinças e um controlador preciso que reduz até mesmo tremor e tensão das mãos em cirurgias tanto curtas quanto longas. Há também a melhoria com a ergonomia, já que a cirurgia pode ser feita com o médico sentado”, explica.

O hospital já possui mais de 15 médicos e uma equipe de enfermeiros capacitados para operar o robô, mas a intenção é que mais médicos possam se certificar para realizar as cirurgias robóticas. O hospital também quer ampliar o número de pacientes com o atrativo da cirurgia robótica. “Nosso objetivo também é que médicos externos fiquem sabendo da disponibilidade de estrutura para cirurgia robótica e tragam suas cirurgias para o Edmundo Vasconcelos”, detalha o diretor geral.

Além do robô, outra novidade é o ultrassom BK5000, que ajudará no processo intraoperatório na análise e visualização de lesões durante a cirurgia e para uma melhor delimitação da área a ser retirada em procedimentos cirúrgicos.

Treinamento especial para médico operar robôs

A certificação para atuar com robótica ocorre após o cirurgião cumprir uma série de etapas que envolvem curso teórico, treinamento com simuladores, acompanhamento de cirurgias robóticas como auxiliar e realizar as primeiras cirurgias com o instrutor ou tutor, de forma regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Reitan Ribeiro, cirurgião oncológico do Instituto de Cirurgia Robótica do Paraná (ICRP) e instrutor de robótica explica que esse caminho deve ser trilhado para garantir a segurança dos pacientes.

“Atualmente o caminho está muito bem definido e nós somos pioneiros a instituir cursos de robótica no Brasil, fora do que a empresa do robô oferece. São necessárias mais de 20 horas de simulador, aprendendo a movimentar o robô e só então ocorre a etapa mais longa, que é o treinamento com outro cirurgião”.

O ICRP reúne quatro cirurgiões renomados em cirurgia robótica do Sul do Brasil – e em suas respectivas áreas de atuação, com certificação e know-how para oferecer melhor atendimento ao paciente, com o que há de mais atual e seguro na medicina.

Com Assessorias

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