Medicina Integrativa: entenda o que é e seus benefícios

Além do SUS, hospitais públicos e privados adotam práticas integrativas. Medicina integrativa também pode ajudar no emagrecimento eficaz e saudável

Hospital de Curitiba oferece reiki e auriculoterapia aos pacientes (Foto: Divulgação)
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O futuro da Medicina vai além da tecnologia e do ato de curar. Cada vez mais, o médico assume a função essencial de tratar as raízes dos problemas e prevenir o surgimento de outras doenças. A combinação de especialidades no atendimento garante aos pacientes uma assistência personalizada, promovendo uma jornada de cuidado adaptada às características únicas de cada pessoa. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o foco precisa estar no indivíduo e ultrapassar a dualidade saúde-doença.

É aí que entra a chamada Medicina Integrativa, que reafirma a importância da relação entre médico e paciente e tem seu dia internacional no calendário da saúde lembrado neste 23 de janeiro. Com base em evidências científicas e aplicação de diversas abordagens, o médico observa diferentes ângulos do paciente: mental, emocional, funcional, espiritual, social e, até mesmo, comunitário. Isso não implica na exclusão de tratamentos tradicionais ou medicamentosos, mas, sim, na adição de práticas que podem proporcionar benefícios tangíveis para cada pessoa.

Diante disso, hospitais públicos e privados têm dado passos na direção de tratamentos que olhem para além da doença do paciente. No Brasil, a oferta de tratamentos complementares está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006 e, atualmente, conta com 28 modalidades na rede pública, conforme estabelecido pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. 

80% das doenças do envelhecimento podem ser tratadas com Medicina Integrativa

É possível evitar completamente 80% das doenças relacionadas ao envelhecimento com o suporte da medicina funcional e integrativa, de acordo com um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O estilo de vida e o ambiente são fatores decisivos para que uma pessoa ultrapasse os 65 anos com a saúde em dia.

“A saúde deve ser abordada de dentro para fora, considerando todos os aspectos que compõem o ser humano. Nesse contexto, a medicina integrativa se destaca como um elo essencial para orientar a promoção da saúde e a busca por uma melhor qualidade de vida”, afirma a clínica médica Larissa Hermann, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, em Curitiba (PR).

O  objetivo é somar esforços com outras áreas, acompanhando o paciente como ponto de referência para a avaliação inicial e a coordenação do cuidado. A adesão a essa prática tem contribuído significativamente para a redução do uso de analgésicos, anti-inflamatórios e encaminhamentos para exames de alta complexidade, que representam alguns dos maiores gastos do país com a saúde.

Essa constatação foi resultado de uma pesquisa realizada pelo Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde. O cuidado integral permite um diagnóstico mais preciso para pacientes que buscam atendimento em unidades de saúde, com destaque em áreas como oncologia, cardiologia e pediatria.

“A medicina integrativa precisa ser preventiva, colocando o paciente como protagonista do cuidado com a saúde. O foco no equilíbrio metabólico e nos pilares do ser humano contribui para um envelhecimento saudável e com qualidade”, afirma a médica

Hospitais de Curitiba oferecem reiki e auriculoterapia

Nos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, a incorporação do reiki e da auriculoterapia confere aos cuidados integrativos um papel ainda mais crucial. Essas práticas são realizadas por meio do trabalho de voluntários que facilitam o acesso a essas terapias, ao mesmo tempo em que contribuem para a construção de um ambiente hospitalar acolhedor e centrado no indivíduo.

“Priorizamos o bem-estar não apenas de nossos pacientes, mas também de nossos colaboradores. Cuidar de quem cuida é fundamental para promover a saúde integral”, destaca a coordenadora do voluntariado dos hospitais, Nilza Brenny.

Disponibilizadas gratuitamente pelo SUS, as Práticas Integrativas e Complementares são abordagens terapêuticas que se somam aos tratamentos convencionais, promovendo uma visão holística da saúde por meio de técnicas milenares.

“O reiki é mais do que uma terapia, é uma jornada de cura para dores físicas e ansiedade dos pacientes” explica a voluntária e reikiana Vivian Correa Lopes.

Para combinar esforços, as voluntárias Luciana Nalon e Daniele Querico são as responsáveis por introduzir a auriculoterapia nos hospitais de Curitiba.

“Com um toque suave que reverbera cura, a auriculoterapia se transforma em esperança ao não rotular os pacientes apenas por um diagnóstico e estimular o bem-estar”, acrescenta a terapeuta Luciana Nalon.

Medicina Integrativa não substitui a Medicina tradicional

Terapias complementares como reiki e auriculoterapia contribuem para construção de ambiente hospitalar acolhedor e centrado no indivíduo (Foto: Divulgação)

A principal característica da medicina integrativa reside na abordagem holística do indivíduo e no valor atribuído à promoção da saúde, mesmo quando a pessoa não esteja doente.

Em um ambiente hospitalar, programas multidisciplinares de saúde preventiva desempenham um papel fundamental ao facilitar o acesso das pessoas a uma qualidade de vida individualizada.

É o que acontece no Hospital São Marcelino Champagnat, com diferentes profissionais da saúde que se unem por meio de programas abrangentes, incluindo check-ups, saúde da mulher, perda de peso e cardiologia.

“As pessoas esperam ser tratadas como um todo, não apenas em partes, como se estivessem realizando uma revisão das peças de um carro em um mecânico, por exemplo. Elas desejam e merecem ser observadas em sua totalidade: corpo, mente e alma”, enfatiza Larissa Hermann.

Ela reforça que a Medicina Integrativa não substitui a medicina tradicional, mas se apresenta como uma grande aliada para tratar não só a doença como o indivíduo. A abordagem busca resgatar valores significativos como integralidade, preservação da saúde e autocuidado.

“É vital que esse tipo de cuidado esteja integrado aos hospitais. No entanto, antes disso, deve estar presente na vida das pessoas. A promoção da saúde não deve se limitar ao consultório médico, ela precisa fazer parte do dia a dia“, reforça.

O papel a medicina integrativa no emagrecimento

A Medicina Integrativa considera o paciente por inteiro, incluindo a saúde física, mental e emocional. A prática utiliza diversas abordagens terapêuticas e áreas para alcançar o objetivo desejado, seja ele a cura de alguma doença ou outras condições e necessidades, como o emagrecimento. O objetivo é proporcionar assistência completa e personalizada para o bem-estar do paciente.

Tradicionalmente, o primeiro profissional a surgir na mente de quem está tentando emagrecer é o nutricionista. No entanto, um time integrado de profissionais da saúde pode garantir um emagrecimento seguro e saudável, uma vez que o trabalho conjunto consegue identificar as causas do sobrepeso e oferecer orientações de como personalizar a alimentação e uma rotina de exercícios físicos indicados para cada corpo.

A obesidade representa um dos mais sérios desafios para a saúde global atualmente. Segundo projeções da Organização Mundial da Saúde, até 2025, a estimativa é de que 2,3 bilhões de adultos estejam lutando contra o excesso de peso.

No contexto brasileiro, dados do Mapa da Obesidade da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) apontam que 55,4% da população do país enfrenta problemas de excesso de peso, sendo que a prevalência é mais acentuada entre as mulheres.

Em relação à obesidade, 19,8% da população possui um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, colocando o Brasil entre os países com as taxas mais preocupantes de obesidade em todo o mundo.

As especialidades que não podem faltar na busca por emagrecimento saudável

Na visão da Medicina Integrativa, A integração de diversas especialidades pode assegurar uma perda de peso saudável, duradoura e eficaz, pois aborda todos os aspectos relacionados ao corpo e ao estilo de vida do paciente.

Esse enfoque permite a adaptação de estratégias práticas e realistas, tornando o processo mais viável no cotidiano do indivíduo, facilitando a busca por metas de emagrecimento.

Neste sentido, a médica endocrinologista Vera Lúcia Tavares Nakamura, do Hospital Nipo-Brasileiro, listou as principais especialidades que não podem faltar na sua agenda se estiver na busca de emagrecimento com responsabilidade:

Nutricionista

“O nutricionista realmente não pode faltar na lista de consultas quando se deseja emagrecer. O foco deste profissional estará na alimentação. Dessa forma, ele auxilia na elaboração de um plano alimentar adequado ao estilo de vida do paciente, considerando suas preferências alimentares, doenças de base e alterações metabólicas, escolhendo as  opções com menos calorias e mais adequadas para colaborar na sua perda de peso”, comenta a doutora.

Endocrinologista

“Além da alimentação, outros aspectos devem ser levados em consideração no emagrecimento. É nesse momento que entra o endocrinologista que irá avaliar a existência de alterações hormonais que possam estar causando obesidade ou dificultando a perda de peso. Também irá ajudar o nutricionista na confecção da dieta, levando-se em conta as doenças de base e alterações metabólicas como dislipidemias, diabetes e hipertensão arterial”, conta a médica.

Cirurgia Bariátrica

O especialista em cirurgia bariátrica do Hospital Nipo-Brasileiro, Marcelino Nakamura, explica que a bariátrica é reservada para pacientes com obesidade severa, com falência dos tratamentos conservadores, com índice de massa corporal (IMC) maior que 35 e comorbidades relacionadas, ou IMC maior que 40.

“Os procedimentos consistem basicamente na redução do estômago no sentido vertical ( gastrectomia vertical-sleeve), ou na separação do estômago em duas partes,uma menor com cerca de 30 a 50 ml que é emendada diretamente no intestino, sendo a maior parte restante excluída do trânsito alimentar (bypass gástrico). Estas alterações induzem a  perda de peso através de restrição mecânica e alterações hormonais que causam saciedade, além da redução do aproveitamento de parte dos nutrientes no caso do bypass”.

Salienta ainda que a cirurgia bariátrica é somente uma parte do processo que envolve reeducação alimentar e adoção de estilo de vida saudável e prática de atividades físicas.

Cardiologista

A especialista comenta: “Para emagrecer é necessário o estabelecimento de uma rotina de exercícios capazes de auxiliar na perda de peso. Com isso, muitos pacientes simplesmente iniciam uma academia ou a prática de esportes sem consultar um médico e, ao realizarem exercícios intensos sem avaliação prévia, poderão descompensar de uma doença cardíaca ainda não diagnosticada. Portanto, antes de começar os treinos, consulte um cardiologista que irá analisar a saúde do coração para indicar os exercícios mais adequados para cada paciente”

Educador físico

“Depois de liberado pelo cardiologista, é sempre bom fazer exercícios com orientação e acompanhamento de um educador físico, que irá determinar a intensidade e a sequência de exercícios mais adequados para perda de peso e aquisição de massa muscular, sem o risco de lesão por execução inadequada, que levaria à suspensão da atividade, com prejuízo ao programa  de emagrecimento”.

Psicólogo

“Por último, mas não menos importante é o psicólogo. Este profissional é indispensável no programa de emagrecimento, pois ele pode ser o especialista que irá descobrir a função da comida na vida do paciente e identificar os aspectos que interferem na alimentação. Por vezes, a comida funciona como uma válvula de escape e essa pode ser a causa do ganho de peso. Distúrbios alimentares, como compulsão alimentar, também podem estar envolvidos na gênese da obesidade. Por isso, ao entender todo o histórico, o profissional consegue desenvolver estratégias para a mudança de comportamento e, consequentemente, dos hábitos alimentares”, finaliza a doutora.

Palavra de Especialista

Qual é o papel do biomédico nas demandas hospitalares multiprofissionais?

Por Eurípedes Ribeiro Bonifácio Júnior*

Dia Internacional da Medicina Integrativa é comemorado em 23 de janeiro, destacando uma abordagem de cuidado que está se tornando cada vez mais reconhecida pela promoção de tratamentos eficazes e pelo atendimento humanizado. A medicina integrativa propõe uma parceria do médico e seu paciente para a manutenção da saúde, considerando o indivíduo em sua totalidade, especialmente dentro dos hospitais. Mas, qual é o papel do biomédico nesse contexto?

Na assistência à saúde, tanto privada quanto pública, os profissionais biomédicos vêm fortalecendo cada vez mais seu espaço nas atividades direcionadas às demandas multiprofissionais hospitalares. Essa participação, que acontece desde a entrada do paciente no serviço de saúde até sua alta hospitalar, promove um acompanhamento unificado junto aos outros especialistas que compõem a equipe multiprofissional, garantindo, assim, a segurança e a qualidade do atendimento prestado.

As análises clínicas são umas das principais atuações do biomédico nos atendimentos disponibilizados aos pacientes nos hospitais, mas sua participação em atividades que incluam o conhecimento ao prontuário, caso clínico do paciente, desdobramentos do atendimento e acesso ao diagnóstico permitem que melhores condutas sejam estabelecidas pela equipe médica e assistencial. Isso porque o profissional biomédico, em sua atribuição, correlaciona todos esses dados dos pacientes com os resultados laboratoriais obtidos, contribuindo, dessa forma, no esclarecimento dos diagnósticos e procedimentos a serem estabelecidos.

O biomédico, atualmente, conta com inúmeras habilitações para o desenvolvimento de suas atribuições. Logo, é importante destacar, tratando-se da atuação multiprofissional em hospitais, algumas direcionadas à gestão, imagenologia, análises clínicas e toxicológicas, banco de sangue, saúde pública e informática na saúde. No multiprofissionalismo, o papel do biomédico vai além de atividades técnicas realizadas nos laboratórios, já que, com o crescimento e reconhecimento alcançados pela classe, já é visível o exercício de biomédicos em cargos de gestão em hospitais – o que, antes, era uma realidade pouco conhecida.

Portanto, com o crescimento do espaço multiprofissional do biomédico, numerosos benefícios são conquistados pela categoria e grandes são as contribuições profissionais que são disponibilizadas às equipes de saúde, porque os biomédicos saem dos bastidores da realização dos exames laboratoriais e se tornam profissionais ativos na assistência à saúde com seu conhecimento técnico. Assim, nada mais justo do que valorizarmos cada vez mais a atuação desse profissional.

  • Eurípedes Ribeiro Bonifácio Júnior tem graduação em Biomedicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e especializações em Gestão em Saúde Multidisciplinar pelo Instituto de Pesquisa e Ensino Albert Einstein, Saúde Estética Interdisciplinar Avançada pela instituição INCURSOS, Análises Clínicas e Toxicológicas pela Universidade Estácio de Sá e Docência do Ensino Superior pela Faculdade Brasileira de Educação e Cultura (FABEC). Atualmente, trabalha como biomédico (CRBM 9318) e professor do curso de Biomedicina da Faculdade Una – que integra o Ecossistema Ânima –, em Catalão (GO).

Com Assessorias

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