O mercado ilegal dos medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” — sofreu duros golpes nesta semana. Em ações coordenadas de fiscalização e segurança, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagraram medidas rigorosas para conter a circulação de produtos falsificados, contrabandeados e manipulados fora das normas sanitárias.
A popularização de substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida gerou uma corrida por tratamentos de perda de peso, mas também abriu brechas para que redes criminosas passem a ofertar versões sem qualquer controle de qualidade.
Prisão no Rio e apreensão de lotes clandestinos
Na última segunda-feira (1º), a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação em Ramos, na Zona Norte, e em Vargem Pequena, na Zona Oeste. A ação resultou na prisão de um homem que utilizava aplicativos de mensagens e redes sociais para comercializar tirzepatida e retatrutida de forma contínua.
De acordo com as investigações, o suspeito anunciava os medicamentos de alto valor com promessas de “disponibilidade imediata”, mantendo estoques sem o devido armazenamento térmico exigido para compostos biológicos. Foram apreendidos computadores, documentos comerciais e medicamentos que ajudarão a mapear a rede de distribuição clandestina.
No dia seguinte, terça-feira (2), a Anvisa publicou a Resolução RE nº 2.238/2026, determinando a apreensão e proibição imediata de todos os lotes dos produtos Rapha (Tirzepatide/Pyroxidine), Tirzepatide There e Tirzemax. Os medicamentos, importados ilegalmente e de fabricantes desconhecidos, não possuem registro, notificação ou cadastro no Brasil.
Alerta de manipulação: Na mesma resolução, a agência suspendeu toda a fabricação de tirzepatida pela empresa Phito Medicamentos Injetáveis Ltda. Foi comprovada a venda de fórmulas manipuladas padronizadas (em larga escala) e sem a exigência de prescrição médica individualizada, o que descaracteriza a atividade de uma farmácia de manipulação legítima.
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O risco invisível das fórmulas sem registro
Medicamentos que atuam no receptor de GLP-1 e GIP exigem acompanhamento médico rigoroso devido ao risco de efeitos colaterais gastrointestinais, desidratação e contraindicações específicas. Quando adquiridos fora de canais farmacêuticos autorizados, o perigo se multiplica:
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Subdosagem ou ausência de princípio ativo: Análises laboratoriais recentes de canetas apreendidas em outros estados revelaram que muitos produtos continham apenas água com soro ou doses perigosas de insulina.
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Contaminação bacteriana: Fórmulas injetáveis clandestinas frequentemente pulam os testes de esterilidade, podendo causar graves infecções locais ou sistêmicas.
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Armazenamento inadequado: Esses peptídeos perdem a eficácia se não forem mantidos sob refrigeração estrita (entre 2°C e 8°C).
Para conferir o documento oficial na íntegra e verificar a lista completa de insumos suspensos, consulte a página oficial de consultas da Anvisa.
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Novas regras de fiscalização a caminho
O cerco tende a ficar ainda mais restrito. A diretoria colegiada da Anvisa já discute uma nova proposta de instrução normativa específica para a manipulação de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1.
A nova norma estabelecerá critérios técnicos rígidos sobre a importação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), qualificação de fornecedores estrangeiros, ensaios de controle de qualidade e validação de estabilidade e transporte. O objetivo é criar um plano de ação robusto para blindar o consumidor e sufocar o comércio ilegal de versões adulteradas que se aproveitam do apelo estético para lucrar na ilegalidade.
Guia de segurança para o consumidor
Para evitar cair em golpes que colocam a vida em risco, o setor de vigilância sanitária orienta seguir passos claros antes de adquirir qualquer tratamento injetável para o sobrepeso:
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Exija a receita médica: Nenhum estabelecimento legítimo vende semaglutida ou tirzepatida sem a retenção da receita.
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Desconfie de canais informais: Grupos de WhatsApp, Telegram e perfis de Instagram que prometem “entrega imediata sem burocracia” operam no mercado ilegal.
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Verifique o registro e o lacre: O medicamento original traz o número de registro da Anvisa na embalagem, além de travas físicas de segurança e numeração de lote rastreável diretamente com o laboratório fabricante.
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Com informações da Agência Brasil e assessorias







