A força-tarefa federal para combate ao comércio ilegal de medicamentos para emagrecer já retirou 1,3 milhão de injetáveis de circulação em 2026. Entre janeiro e abril, o rigor fiscal resultou na interdição de 8 dos 26 estabelecimentos inspecionados (entre farmácias de manipulação e importadoras).
O endurecimento das ações ocorre em meio a dados preocupantes. Das quase 3 mil notificações de efeitos adversos de medicamentos GLP-1 (como Ozempic e Wegovy) registradas desde 2018, metade concentrou-se apenas em 2025. AAgência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) monitora agora desfechos graves, incluindo óbitos suspeitos, que podem estar ligados ao uso de produtos piratas ou à automedicação sem critério.
Nas operações, as autoridades encontraram até a Retatrutida, substância que ainda sequer foi lançada oficialmente em qualquer lugar do mundo. No último dia 7, as autoridades identificaram a circulação da Retatrutida em três estados brasileiros. A substância é considerada “fantasma” pelos reguladores, pois ainda não foi lançada oficialmente nem possui registro em nenhuma agência sanitária do mundo.
Nova ofensiva no Piauí
A ofensiva ganhou um novo capítulo na manhã desta terça-feira (12/05). A Polícia Federal deflagrou a Operação Falso Clique, em Teresina (PI), para desarticular uma rede que utilizava as redes sociais para vender produtos contrabandeados e sem registro sanitário. A ação revelou um cenário alarmante: medicamentos injetáveis de alta complexidade eram estocados em residências particulares, sem qualquer observância das normas de refrigeração, o que anula a eficácia do produto e pode torná-lo tóxico.
Esta nova ofensiva no Piauí soma-se ao esforço conjunto da Anvisa e da PF, que entrou em uma nova fase técnica e policial. Na semana passada, os órgãos publicaram uma nota técnica conjunta para oficializar a perícia laboratorial de todos os injetáveis apreendidos no país. O objetivo é mapear as substâncias químicas estão sendo realmente injetadas pela população e fortalecer inquéritos que já investigam crimes de contrabando, falsificação e lavagem de dinheiro.
‘Lista negra’: Ozempic Power, Mounjmax e novos alvos
Somente nos últimos cinco dias, a Anvisa proibiu a venda de diversas marcas “fantasmas” que tentam mimetizar os medicamentos originais com nomes que tentam confundir o consumidor. Nesta segunda-feira (11/05), a Anvisa determinou a apreensão imediata de novos produtos que circulavam ilegalmente Estão proibidos em todo o território nacional:
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Ozempic Power
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Mounjmax
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Maxtwo + 3D Slim
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Maxtwo Detox
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Slimex (tirzepatida) MD e Slimex (proibidos em 07/05)
Esses itens são fabricados por empresas desconhecidas, não possuem registro sanitário e eram vendidos livremente pela internet. Além destes, dois lotes específicos do medicamento Mounjaro Kwikpen (D830169 e D830169D) foram interditados por apresentarem rotulagem apenas em inglês e transporte em condições inadequadas, o que compromete a segurança biológica do conteúdo.
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Como identificar o perigo
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Armazenamento: Se o vendedor não mantém o produto sob refrigeração constante (entre 2°C e 8°C), o medicamento é inútil ou perigoso.
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Nomes fantasiosos: Desconfie de qualquer produto com termos como “Power”, “Slim”, “Max” ou “Detox” no nome.
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Venda em redes sociais: A comercialização de medicamentos de prescrição por perfis de Instagram ou grupos de WhatsApp é crime e indica procedência ilícita.
Como se proteger
A Anvisa e as autoridades policiais reforçam que a segurança do paciente depende de três pilares:
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Prescrição médica: Nunca use medicamentos GLP-1 para fins estéticos sem acompanhamento.
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Local de compra: Somente farmácias autorizadas podem vender esses produtos.
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Identificação: Fuja de nomes como “Power”, “Max” ou “Detox” acoplados a marcas famosas. São sinais claros de falsificação.
Atualização científica: Wegovy recebe nova dosagem
Enquanto combate a pirataria, a Anvisa também atualiza as diretrizes para os medicamentos legítimos. No dia 4 de maio, foi aprovada uma mudança na posologia do Wegovy (semaglutida).
Agora, em casos excepcionais de obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) onde não houve resposta clínica com a dose padrão de 2,4 mg, médicos poderão prescrever uma dose de manutenção de até 7,2 mg por semana. A Agência alerta, porém, que essa dosagem maior aumentou casos de disestesia (alterações de sensibilidade na pele), exigindo monitoramento rigoroso.
Fontes Oficiais e links:





