Depois de dias marcados por calor intenso em pleno outono, moradores de boa parte do país começaram a sentir uma brusca mudança no clima. A chegada de uma frente fria que avançou sobre estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais provocou queda acentuada nas temperaturas, trazendo uma sensação mais típica da estação.
Apesar de o inverno de 2026 ter previsão de ser mais quente que a média, essas quedas pontuais impactam diretamente a saúde da população. Entre os principais fatores de risco estão a redução da hidratação, a permanência em ambientes fechados, o uso prolongado de roupas abafadas e o impacto do frio sobre o sistema cardiovascular.
Hidratação e saúde urinária no clima frio
Segundo o urologista Sérgio Souza, o frio faz com que muitas pessoas reduzam o consumo de água sem perceber, o que favorece infecções urinárias e complicações renais. “Muitas pessoas subestimam os sintomas iniciais e acabam retardando o tratamento. Isso pode levar à progressão da infecção e até complicações mais sérias, como a pielonefrite”, alerta.
Medidas simples como hidratação adequada, higiene íntima correta, urinar após relações sexuais e não segurar a urina por longos períodos fazem grande diferença. Além disso, o uso frequente de roupas apertadas e tecidos sintéticos aumenta casos de candidíase. “O ideal é priorizar tecidos leves sempre que possível e evitar permanecer longos períodos com roupas úmidas ou muito justas”, explica o ginecologista César Patez.
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Doenças respiratórias e o sistema imunológico
As doenças respiratórias aumentam significativamente durante as ondas de frio. “A dor no corpo é um sinal clássico da gripe e está relacionada à resposta inflamatória mais intensa do organismo”, explica a otorrinolaringologista Renata Mori. A especialista reforça a importância do diagnóstico precoce para iniciar a medicação contra Influenza, se necessário, nas primeiras 48 horas.
A médica Brianna Nicoletti observa que a sazonalidade das infecções está cada vez menos definida. “Hoje, observamos casos ao longo de todo o ano. Mudanças climáticas e ambientes fechados contribuem para a disseminação contínua dos vírus. O paciente precisa entender que o cuidado não pode ser sazonal, ele deve ser constante”, afirma.
Além das gripes, a queda de temperatura pode agravar as amigdalites de repetição. Segundo Renata Mori, episódios frequentes podem indicar um comprometimento da função imunológica local das amígdalas, muitas vezes associado a alergias e respiração bucal.
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Impactos na pele e no coração
O clima seco e os banhos muito quentes prejudicam a barreira natural da pele. “No frio, a pele precisa de reposição lipídica e não apenas de água. Hidratantes mais potentes ajudam a restaurar a barreira cutânea e evitar o ressecamento”, afirma o dermatologista Gustavo Saczk.
No campo cardiovascular, o alerta vai especialmente para idosos e portadores de doenças crônicas. Durante temperaturas baixas, o corpo contrai os vasos sanguíneos para conservar calor, elevando a pressão arterial. “Isso ajuda a explicar por que infartos, AVCs e crises hipertensivas tendem a aumentar no inverno”, alerta o cardiologista Vitor Bruno Teixeira de Holanda.
Os sinais de alerta incluem dor no peito, falta de ar, palpitações e tontura. O especialista lembra ainda que o sedentarismo e o consumo de alimentos mais calóricos no frio agravam esses riscos.
Prevenção é o melhor caminho
Diante da previsão de continuidade da queda de temperatura, o alerta dos especialistas é claro: pequenas oscilações climáticas já são suficientes para impactar o organismo. Mais do que reagir ao frio, o ideal é antecipar os cuidados, mantendo a vacinação em dia e hábitos saudáveis de forma contínua, independentemente da estação.
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Com informações de assessorias




