Depois de dias marcados por calor intenso em pleno outono, moradores de boa parte do país começaram a sentir uma brusca mudança no clima. A chegada de uma frente fria que avançou sobre estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais provocou queda acentuada nas temperaturas, trazendo uma sensação mais típica da estação.
Apesar de o inverno de 2026 ter previsão de ser mais quente que a média, essas quedas pontuais impactam diretamente a saúde da população. As constantes instabilidades de temperatura não são apenas um desconforto térmico; elas reduzem atividades fisiológicas de defesa do organismo. Entre os principais fatores de risco estão a redução da hidratação, a permanência em ambientes fechados, o uso prolongado de roupas abafadas e o impacto do frio sobre o sistema cardiovascular.
Clima instável reduz defesas do corpo e agrava crises respiratórias
Especialistas alertam para a importância da hidratação e da lavagem nasal para proteger as vias aéreas
Segundo o otorrinolaringologista Luciano Gregório, diretor da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o clima instável cria uma “abertura” nas barreiras naturais do corpo, permitindo que patógenos virais infectem o nariz com mais facilidade.
Para quem sofre de rinite não alérgica, o cenário é ainda mais desafiador. Mudanças bruscas de temperatura, além de odores fortes como fumaça e perfumes, podem causar o entupimento imediato do nariz devido à alteração de impulsos nervosos e da fisiologia nasal.
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O perigo dos ambientes fechados e do ar seco
Em dias frios, a tendência de manter ambientes fechados e o uso de aquecedores tornam o ar mais seco, aumentando a frequência de casos de rinite e sinusite (inflamação dos seios da face).
O médico Bruno Borges de Carvalho Barros ressalta que, com a queda de temperatura, o nariz perde parte da sua capacidade de aquecer e umidificar o ar inspirado. Isso prejudica a defesa natural do sistema respiratório, abrindo espaço para gripes, resfriados e laringites, que podem evoluir para quadros graves em pessoas com imunidade baixa.
Atenção redobrada aos grupos de risco
Crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), devem ter vigilância constante. A recomendação é evitar aglomerações em locais pouco ventilados, onde a circulação de vírus é maior, e manter uma rotina de sono e alimentação equilibrada para fortalecer o sistema imunológico.
“A qualquer sinal de piora, como tosse persistente, chiado no peito ou febre, é fundamental procurar assistência médica”, reforça o Dr. Bruno Barros.
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Hidratação e saúde urinária no clima frio
Segundo o urologista Sérgio Souza, o frio faz com que muitas pessoas reduzam o consumo de água sem perceber, o que favorece infecções urinárias e complicações renais. “Muitas pessoas subestimam os sintomas iniciais e acabam retardando o tratamento. Isso pode levar à progressão da infecção e até complicações mais sérias, como a pielonefrite”, alerta.
Medidas simples como hidratação adequada, higiene íntima correta, urinar após relações sexuais e não segurar a urina por longos períodos fazem grande diferença. Além disso, o uso frequente de roupas apertadas e tecidos sintéticos aumenta casos de candidíase. “O ideal é priorizar tecidos leves sempre que possível e evitar permanecer longos períodos com roupas úmidas ou muito justas”, explica o ginecologista César Patez.
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Doenças respiratórias e o sistema imunológico
As doenças respiratórias aumentam significativamente durante as ondas de frio. “A dor no corpo é um sinal clássico da gripe e está relacionada à resposta inflamatória mais intensa do organismo”, explica a otorrinolaringologista Renata Mori. A especialista reforça a importância do diagnóstico precoce para iniciar a medicação contra Influenza, se necessário, nas primeiras 48 horas.
A médica Brianna Nicoletti observa que a sazonalidade das infecções está cada vez menos definida. “Hoje, observamos casos ao longo de todo o ano. Mudanças climáticas e ambientes fechados contribuem para a disseminação contínua dos vírus. O paciente precisa entender que o cuidado não pode ser sazonal, ele deve ser constante”, afirma.
Além das gripes, a queda de temperatura pode agravar as amigdalites de repetição. Segundo Renata Mori, episódios frequentes podem indicar um comprometimento da função imunológica local das amígdalas, muitas vezes associado a alergias e respiração bucal.
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Impactos na pele e no coração
O clima seco e os banhos muito quentes prejudicam a barreira natural da pele. “No frio, a pele precisa de reposição lipídica e não apenas de água. Hidratantes mais potentes ajudam a restaurar a barreira cutânea e evitar o ressecamento”, afirma o dermatologista Gustavo Saczk.
No campo cardiovascular, o alerta vai especialmente para idosos e portadores de doenças crônicas. Durante temperaturas baixas, o corpo contrai os vasos sanguíneos para conservar calor, elevando a pressão arterial. “Isso ajuda a explicar por que infartos, AVCs e crises hipertensivas tendem a aumentar no inverno”, alerta o cardiologista Vitor Bruno Teixeira de Holanda.
Os sinais de alerta incluem dor no peito, falta de ar, palpitações e tontura. O especialista lembra ainda que o sedentarismo e o consumo de alimentos mais calóricos no frio agravam esses riscos.
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Prevenção é o melhor caminho: estratégias essenciais para a saúde respiratória
Diante da previsão de continuidade da queda de temperatura, o alerta dos especialistas é claro: pequenas oscilações climáticas já são suficientes para impactar o organismo. Mais do que reagir ao frio, o ideal é antecipar os cuidados, mantendo a vacinação em dia e hábitos saudáveis de forma contínua, independentemente da estação.
Para enfrentar esses períodos de transição climática, os especialistas recomendam medidas práticas de cuidado diário:
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Hidratação interna: Beber água é fundamental. A desidratação corporal impacta diretamente a saúde e a umidade da mucosa nasal.
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Lavagem nasal: Utilizar soro fisiológico (cloreto de sódio 0,9%) de uma a quatro vezes ao dia. O uso de seringas ou garrafinhas de compressão ajuda a remover alérgenos, poeira e fluidificar a secreção.
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Géis de hidratação: Para ambientes de ar extremamente seco (como aviões ou locais com ar-condicionado forte), o uso de géis específicos de hidratação nasal ajuda a manter a integridade da narina.
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Umidificação do ambiente: Manter o ar úmido melhora o conforto respiratório, mas é preciso cuidado com o excesso, que pode favorecer o surgimento de mofo e ácaros.
Com informações de assessorias e Agência Brasil






