De enjoo à redução do crânio: médico esclarece dúvidas e alerta para riscos
O laboratório brasileiro EMS começou a vender esta semana as primeiras canetas injetáveis produzidas no país para tratar obesidade e diabetes tipo 2. Os lançamentos, Olire (obesidade) e Lirux (diabetes), usam liraglutida, análogo de GLP‑1, mesmo princípio ativo de marcas como Saxenda e Victoza. A estreia coloca no varejo uma opção “nacional” na economia dos GLP‑1 e deve pressionar preços: estimativas indicam doses a partir de R$ 307.
Com a chegada do Ozempic brasileiro — nomes comerciais Olire e Lirux, produzidos pela EMS e previstos para chegar ao mercado ainda em 2025 — o acesso deve se tornar ainda maior. Com o início da comercialização das primeiras canetas emagrecedoras produzidas no Brasil, os medicamentos à base de análogos de GLP-1 voltaram ao centro do debate público. Com o medicamento mais acessível, profissionais se preocupam com seu uso indiscriminado, que pode trazer consequências negativas em alguns casos, principalmente para mulheres.
Esses fármacos, que já incluem opções amplamente conhecidas como Ozempic, Saxenda, Wegovy, Mounjaro e Victoza, ganharam popularidade no combate à obesidade. Agora, com a entrada das versões nacionais no mercado, o tema reacende discussões sobre acesso, regulação e, principalmente, o uso consciente e criterioso dessas substâncias.
O que muda na luta contra a obesidade?
Médica especialista analisa impactos clínicos, acesso e os cuidados necessários com a nova medicação produzida no Brasil
Com a chegada ao mercado da primeira caneta farmacêutica brasileira para emagrecimento, o país inicia um novo capítulo na abordagem do sobrepeso e da obesidade. Desenvolvida nacionalmente, a nova opção promete ampliar o acesso ao tratamento medicamentoso e reacende o debate sobre a medicalização da perda de peso.
Mas o que essa novidade representa, na prática, para os pacientes? Quais são as diferenças em relação a medicamentos já consagrados, como a semaglutida e a liraglutida, que revolucionaram o mercado nos últimos anos?
Para responder essas e outras dúvidas, ouvimos a cardiologista Priscila Sobral, especialista em longevidade e referência no tratamento metabólico de pacientes com obesidade.
Segundo a médica, o lançamento da caneta brasileira é um marco relevante tanto do ponto de vista clínico quanto social.
Não apenas por ser uma produção nacional, o que pode facilitar o acesso, mas porque amplia o debate sobre a obesidade como uma doença crônica e multifatorial, que exige acompanhamento individualizado e responsável”, destaca.
Eficácia e acesso
Em relação à eficácia, Dra. Priscila esclarece que os estudos clínicos iniciais indicam resultados promissores, embora seja necessário acompanhar a aplicação na prática para comparação direta com as opções internacionais.
Ela também alerta que o preço mais acessível, um dos pontos positivos do novo medicamento, deve vir acompanhado de critérios médicos rigorosos para a prescrição.
“É importante lembrar que essa medicação não é indicada para qualquer pessoa que deseje emagrecer. Ela faz parte de um protocolo médico que considera histórico clínico, comorbidades e metas terapêuticas individuais”, explica.
Um recurso, não um milagre
A médica reforça que o tratamento com canetas injetáveis, como a nova opção brasileira, pode ser uma ferramenta útil no processo de emagrecimento, mas nunca deve ser encarado como solução mágica.
“Não é só aplicar uma injeção e esperar resultados. A mudança de estilo de vida, o controle de exames e o suporte profissional continuam sendo fundamentais para um emagrecimento saudável e duradouro”, afirma.
O que esperar daqui pra frente?
A chegada de uma alternativa nacional pode, de fato, tornar o tratamento mais acessível a uma parcela maior da população. No entanto, especialistas como a Dra. Priscila Sobral chamam a atenção para a necessidade de informação de qualidade e de uma abordagem ética no uso do medicamento.
Ela destaca ainda que embora seja um marco, a substância da caneta produzida no Brasil ainda não apresenta a mesma eficácia clínica da semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e também da tirzepatida, que vem se consolidando como uma das mais potentes no tratamento da obesidade e da resistência insulínica.
O maior risco que vejo hoje é a banalização do uso dessas canetas, como se fossem soluções mágicas. Medicamentos para obesidade devem ser prescritos com base em critérios clínicos, acompanhados de exames, mudanças de estilo de vida e reeducação alimentar.”, conclui.




