A influenciadora Maíra Cardi, de 43 anos, compartilhou um momento de grande preocupação com seus seguidores ao relatar a internação de sua filha mais nova, Eloah, de apenas seis meses. A bebê foi hospitalizada em uma unidade de saúde nos Estados Unidos após ser diagnosticada com bronquiolite, uma inflamação dos bronquíolos que é particularmente delicada em bebês tão pequenos.
Em suas redes sociais, Maíra pediu correntes de oração e destacou a angústia de acompanhar o tratamento hospitalar da filha. “Estamos no hospital, longe da nossa casa e do nosso Brasil! Longe dos nossos médicos de confiança, da nossa língua e de tudo que precisamos para nos sentir seguras!”, escreveu.
Eloah, que é fruto da união com o empresário Thiago Nigro (o “Primo Rico”), apresentava sintomas que inicialmente pareciam um resfriado, mas que evoluíram para o quadro de bronquiolite. Em seus perfis, Maíra pediu orações aos seguidores e descreveu o momento difícil: “O coração fica apertadinho”, revelou ao mostrar a filha sob cuidados hospitalares.
A doença foi confirmada através de exames laboratoriais. O caso acendeu um alerta para pais e responsáveis também no Brasil para o avanço da bronquiolite, já que a doença, frequentemente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), é a principal causa de hospitalização em bebês e crianças pequenas nesta época do ano.
Por que os casos aumentam agora?
Dados preocupantes do recente Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado no último dia 16 de abril, revelam um aumento expressivo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 2 anos nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. O principal culpado é o VSR, responsável por elevar drasticamente as taxas de hospitalização infantil em abril de 2026.
A doença, frequentemente associada ao VSR, é uma das principais causas de hospitalização em bebês, especialmente durante o outono e inverno, quando as condições climáticas favorecem a propagação viral. Dados históricos indicam que entre 64% e 70% das internações por bronquiolite no Brasil ocorrem justamente entre o outono e o inverno. Os bebês menores de 1 ano são os mais vulneráveis às formas graves da doença.
As condições típicas desta época do ano, como o ar mais seco e a permanência prolongada em ambientes fechados, facilitam a transmissão. Nas crianças, esse impacto tende a ser mais significativo, pois o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e as vias respiratórias possuem características que favorecem infecções”, explica Patrícia Rolli, pediatra do Hospital Santa Catarina – Paulista.
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Do resfriado à dificuldade respiratória
A bronquiolite geralmente começa de forma sutil, com sintomas de um resfriado comum, como coriza e febre baixa. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente entre o terceiro e o quinto dia. Segundo a Dra. Patrícia, o pico da doença costuma ocorrer entre o quinto e o sétimo dia, momento em que pode ser necessária a internação.
Sinais de alerta para buscar ajuda imediata:
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Respiração rápida, acelerada ou com esforço;
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Chiado no peito;
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Dificuldade para mamar ou se alimentar;
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Sonolência excessiva ou apatia;
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Lábios ou unhas com coloração arroxeada.
O perigo da pneumonia secundária
Outra preocupação constante é a pneumonia, que pode surgir como complicação de quadros virais. A Dra. Simone Aguiar, também pediatra do Hospital Santa Catarina – Paulista, destaca que a febre persistente e a prostração são sinais cruciais. “A pneumonia pode se manifestar com esforço respiratório, como o ‘afundamento’ das costelas e o batimento das asas do nariz”, alerta a médica.
A vacinação contra a Influenza e a Vacina Pneumocócica Conjugada são as ferramentas mais eficazes para prevenir que infecções virais evoluam para pneumonias bacterianas graves.
Prevenção e novidades no SUS
Uma das grandes vitórias na saúde pública em 2026 é a consolidação de novas estratégias contra o VSR. Gestantes agora têm acesso à vacina que protege o bebê ainda no útero, uma medida que pode reduzir drasticamente o número de internações. Além disso, crianças prematuras contam com o anticorpo específico contra o vírus.
No dia a dia, cuidados simples permanecem fundamentais:
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Higiene: Lavar as mãos com frequência e usar soro fisiológico para lavagem nasal.
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Amamentação: Manter o aleitamento materno sempre que possível para fortalecer a imunidade.
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Ambiente: Manter locais ventilados e evitar a exposição ao fumaça de cigarro.
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Automedicação: Especialistas alertam que antibióticos, corticoides ou “bombinhas” não devem ser usados sem prescrição, pois a bronquiolite é viral e o uso indevido pode causar efeitos colaterais graves.
A abordagem integral da saúde, considerando a interação entre o ambiente e o bem-estar humano, é fundamental para compreender por que sazonalidades climáticas afetam tão diretamente a saúde pública infantil.







