O cenário das doenças respiratórias no Brasil apresenta uma mudança importante de foco neste mês de abril. O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (16/04), revela um aumento expressivo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 2 anos. O crescimento atinge quatro das cinco regiões do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
O principal vilão desta escalada é o vírus sincicial respiratório (VSR). De acordo com a pesquisadora Tatiana Portella, do Procc/Fiocruz, o VSR é um dos maiores responsáveis por internações nesta faixa etária e a causa número um de bronquiolite em bebês. Em contrapartida, o boletim traz um dado positivo: os casos graves por Covid-19 seguem em queda em todo o território nacional.
O mapa do VSR e da influenza A no Brasil
O avanço do VSR foi constatado em estados de todas as regiões em alerta, incluindo o Rio de Janeiro e Minas Gerais no Sudeste, além de Mato Grosso, Goiás e diversos estados do Nordeste e Norte. Ao todo, 14 estados e 14 capitais apresentam sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo.
Enquanto o VSR ataca os menores de 2 anos, a influenza A continua em expansão na região Centro-Sul e em partes do Norte e Nordeste, afetando principalmente crianças de até 4 anos e idosos. Nas últimas quatro semanas, a influenza A já responde por 40,8% dos óbitos confirmados por vírus respiratórios, consolidando-se como a principal causa de morte por SRAG no momento.
Prevenção: a importância da vacina para gestantes
Diante da alta de casos de VSR, as autoridades de saúde reforçam uma estratégia de proteção fundamental: a vacinação. Tatiana Portella destaca que é essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o VSR. “Essa medida é o que garante a transferência de anticorpos para o bebê, protegendo-o nos primeiros meses de vida”, explica.
Além disso, a campanha de vacinação contra a gripe segue sendo prioritária. Com a influenza A em alta e apresentando maior impacto na mortalidade de idosos (acima de 65 anos), a recomendação é que o público-alvo procure os postos de saúde o quanto antes.
Monitoramento 2026: números acumulados
Até o momento, o ano epidemiológico de 2026 já soma 37.244 notificações de SRAG. Entre os casos que testaram positivo para vírus nas últimas quatro semanas, o cenário de disputa entre os patógenos está assim dividido:
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Rinovírus: 33%
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Influenza A: 32,2%
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VSR: 26,3% (com crescimento acelerado)
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Sars-CoV-2 (Covid-19): 5,5%
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Especialistas alertam que o vírus pode ser mais letal que a gripe para o público 60+; doenças cardiovasculares e diabetes elevam o risco de complicações
Embora o imaginário popular associe o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) quase exclusivamente aos bebês e à bronquiolite, dados recentes do Ministério da Saúde e da Fiocruz acendem um alerta para outra ponta da pirâmide etária: os idosos. No segundo trimestre de 2026, a proporção de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo VSR saltou de 14% para quase 20%, mostrando que o vírus está circulando com força entre adultos.
O grande desafio, segundo pneumologistas, é que o risco para os mais velhos costuma ser subestimado. Enquanto crianças mantêm uma carga viral alta por mais tempo, facilitando o diagnóstico, em adultos o vírus torna-se mais difícil de detectar após 72 horas da infecção. Isso significa que muitos casos graves e óbitos em idosos podem estar ocorrendo sem que o agente causador seja identificado, sendo registrados apenas como “síndrome respiratória não especificada”.
O perigo das comorbidades e a “inflamação sistêmica”
Para quem tem mais de 60 anos, o VSR não ataca apenas os pulmões. Especialistas explicam que a infecção gera uma inflamação sistêmica no organismo, que pode desestabilizar doenças crônicas já existentes. O impacto é alarmante: um idoso infectado pelo VSR tem 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia e o dobro de risco de precisar de UTI ou intubação em comparação com a gripe comum (influenza).
Grupos que precisam de atenção redobrada:
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Cardiopatas: Mais de 60% dos casos graves de VSR ocorrem em pacientes com doenças cardiovasculares. A infecção pode gatilhar infartos, AVCs ou piorar quadros de insuficiência cardíaca.
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Diabéticos: A alta concentração de glicose no sangue favorece a replicação viral e torna o paciente mais suscetível a complicações graves.
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Pacientes com Doenças Respiratórias (Asma e DPOC): O vírus acelera a perda da função pulmonar. Uma internação por VSR pode aumentar em 70% a probabilidade de óbito desses pacientes em um período de até três anos após a alta.
Imunosenescência: o declínio natural das defesas
O envelhecimento traz consigo a imunosenescência, que é o declínio natural do sistema imunológico. No Brasil, onde muitos idosos convivem com doenças crônicas ou histórico de tabagismo, essa vulnerabilidade é acentuada. No primeiro trimestre de 2026, embora o número de casos confirmados em bebês tenha sido maior, a letalidade entre idosos mostrou-se proporcionalmente severa, reforçando que o vírus é um invasor perigoso para organismos com defesas reduzidas.
A principal barreira contra o agravamento, além dos cuidados básicos de higiene e ventilação, é a vacinação. Atualmente, as sociedades médicas recomendam a imunização contra o VSR para pessoas acima de 50 anos que possuam comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos. Embora a vacina para este público ainda não faça parte do Calendário Nacional de Vacinação do SUS, ela pode ser encontrada na rede privada.
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Além das gestantes, Anvisa amplia indicação de vacina para adultos e SUS reforça proteção para recém-nascidos com novos medicamentos
Com o avanço do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em 12 estados e no Distrito Federal, entender como se proteger e identificar os sinais de alerta tornou-se uma prioridade de saúde pública. Embora seja conhecido por causar resfriados comuns em adultos, o VSR é altamente contagioso e pode evoluir para quadros graves de bronquiolite e pneumonia, sendo uma das principais causas de internação em crianças menores de 2 anos.
O vírus é transmitido por gotículas respiratórias (tosse e espirros) e pelo contato com superfícies contaminadas. Como não existe um remédio específico para “matar” o vírus, o tratamento é baseado em suporte: hidratação, controle da febre e, em casos graves, oxigênio suplementar em ambiente hospitalar.
Avanços na imunização: de adultos a recém-nascidos
Uma das novidades mais recentes no combate ao vírus foi a decisão da Anvisa, nesta semana, de ampliar o uso da vacina Arexvy para adultos a partir dos 18 anos. Anteriormente restrita a idosos acima de 60 anos, a vacina (disponível na rede privada) agora protege uma faixa mais ampla de adultos com comorbidades, que possuem risco aumentado de complicações respiratórias.
Para os recém-nascidos, a proteção começa ainda no útero. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana. Ao tomar a dose única, a mãe transfere anticorpos para o bebê via placenta, garantindo imunidade nos primeiros seis meses de vida — o período de maior vulnerabilidade.
Proteção para bebês prematuros e grupos de risco
O SUS também está modernizando a proteção direta para bebês que nasceram prematuros ou com condições cardíacas e pulmonares. O antigo protocolo de múltiplas injeções mensais (palivizumabe) está sendo substituído pelo nirsevimabe. Este novo medicamento, que começou a ser oferecido para crianças nascidas a partir de fevereiro de 2026, requer apenas uma única dose para garantir proteção durante toda a temporada de maior circulação do vírus.
Sinais de alerta: quando procurar o médico?
Enquanto os sintomas leves se assemelham a um resfriado (coriza, febre baixa e tosse), os pais e cuidadores devem estar atentos aos sinais de gravidade:
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Respiração rápida ou esforço visível para respirar (as costelas “afundam”);
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Cianose: unhas, lábios ou pontas dos dedos arroxeados;
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Dificuldade para mamar ou perda de apetite;
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Irritabilidade extrema ou sonolência excessiva.
Manter os ambientes ventilados, lavar as mãos com frequência e evitar aglomerações com bebês são medidas de Saúde Única fundamentais para atravessar este período de sazonalidade.
Este novo complemento foca na população madura, detalhando por que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) não deve ser encarado apenas como uma “doença de criança”, especialmente para quem possui condições crônicas de saúde.
Estar atento a sintomas que vão além de um simples resfriado e buscar assistência médica precoce são passos fundamentais para evitar que o VSR comprometa a qualidade de vida na longevidade.
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