O início da semana traz um importante alívio para o sistema de vigilância sanitária nacional, embora as equipes médicas continuem operando em nível máximo de precaução. Nesta segunda-feira (1º), os exames laboratoriais descartaram oficialmente a presença do vírus ebola no paciente de 37 anos que estava isolado na capital paulista. No Rio de Janeiro, o monitoramento de um segundo caso suspeito também avança com diagnósticos apontando para outras patologias.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou na manhã desta segunda-feira (1º) que o teste molecular (PCR) deu negativo para ebola no homem de 37 anos, vindo da República Democrática do Congo, que estava internado em isolamento rigoroso.
O paciente, que chegou ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas em estado grave e precisou ser intubado devido a um quadro de desorientação e diarreia severa, testou positivo, na verdade, para meningite meningocócica. Ele segue recebendo o tratamento específico para a infecção bacteriana sob estritos protocolos de biossegurança.
Simultaneamente, o Ministério da Saúde acompanha a investigação de um segundo caso suspeito reportado no Rio de Janeiro. Um cidadão de nacionalidade belga, vindo de Uganda, buscou atendimento no bairro de Vila Isabel apresentando calafrios, tosse e diarreia.
Ele foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), onde os primeiros testes de saliva e urina descartaram o ebola e confirmaram que o paciente está com malária. A instituição aguarda o resultado definitivo da análise de sangue para encerrar oficialmente o protocolo de isolamento.
Risco de transmissão de ebola no Brasil é baixo
O Ministério da Saúde reitera que o risco de transmissão do ebola no Brasil e na América do Sul permanece muito baixo. “O país dispõe de protocolos de vigilância, assistência e resposta para a identificação, investigação e manejo oportuno de casos suspeitos”, diz a pasta em nota..
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, no dia 17 de julho de 2019, Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) por ebola na República Democrática do Congo, medida prevista no Regulamento Sanitário Internacional. Neste momento, a OMS considera o risco elevado apenas no país afetado e nos que fazem fronteira.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no surto atual de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda, são 18 mortes confirmadas em 134 casos confirmados, com uma taxa de 13% de mortalidade. Esse número está bem abaixo da média histórica. Outras 223 mortes e 906 casos estão em investigação. Há 15 dias, a OMS declarou surto de ebola nos dois países.
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Confusão de sintomas: saiba diferenciar o ebola de outras doenças
Mesmo assim, a simultaneidade desses casos acende o debate sobre a complexidade do diagnóstico clínico. Como os sintomas iniciais do ebola são inespecíficos, a doença pode ser facilmente confundida com outras patologias graves que também exigem isolamento ou tratamento imediato.
Veja as principais diferenças estruturais e de transmissão:
Ebola X Meningite Meningocócica
A grande diferença reside na origem do patógeno e na velocidade de agressão neurológica. Enquanto o ebola é uma infecção viral (família Filoviridae) transmitida estritamente pelo contato com fluidos corporais (sangue, vômito, saliva) de pessoas gravemente doentes, a meningite meningocócica é uma infecção bacteriana (Neisseria meningitidis).
A meningite ataca diretamente as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, provocando rigidez na nuca e confusão mental precoce, e sua transmissão ocorre por vias respiratórias (gotículas de saliva e tosse), diferentemente do ebola.
Ebola X Malária
A malária não é causada por vírus ou bactéria, mas sim por um protozoário (Plasmodium), transmitido pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Diferente do ebola, não há contágio direto de pessoa para pessoa através de fluidos corporais.
Clinicamente, a malária apresenta episódios marcantes e cíclicos de calafrios intensos seguidos de febre alta e sudorese, enquanto o ebola evolui rapidamente para o colapso gastrointestinal (vômitos e diarreia severa) e manifestações hemorrágicas.
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Com informações da Agência Brasil e da Fiocruz.




