O popular Teste do Pezinho é um exame de triagem neonatal capaz de identificar precocemente mais de 50 doenças graves que podem comprometer o desenvolvimento e até a vida da criança. Apesar de ser considerado um dos exames mais importantes para garantir o tratamento de doenças raras, o Teste do Pezinho ainda enfrenta sérios desafios no Brasil.

O cenário volta a ganhar visibilidade com o Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado anualmente em 6 de junho. A data foi instituída pela Lei nº 11.605/2007 e marca a criação do Já o dia internacional de conscientização sobre a triagem neonatal é celebrado em 28 de junho.  Por conta dessas duas efemérides, campanha é amplamente conhecida como “Junho Lilás”, dedicada à conscientização da triagem neonatal.

O teste padrão oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) inclui o rastreio de seis condições principais: Fenilcetonúria. Hipotireoidismo Congênito. Fibrose Cística. Anemia Falciforme e outras Hemoglobinopatias. Hiperplasia Adrenal Congênita e Deficiência de Biotinidase.

Em 2021, o Ministério da Saúde sancionou a Lei nº 14.154 que prevê a ampliação da triagem neonatal para incluir um número maior de enfermidades, contemplando, gradualmente, até 14 grupos de doenças no SUS. No entanto, a quantidade exata liberada pelo SUS varia em cada estado.

A Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM) afirma que, passados cinco anos, a lei permanece sem plena implementação. Criado há 25 anos, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) enfrenta críticas de famílias, sociedades médicas, especialistas e indústria farmacêutica pela falta de transparência e pela desigualdade na oferta do exame entre os estados brasileiros.

Embora o Teste do Pezinho tenha eficácia científica comprovada e seja considerado custo-efetivo, a realidade mostra grande heterogeneidade entre os estados quanto às doenças triadas. Ao menos cinco estados das regiões Norte e Nordeste enfrentam problemas graves na execução da triagem, incluindo atrasos e falhas no acompanhamento.

Enquanto alguns estados iniciaram a expansão de forma isolada, especialistas alertam para a falta de um planejamento nacional estruturado, o que gera desigualdade no acesso. “Essa disparidade compromete o objetivo central do exame: garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado para condições graves e potencialmente fatais”, afirma a SBTEIM, ao reforçar a necessidade de ações urgentes por parte do Ministério da Saúde e dos governos estaduais para fortalecer o programa.

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Conheça os principais desafios para o Teste do Pezinho

A SBTEIM, que organiza encontros com os Serviços Regionais de Triagem Neonatal (SRTNs) para coletar dados em tempo real, defende que o Ministério da Saúde deveria divulgar relatórios anuais sobre o programa. Porém, o órgão governamental publicou dados oficiais apenas até 2024, deixando um vazio sobre o cenário atual da triagem neonatal no país.

Além disso, destaca que a população deve se engajar e cobrar melhorias, incluindo a ampliação da lista de doenças rastreadas, prevista em lei, mas ainda não implementada de forma plena. Entre os principais desafios, Segundo a médica geneticista e presidente da SBTEIM, Carolina Fischinger, estão:

  • Coleta tardia – A cobertura não chega a 80% e a idade média da coleta da amostra neonatal também é tardia. “Os dados mostram a necessidade de um programa de educação continuada das gestantes sobre a importância de se submeter o bebê ao teste do pezinho, como também de fazê-lo na primeira semana de vida”, enfatiza ela.
  • Transporte e custo elevados – Um acordo feito na pandemia com os Correios para o transporte das amostras determina que as amostras sejam enviadas por Sedex para os laboratórios cadastrados no MS. Embora seja um meio de transporte eficiente e rápido, há que se lembrar o custo elevado deste transporte.
  • Falta de acesso ao tratamento – Em estados das regiões mais vulneráveis, muitas crianças não conseguem acessar todas as etapas previstas: desde a coleta adequada até a confirmação diagnóstica, o início oportuno do tratamento e o acompanhamento multidisciplinar contínuo.
  • Falta de insumos e medicamentos – Além das falhas estruturais, há também problemas recorrentes no fornecimento de insumos e medicamentos essenciais. Essa instabilidade compromete os benefícios conquistados com a detecção precoce, colocando em risco a saúde de milhares de bebês.

Especialistas alertam que o desafio não está apenas em ampliar o acesso ao Teste do Pezinho, mas em garantir que o exame seja acompanhado de tratamento e cuidado de longo prazo. Sem isso, o programa não cumpre plenamente seu papel de salvar vidas e promover equidade na saúde infantil.

Como é feito o Teste do Pezinho?

Também chamado de triagem neonatal, o Teste do Pezinho é considerado um dos exames mais importantes realizados em recém-nascidos. Ele tem como objetivo detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas, endócrinas e infecciosas que, se não identificadas a tempo, podem comprometer seriamente o desenvolvimento da criança.

O procedimento é simples: entre o terceiro e o quinto dia de vida, o bebê tem algumas gotas de sangue coletadas do calcanhar com uma pequena lanceta. Esse material é depositado em um papel filtro especial e encaminhado para análise laboratorial.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente o exame, que é obrigatório em todo o país. A triagem pode identificar condições como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.

A detecção precoce permite que o tratamento seja iniciado rapidamente, evitando complicações graves e garantindo melhor qualidade de vida. Em caso de alterações nos resultados, os profissionais de saúde entram em contato com os pais para dar início ao acompanhamento especializado.

Para saber exatamente quais doenças são testadas na sua região ou clínica, consulte a maternidade ou utilize o sistema de atendimento da Secretaria de Saúde local.

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Mitos e Verdades sobre o Teste do Pezinho

1. Teste do Pezinho é o mesmo que Carimbo Plantar?

Não, o teste do pezinho acontece com coleta de sangue no calcanhar do recém-nascido e com essa amostra de sangue são realizadas investigações laboratoriais, de acordo com as doenças disponíveis em seu estado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou em laboratórios privados de acordo com a prescrição do pediatra. Já o carimbo plantar (ou impressão plantar), tem como objetivo documentar no prontuário da maternidade, uma característica física única do recém-nascido para evitar trocas acidentais de bebês nos berçários.

2. Os resultados do Teste do Pezinho ficam prontos na hora?

Não, o teste do pezinho é preconizado pelo Ministério da Saúde que ele seja realizado em até cinco dias a partir da entrada no laboratório e, em casos suspeitos, a equipe de busca ativa deve entrar em contato imediatamente com município de origem para que sejam realizados exames confirmatórios. Trata-se de um exame de triagem.

3. Todo hospital faz o Teste do Pezinho?

Não, existem estados que a coleta é preconizada nas maternidades e hospitais gerais, porém a maioria dos estados utilizam a unidade básica de saúde para realizar a coleta.

4. Quanto se paga para fazer o Teste do Pezinho?

teste do pezinho é disponibilizado pela rede de saúde pública sem nenhum custo para os responsáveis pelo bebê, porém existem vários formatos disponíveis no sistema privado com valores variáveis de acordo com o número de exames solicitados pelo pediatra.

5. O Teste do Pezinho é obrigatório por lei?

Sim, o teste do pezinho é obrigatório por lei em todo território nacional. A obrigatoriedade está prevista na Lei N° 14.154 de 26 de maio de 2021, que alterou o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) para aperfeiçoar o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN).

6. O Teste do Pezinho é diferente para bebês prematuros?

Enquanto nos bebês nascidos a termo a triagem costuma se concentrar na coleta realizada entre 48 horas de vida e o 5º dia, nos prematuros são necessárias coletas adicionais e acompanhamento contínuo. Isso porque a imaturidade do organismo, o baixo peso, a alimentação ainda em adaptação, o uso de nutrição parenteral e transfusões de sangue podem interferir nos resultados e dificultar a identificação precoce de algumas doenças.

Por isso, a triagem em prematuros geralmente envolve uma sequência de coletas: a primeira entre 48 horas e o 5º dia de vida; a segunda entre o 7º e o 10º dia; a terceira aos 28 dias ou na alta hospitalar, o que ocorrer primeiro; e uma nova coleta por volta dos 120 dias, conforme protocolo e orientação médica. A ONG Prematuridade.com alerta que as recoletas são essenciais para garantir o diagnóstico precoce de doenças em bebês prematuros.

Para acompanhar diretrizes atualizadas, calendários e detalhes de cobertura dos exames, acesse a página oficial do Ministério da Saúde ou consulte os guias da Biblioteca Virtual em Saúde.
Com Assessorias
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