Outono-inverno: diferenças entre asma, bronquite e pneumonia

Do resfriado à pneumonia, médica conta quais são os indícios de que é preciso buscar ajuda médica para tratar doenças respiratórias

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

Falta um mês para a chegada oficial do inverno (21 de junho) e o friozinho parece que chegou para ficar. Com a chegada de dias mais frios neste outono, as doenças respiratórias tendem a surgir com maior frequência, devido às variações de temperatura e a queda da umidade relativa do ar.

A redução da umidade do ar abaixo de 30%, característica da época, aliada a condições de menor dispersão atmosférica de gases e de materiais particulados, concorrem para uma maior irritabilidade das vias aéreas, predispondo a quadros infecciosos.

Com os dias mais frios e o ar mais seco, a tendência é buscarmos cada vez mais ambientes fechados e aconchegantes. O grande problema é que esse tipo de ambiente é propício para a propagação de diferentes doenças típicas da estação.

Por isso, as autoridades de saúde recomendam redobrar os cuidados durante o outono, que teve início em 20 de março e segue até 21 de junho, estendendo as medidas durante todo o inverno, que vai até setembro, quando entra a primavera.

Entenda as principais doenças respiratórias e diferenças entre elas

Conhecer as causas e os sintomas dos principais problemas que atingem o sistema respiratório ajuda na prevenção e na realização do tratamento correto, especialmente durante a temporada mais fria do ano. Confira:

Asma

A asma atinge mais de 20 milhões de pessoas no país, segundo dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). A doença é caracterizada por espasmo da musculatura dos brônquios, que causa dificuldade de respirar, chiado e aperto no peito, respiração curta e rápida.

Os sintomas pioram de noite e nas primeiras horas da manhã ou em resposta à prática de exercícios físicos, à exposição a alérgenos, à poluição ambiental e às mudanças climáticas. Desta maneira, a asma é causada por fatores alérgicos ou irritativos na via respiratória.

A asma é caracterizada pela inflamação da região das vias aéreas entre a traqueia e os brônquios. Os principais sintomas são chiado ao respirar, falta de ar, tosse e aperto no peito.

Na forma mais grave, que acomete cerca de 5% dos pacientes de acordo com a Asbai, podem haver alterações permanentes dos pulmões, necessidade de uso de aparelho de ventilação ou, até mesmo, hospitalização.

A asma pode ser alérgica, se desencadeada por fatores como poeira, pólen e produtos químicos; ou não alérgica, quando a crise é associada a fatores climáticos, sintomas emocionais como o estresse, dentre outros.

Bronquite

Por vezes, a asma pode ser confundida com a bronquite, que é a inflamação dos brônquios e causa tosse com secreção, irritação da garganta, dificuldade de respirar e chiado no peito.

A bronquite pode ser aguda ou crônica. O primeiro tipo é ocasionado por infecção viral ou bacteriana, enquanto o segundo pode ser atrelado ao tabagismo, à poluição ou a processos alérgicos.

Pneumonia

Já a pneumonia tem origem infecciosa e pode ser causada por vírus, bactéria e fungos no pulmão e, também, reações alérgicas. O paciente costuma apresentar tosse, dor torácica, mal-estar e febre. Pode ocorrer tosse com expectoração.

  • Bronquiolite

  • A infecção viral dos bronquíolos tem início do quadro com leve resfriado, que progride após dois ou três dias com chiado no peito, tosse, fadiga respiratória, cianose e febre. A infecção apresenta graus variáveis de gravidade: de leve a severa, necessitando de internação em UTI. O principal causador é o vírus sincicial respiratório.
  • Gripe e resfriado

  • No resfriado, a pessoa apresenta coriza, espirros, obstrução nasal, dor de garganta, tosse e rouquidão. Já na influenza (popularmente conhecida como gripe) os sintomas dos resfriados são acompanhados de febre e são causados por vírus. Nos dois quadros, a duração leva de 3 a 7 dias. A influenza é uma doença muito comum nesta época do ano e, por esse motivo, a vacinação deve ser estimulada.

Rinite, sinusite e otite também atacam no frio

Na lista de doenças respiratórias que podem apresentar maior incidência ou agravamento durante o outono estão, ainda, a rinite, a sinusite e a otite. Cerca de 80% das pessoas que têm asma possuem, também, rinite.

Asbai alerta que “coceira frequente no nariz, céu da boca, olhos ou ouvidos, espirros seguidos, principalmente pela manhã e à noite, coriza clara e frequente e obstrução nasal fazem parte dos sinais da rinite”.

Há dois tipos da doença: alérgica, causada quando há exposição ao fator responsável pela alergia, e a não alérgica ou irritativa, que está relacionada ao sistema imunológico.

Já a sinusite é a infecção viral ou bacteriana dos seios da face. Ocorre quando há inflamação da região interna das maçãs do rosto e em torno do nariz por conta do acúmulo de muco. Em geral, é uma resposta a processos alérgicos ou infecciosos em que há a obstrução nasal, o que acarreta a retenção da secreção. Tosse,  são alguns dos sintomas.

Causa sempre obstrução nasal e secreção amarelada (critérios diagnósticos maiores). Alguns pacientes podem apresentar dores de cabeça, de garganta e nos dentes superiores, além de perda de olfato, tosse e febre.

  • A otite é a infecção bacteriana da orelha média. Causa dor de ouvido, altercação auditiva e febre. Em alguns pacientes pode ocorrer ruptura timpânica com saída de secreção.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

Por conta das semelhanças entre causas e sintomas, as doenças respiratórias ainda podem confundir os pacientes. Por isso, a orientação é buscar atendimento médico ao notar os primeiros sinais.

O diagnóstico correto é necessário para realizar o tratamento adequado e, assim, evitar o agravamento do quadro. Em geral, as doenças respiratórias são tratadas com medicamentos específicos para cada caso.

O diagnóstico dessas doenças pode ser feito por meio de tomografia computadorizada, exame que produz imagens transversais de partes internas do corpo, possibilitando uma avaliação de vários ângulos e com profundidade.

No caso da suspeita de sinusite, por exemplo, é indicada a tomografia computadorizada da face, que avalia as estruturas do rosto, como músculos, ossos e fossas nasais.

Algumas medidas podem contribuir para evitar a manifestação de doenças respiratórias. As autoridades de saúde recomendam manter uma alimentação equilibrada, hidratar-se, não fumar, lavar bem as mãos e manter os ambientes limpos e arejados.

Otorrino alerta: crianças são as mais vulneráveis

Maura Neves, médica da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), explica que as crianças, mais vulneráveis, são as mais acometidas por doenças respiratórias durante o outono-inverno. E quando a criança sofre com algum dos problemas acima, os pais entram em desespero. A médica orienta os pais sobre como agir:

Por que as doenças respiratórias são tão frequentes durante o outono-inverno?

Dra. Maura: Nessa estação ocorrem condições climáticas (seco e frio) que favorecem a proliferação de vírus. Além disso, há tendência das pessoas buscarem aglomerações ou mesmo locais fechados, o que favorece a transmissão desses agentes infecciosos – por contato interpessoal — mãos e partículas de secreções.

Elas sempre começam com alguma coriza, tosse ou espirro e febre?

Dra. Maura: Os quadros respiratórios de via aérea alta se iniciam desta maneira na maioria das vezes. A febre é frequente em quadros infecciosos e não está presente em quadros alérgicos. Coriza, tosse e espirro não ocorrem nas otites.

Crianças com alguma doença crônica ou alergia (como rinite ou asma) estão mais suscetíveis às doenças?

Dra. Maura: A presença de alergia ou doença crônica causa uma redução nas defesas do sistema respiratório. Isto facilita a entrada de um agente infeccioso.

Existe alguma faixa etária em que essas doenças podem ser mais preocupantes? Qual e por quê? Como agir nesses casos?

Dra. Maura: Crianças abaixo de 2 meses devem ser avaliadas de imediato. No geral, quanto menor a criança maior a potencial gravidade da infecção. Nestes casos um médico deve ser consultado.

Existe alguma idade em que é mais comum que as crianças fiquem doentes? Por quê?

Dra. Maura: Teoricamente, crianças entre 2 e 4 anos apresentam de 8 a 11 episódios de infecção viral ao ano. Isto decorre da imaturidade do sistema imunológico associado ao início de atividades sociais (escola etc). Atualmente, o ingresso precoce nas escolas facilitou o aumento da frequência destas infecções.

Quais as suas dicas de modo geral para fugir das doenças de outono-inverno?

Dra. Maura: Manter as vacinas em dia, alimentação saudável com aporte de legumes e frutas in natura, realizar o repouso com horas de sono adequadas, prática de exercícios físicos. Além disso, evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência e realizar lavagem nasal ao menos duas vezes ao dia.

É possível passar a temporada sem pegar nenhuma das doenças? Como?

Dra. Maura: SIM! Devem-se manter as vacinas em dia, alimentação saudável com aporte de legumes e frutas in natura, realizar o repouso com horas de sono adequadas, prática de exercícios físicos. Além disso, evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência e realizar lavagem nasal ao menos duas vezes ao dia.

A vacina faz toda a diferença, mas nem todas as famílias têm seguido à risca as vacinações das crianças. Qual a sua recomendação?

Dra. Maura: A recomendação é vacinar-se. Em todas as faixas etárias há vacinas que devem ser recebidas: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Sugiro atenção ao calendário vacinal dos postos de saúde. As vacinas são disponibilizadas gratuitamente no Brasil e são seguras. Quem se vacina ajuda a sua própria saúde (evitando infecções) e a do próximo (ao diminuir a transmissão de doenças). Casos de câncer, hepatite etc. ou gravidez devem ser avaliados individualmente. Nas crianças, atenção à idade: cada vacina tem indicação em uma determinada faixa etária.

Quando se deve procurar um médico?

Dra. Maura: Sugiro sempre procurar um profissional nos quadros infecciosos. Quadros alérgicos, já orientados em consulta, podem iniciar tratamento em casa. Caso ocorra agravamento ou prolongamento dos sintomas, além de presença de algum sinal não habitual, o paciente deve ser avaliado novamente.

Tem como cuidar da criança em casa (tratamentos e cuidados caseiros)?

Dra. Maura: Há cuidados gerais, como boa alimentação, lavar as mãos com água e sabão, além de lavagem nasal com solução salina que devem ser feitos de maneira rotineira para prevenção. A lavagem nasal pode ser intensificada no início dos sintomas dos quadros de via aérea alta para alivio sintomático.

Por que a automedicação pode ser perigosa?

Dra. Maura: O uso de medicações sem prescrição médica pode: causar efeitos colaterais ao uso da mesma; mascarar sintomas da infecção atual; medicamento pode ser usado sem necessidade (por não ser indicado no quadro).

Quando é necessária a visita ao pediatra?

Dra. Maura: O pediatra deve ser visitado de rotina para acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança e nos episódios de doenças agudas.

Com Assessorias

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!