Pneumonia: riscos aumentaram com Covid-19 e mudanças climáticas

Número de casos cresceu 45% em 2022. “Se não tratada corretamente, a pneumonia pode evoluir para quadro mais grave e fatal’, alerta médico

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Entre janeiro e agosto de 2022, o Brasil registrou 44.523 mortes por pneumonia. O número representa um crescimento de 45% em relação ao ano anterior, que formalizou 31.027 óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde.  O Sistema Único de Saúde (SUS) registra, anualmente, mais de 600 mil internações por Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) e Influenza. Os dados acendem um alerta para essa doença.

“Com a pandemia Covid-19 e as mudanças climáticas, os riscos aumentaram, deixando as pessoas mais suscetíveis a contrair pneumonia”, afirma Ronaldo Macedo, médico pneumologista do Vera Cruz Hospital. “É muito importante saber que, se não tratada corretamente, a pneumonia pode evoluir para um quadro mais grave e fatal”, ressalta.

As doenças pneumocócicas que, de  acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), acometem a cada ano cerca de 1,6 milhões de crianças abaixo de 5 anos, sendo responsável por 12 a 28 mil mortes anualmente. A pneumonia é a maior causa infecciosa de mortes de adultos e crianças – ceifando a vida de 2,5 milhões de pessoas em 2019, incluindo 672 mil crianças.

Levantamento do Every Breath Counts, parceria público-privada que apoia países de baixa e média renda, com o objetivo de reduzir mortes por pneumonia nos próximos anos, indica que, somente em 2019, a doença custou a vida de 2,5 milhões de pessoas. Entre elas, 672 mil crianças. Ou seja, mais de 20% das vítimas.

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) alerta que cada minuto que o paciente com pneumonia passa sem o antibiótico pode ser decisivo para a mortalidade. Portanto, é necessário orientar as pessoas a procurarem a emergência ao observar sintomas semelhantes aos de uma gripe forte que não sara.

“Atenção redobrada nos extremos de idade (idosos e crianças) que têm o sistema imunológico mais comprometido; pessoas com comorbidades e pacientes com imunodeficiências que fazem uso de corticoide em altas doses ou há muito tempo”, explica o médico.

O Dia Mundial da Pneumonia (12 de novembro) é uma data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para esclarecer a sociedade global dos riscos da doença com alta taxa de letalidade. A data foi criada em 2009 pela Stop Pneumonia Initiative, com o objetivo de promover a conscientização e reduzir as mortes causadas pela doença que atinge milhares de pessoas todos os anos. O aumento dos esforços para combater a pneumonia poderia evitar quase nove milhões de mortes de crianças por pneumonia e outras doenças importantes até 2030.

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Pneumonia tem diagnóstico confundido com outras doenças

pneumonia é uma doença inflamatória aguda que acomete os pulmões e pode ser provocada por bactérias, vírus, fungos ou pela inalação de produtos tóxicos. A doença pode ser transmitida pelo ar, saliva, secreções ou transfusão de sangue ou devido a mudanças bruscas de temperatura. Essas mudanças comprometem o funcionamento dos pelos do nariz, responsáveis pela filtragem do ar aspirado, o que acarreta uma maior exposição aos causadores da doença.

Entre os fatores de risco estão:

  • Fumo: provoca reação inflamatória que facilita a penetração de agentes infecciosos;
  • Álcool: interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório;
  • Ar-condicionado: deixa o ar muito seco, facilitando a infecção por vírus e bactérias;
  • Resfriados malcuidados;
  • Mudanças bruscas de temperatura.

Pode ser difícil o diagnóstico da pneumonia, pois geralmente ela apresenta sintomas semelhantes a outras doenças, como tosse com produção de expectoração, dificuldade em respirar ou falta de ar, dor no peito que piora com os movimentos respiratórios, mal-estar generalizado e febre. O diagnóstico é feito geralmente por exame clínico, auscultação dos pulmões e radiografias de tórax.

Doença afeta mais crianças e idosos

Outro alerta para a população são as faixas etárias mais sensíveis à doença: crianças menores de 5 nos, adultos com mais de 60 anos, portadores de doenças crônicas, deficiências no sistema imunológico, gestantes, profissionais de saúde, cuidadores de crianças, indígenas, população carcerária, tabagistas e pessoas com asma, independentemente da idade.

A pneumonia é a principal causa de morte de crianças com menos de 5 anos, além de ser uma causa significativa de morte em idosos. A enfermeira Stella Janaina de Araujo, especialista da franquia de cuidadores Amor e Cuidado, explicou algumas dúvidas sobre a doença:

– Quais os cuidados os idosos devem ter para não pegar pneumonia?   

  • Os idosos precisam manter uma boa ingesta hídrica, manter uma dieta equilibrada, além de evitar o uso do cigarro e a ingestão de bebidas alcoólicas, se tiver ar-condicionado manter limpo, umidificar o ar, manter as mãos limpas, evitar locais fechados e com aglomeração, é importante facilitar a ingestão de alimentos para os idosos que tiverem dificuldade de engolir, realizar as refeições sentados e manter a cabeceira elevada no caso de acamados.

    – Os cuidadores devem se atentar a quais sinais para identificar a doença?

    Os cuidadores devem se atentar aos sintomas de febre alta, falta de ar, tosse, presença de secreção de cor amarelada ou esverdeada, dor no tórax, alterações na pressão arterial, confusão mental, mal-estar generalizado, redução no apetite e fraqueza.

    – Por que a doença é comum nos idosos?

    Os idosos apresentam a imunidade naturalmente reduzida e a presença de outras comorbidades, o que reduz a capacidade do organismo combater a ação de agentes invasores, os tornando mais vulneráveis a doença.

    – Como prevenir a pneumonia em idosos?

    É importante se atentar as mudanças de temperatura, principalmente as baixas temperaturas que deixam a imunidade mais baixa e é porta de entrada para as doenças respiratórias, evitar aglomerações, principalmente em lugares fechados e com ar condicionado, realizar a higienização das mãos constantemente, se atentar para o risco de engasgo e aspiração, manter a vacinação em dia, principalmente a vacina pneumocócica que protege contra a pneumonia bacteriana e a da gripe, mesmo que as vacinas não previnam todos os casos de pneumonia, elas evitam casos mais graves, obter hábitos saudáveis, além de manter a higiene bucal, evitar o contato com pessoas gripadas e quando estiver gripado ou resfriado, seguir todas as orientações médicas.

    – Qual a importância da prevenção?                                                                                                                                                    A

  • A prevenção da pneumonia em idosos é importante, pois além de favorecer outras comorbidades, ter consequências sérias, a pneumonia tem uma alta taxa de letalidade em idosos, por isso é necessária uma atenção maior aos cuidados preventivos e recorrer ao serviço de saúde em casos de suspeita.

Tratamento inclui antibióticos e antivirais

Já o tratamento depende do micro-organismo causador da doença.  Na maior parte das vezes, quando a pneumonia é causada por vírus, o tratamento inclui apenas medicamentos para aliviar os sintomas, como febre e dor, podendo ser necessários medicamentos antivirais nas formas graves da doença.

Nas pneumonias bacterianas, devem-se usar antibióticos, que  tratam diferentes cepas de bactérias causadoras da doença. Nas pneumonias causadas por fungos, utilizam-se medicamentos específicos.

O que muitas pessoas não sabem, é que existem tratamentos específicos quando a doença é adquirida no hospital, que podem ocorrer devido a microaspiração de bactérias que se instalam na orofaringe e vias respiratórias em pacientes muito vulneráveis. Os antibióticos hospitalares exercem uma função essencial no combate a essa pneumonia, incluindo bactérias mais resistentes ao tratamento.

  • Vacinas disponíveis pelo SUS e pela rede privada

    De acordo com os especialistas em saúde, a prevenção hábitos sanitários ainda são as melhores maneiras de evitar a doença: lavar as mãos com frequência, não fumar, não usar bebidas alcoólicas, evitar aglomerações e se vacinar.

    A vacinação é uma das formas de prevenção da doença pneumocócica e, consequentemente, da pneumonia que pode ser causada pela evolução da infecção nos pulmões. Além da vacina da gripe há, ainda, a vacina anti-pneumocócica que previne as pneumonias causadas pela bactéria ‘pneumococo’.

    Atualmente, existem as versões das vacinas pneumocócicas que podem proteger contra 10, 13 e 23 sorotipos.  A versão contendo 10 sorotipos está disponível gratuitamente no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Já as versões 13 e 23-valente estão disponíveis gratuitamente apenas para populações especiais com deficiências de imunidade nos Centros de Imunobiológicos Especiais (CRIEs).

    Ainda, este ano, a MSD Brasil anunciou o lançamento no país da vacina pneumocócica 15-valente, para prevenção da Doença Pneumocócica, disponível para aplicação na rede privada.  O imunizante pode proteger contra 15 sorotipos causadores da doença, entre eles o 1, 3, 4, 5, 6A, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F, 22F, 23F, e 33F, que podem ser responsáveis pela maioria dos casos de DPI (Doença Pneumocócica Invasiva), ou seja, casos mais graves, que geralmente acometem crianças com menos de cinco anos de idade, idosos e adultos com comorbidades.

    Em 2022, os sorotipos 19A e 3 foram responsáveis por mais de 60% dos casos de DPI no país, em crianças menores de cinco anos. Existem cuidados adicionais a vacina para a prevenção à doença e ações diárias também podem ajudar as pessoas a se prevenirem, como manter as mãos higienizadas, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas e evitar aglomerações.

    A enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Kátia Oliveira, explica que a oferta dos imunizantes é fundamental para garantir a prevenção da população contra doenças perigosas, sendo importante que as pessoas entendam a diferença entre as vacinas para escolherem a que melhor se adequa às suas necessidades.

  • “A nova vacina Pneumo 15 é uma vacina pneumocócica conjugada que proporciona proteção contra 15 diferentes sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, também conhecida como pneumococo. Ela se destaca por sua eficácia, induzindo níveis mais elevados de anticorpos que demonstram maior eficácia na prevenção”.

  • Além disso, essa vacina contribui para amenizar os sintomas da pneumonia, reduzindo o risco de complicações graves. “Ou seja, é uma vacina mais completa que desempenha um papel crucial na prevenção da maioria dos casos de pneumonia (infecção nos pulmões), meningite (infecção das membranas que envolvem o cérebro) e otite (infecção aguda no ouvido) causados pelo pneumococo”, conta.

    Diferença entre Pneumo 15 e Pneumo 23

    Kátia explica que são duas diferenças fundamentais entre as vacinas, sendo a principal a quantidade de sorotipos de pneumococos que cada uma delas oferece.

  • “A Pneumo 15, assim como a pneumo 13, é uma vacina conjugada,  produzida a partir da conjugação do polissacarídeo da cápsula do pneumococo com uma proteína e que oferece uma produção de anticorpos mais efetivos. Já a Pneumo 23 é uma vacina polissacarídica, que, por exemplo, não deve ser aplicada em crianças menores de 2 anos, pois não há produção adequada de anticorpos abaixo desta idade”, conta a especialista.Outro ponto de diferença entre as vacinas são a quantidade de sorotipos da Streptococcus pneumoniae que cada uma oferece e a indicação de idade. A pneumo 15 protege de 15 diferentes sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae e é recomendada para crianças a partir dos 2 meses de idade.
  • Já a pneumo 23 contém 23 sorotipos de pneumococo, uma variedade maior de tipos em comparação à pneumo 15 e é recomendada para crianças acima dos 2 anos, adolescentes e adultos que apresentem alguma condição de saúde que aumente o risco para doenças causadas por essas bactérias.
  • “Também é recomendada para idosos acima dos 60 anos em condição de imunossupressão, asma grave ou diabetes, em que o risco de infecção pneumocócica é maior na população geral”, finaliza Katia.

  • Com Assessorias

 

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