A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou esta semana o lançamento de um Plano de Farmacovigilância Ativa para monitorar de forma sistemática os efeitos colaterais das chamadas “canetas emagrecedoras”. A medida representa uma mudança estratégica: em vez de apenas aguardar relatos voluntários, o órgão realizará um monitoramento proativo em parceria com estabelecimentos de saúde para identificar riscos associados aos medicamentos agonistas do receptor do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida.
O diretor da agência, Thiago Lopes Cardoso Campos, ressaltou que o entusiasmo com a inovação tecnológica não pode obscurecer os riscos à saúde. Entre 2018 e março de 2026, o Brasil registrou 2.965 notificações de eventos adversos relacionados a esses fármacos, com um aumento expressivo em 2025. Muitos desses casos estão ligados ao uso “off-label” — quando o medicamento é utilizado para fins não previstos na bula — e sem o devido acompanhamento médico.
Combate ao mercado ilegal e falsificações
Paralelamente ao monitoramento clínico, a Anvisa e a Polícia Federal (PF) publicaram uma nota técnica conjunta para intensificar o combate à venda ilegal desses produtos, inclusive em plataformas digitais. A cooperação visa frear a circulação de medicamentos falsificados ou manipulados sem garantia de origem, prática que configura crime previsto no artigo 273 do Código Penal.
Somente este ano, inspeções em farmácias de manipulação e importadoras resultaram em oito interdições e na apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades de injetáveis irregulares. Em operações recentes, como a Heavy Pen, foram identificadas substâncias ainda sem registro em nenhuma agência reguladora do mundo, como a retatrutida, e movimentações financeiras de quase R$ 5 milhões ligadas a produtos ilícitos.
A importância da vigilância integrada
A nova estratégia conta com o apoio da Rede Sentinela e da HU Brasil (antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), que reúne hospitais universitários em todo o país. O monitoramento na fase pós-comercialização é considerado essencial para detectar riscos raros ou tardios que só se manifestam no uso cotidiano da população, fora do ambiente controlado dos testes clínicos.
Segundo a diretoria da agência, a atuação regulatória precisa dialogar de forma estruturada com a fiscalização e a repressão criminal para ser efetiva. A iniciativa permanece aberta à adesão de outros hospitais que possuam capacidade técnica para qualificar as notificações e ampliar a segurança do paciente no uso desses medicamentos.
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