Estado do Rio investiga 43 casos suspeitos de ômicron

Rede de laboratórios particular informa estado sobre presença de variante em exames feitos em 9 municípios. Nilópolis confirma primeiro caso

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Um dia após divulgar que o risco de transmissão da Covid-19 é o mais baixo desde o início da pandemia, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES), por meio da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, informou que investiga 43 casos suspeitos da variante Ômicron em nove municípios do estado.
A maior parte dos casos suspeitos foi registrada na capital Rio de Janeiro (28), seguida das cidades de Angra dos Reis (4), Volta Redonda (3), Macaé (2), Niterói (2), Nilópolis (1), Cabo Frio (1), São Gonçalo (1) e Saquarema (1). O município de Nilópolis confirmou que o caso é realmente de ômicron.
Paralelamente, a SES já entrou em contato com as vigilâncias desses municípios para que possam realizar a investigação e acompanhamento dos pacientes e seus contatos diretos. Na Baixada Fluminense, a Prefeitura de Nilópolis confirmou neste domingo (26) o primeiro caso detectado da variante Ômicron.

Exames suspeitos vieram de rede privada

A SES informou que foi comunicada na sexta-feira (24) por uma rede de laboratórios privada (Dasa) sobre 43 exames de  RT-PCRs para CovidD-19 com indicativo da presença da variante Ômicron. As amostras foram coletadas entre os dias 1 e 20 de dezembro, empregando o kit Thermo Multiplex.
“A secretaria ressalta que não se trata de casos confirmados da variante Ômicron, uma vez que este tipo de análise empregada nos exames serve como método de triagem. As amostras serão sequenciadas pela Dasa e os resultados sairão nas próximas semanas”, informou a SES, em nota.
Para aqueles pacientes em que ainda for possível realizar PCR, equipes das vigilâncias municipais vão coletar o exame para encaminhar ao Laboratório Central de Saúde Publica Noel Nutels (Lacen RJ). Os casos positivos seguirão para sequenciamento  no laboratório de referência da Fiocruz.

Caso de Nilópolis é confirmado, diz município

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Nilópolis, uma paciente de 61 anos, que apresentou sintomas nesse mês de dezembro testou positivo para a nova variante. Ela foi acompanhada por 15 dias por profissionais da secretaria e já está negativada, ou seja, não transmite mais.

A mulher teve sintomas leves, foi monitorada e isolada por 15 dias, tendo repetido o exame de swab após esse período, com resultado negativo. Todas as pessoas que tiveram contato com a paciente também foram investigados e monitorados. Todos tiveram resultados negativos.

A pasta aproveitou para reforçar a importância de continuar evitando aglomerações, usando máscaras e se vacinar com as duas doses e com a dose de reforço. “Vale lembrar que esta semana, dia 29/12, iniciaremos a imunização com a quarta dose em pessoas imunossuprimidas. Esses cuidados são imprescindíveis neste momento”, alerta a pasta.

Taxa de positividade para Covid-19 passa de 1,93% para 5,60% na Dasa

Levantamento da Dasa identificou que a taxa de positividade para SARS-CoV-2 passou de 1,93%, em 14 de dezembro, para 5,60% em 22 de dezembro, com base nos exames realizados nas mais de 900 unidades ambulatoriais da rede espalhadas pelo Brasil.

O virologista da Dasa, José Eduardo Levi, reforça a importância das medidas não-farmacológicas amplamente conhecidas pela população e da imunização. “Uso de máscaras, higienização das mãos com frequência e evitar aglomeração ainda são os métodos mais eficientes para barrar a circulação dos vírus e o risco de contaminação, bem como estar em dia com o esquema vacinal, inclusive a dose de reforço”.

Terceira dose da Astrazeneca reforça anticorpos

Pesquisas da Fiocruz e Oxford apontam eficácia da vacina contra a variante ômicron (Foto: Peter Illiciev / Fiocruz)

Uma terceira dose da vacina AstraZeneca aumenta significativamente os níveis de anticorpos neutralizantes contra a variante Ômicron (B.1.1.529), indica um novo estudo realizado de forma independente, incluindo pesquisadores da Fiocruz e da Universidade de Oxford. Estes resultados foram publicados em forma de preprint na plataforma bioRxiv (Omicron-B.1.1.529 leads to widespread escape from neutralizing antibody responses) na quinta-feira (23/12).

Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação da Fiocruz, disse que a variante Ômicron é capaz de infectar pessoas com o esquema vacinal completo, assim como as que foram previamente infectadas por outras variantes.

“Os dados apresentados neste estudo mostram que a terceira dose é capaz de aumentar a presença de anticorpos neutralizantes contra Ômicron [foram aumentados em 2,7 vezes após a terceira dose da AstraZeneca], resgatando a capacidade de neutralização dos soros das pessoas vacinadas como observado em relação às outras variantes de preocupação após a segunda dose”, explicou.

Segundo ele, o soro obtido de indivíduos um mês após receberem a dose de reforço neutralizaram a variante Ômicron em níveis semelhantes aos observados para a neutralização das variantes Alfa e Delta depois da segunda dose. Para os pesquisadores da publicação, o resultado foi considerado encorajador pois mesmo frente a este novo desafio da nova variante foi possível obter resposta protetora.

Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de pessoas infectadas com a Covid-19; aquelas vacinadas com duas doses mais uma de reforço; e as que haviam reportado infecção prévia com outras variantes de preocupação. O estudo incluiu amostras de 41 indivíduos que receberam três doses da AstraZeneca. “Os anticorpos neutralizadores contra a Ômicron são reforçados após uma terceira dose da vacina, significando que a campanha para fornecer doses de reforço deve adicionar considerável proteção extra contra a infecção pela Ômicron”, destaca o estudo.

Dados de um outro estudo de laboratório (Broadly neutralizing antibodies overcome Sars-CoV-2 Omicron antigenic shift, encontrado no site biorxiv.org) reforçam o efeito da AstraZeneca contra a Ômicron. Neste caso os  indivíduos vacinados com as duas doses mantiveram ação neutralizadora contra a nova variante, embora com uma redução em comparação à cepa original. “A vacina  AstraZeneca/Fiocruz tem demonstrado ser capaz de induzir uma resposta diversificada e duradoura a múltiplas variantes”, concluem.

Com Assessorias da SES, Nilópolis e Dasa e Agência Fiocruz (atualizado em 26/12/21)

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