As lesões têm sido as maiores adversárias dos jogadores nesta Copa do Mundo da Fifa 2026. O torneio de tiro curto e altíssima intensidade física já acendeu o alerta em várias comissões técnicas: só na Seleção brasileira, nomes como Wesley, Raphinha, Paquetá e Casemiro já sofreram com problemas físicos. Fora do Brasil, casos como o de Ismaël Koné, do Canadá, reforçam como o limite dos atletas é testado ao extremo em competições desse nível.

Lesões musculares fazem parte da rotina de atletas de alto desempenho, sobretudo no futebol de elite, às vésperas ou durante grandes competições. O estudo “Incidência de lesões em jogadores de futebol”, publicado pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício do Esporte, indica que as 86,9% das lesões acontecem nas coxas, panturrilhas, virilha e tornozelos.

O que muita gente não sabe é que a pubalgia (ou dor no púbis) é um dos maiores pesadelos para os profissionais do futebol. A condição é considerada uma das principais causas de dor crônica na virilha entre atletas. não é incomum vermos jogadores de futebol saindo de campo com a mão em quadril e virilha. Em boa parte dos casos, isso pode ser indicativo de pubalgia, alteração no quadril que afeta até 19% dos jogadores de futebol.

E quando o tema é dor no quadril em geral, causada por outros problemas além da pubalgia, um estudo epidemiológico aponta que aproximadamente 55% dos atletas devem apresentar algum episódio de dor na região do quadril ou da virilha ao longo de um ano.

A pubalgia – condição caracterizada por dores na região do púbis e da virilha – é uma inflamação na região da sínfise púbica, geralmente causada por sobrecarga em movimentos de chutes, corridas de alta velocidade (sprints) e mudanças bruscas de direção. A dor ocorre por um desequilíbrio entre os músculos do abdômen (reto abdominal) e da parte interna da coxa (adutores).

A condição vem ganhando cada vez mais atenção no futebol profissional após afastar atletas de elite em temporadas recentes. A combinação entre excesso de jogos, movimentos explosivos e sobrecarga muscular elevou a incidência do problema no esporte de alto rendimento, além das abordagens mais modernas para diagnóstico, fisioterapia e retorno seguro aos gramados”, esclarece a equipe de ortopedia do Hcor.

Jogadores que já enfrentaram o problema em outras Copas

No ambiente de Copas do Mundo, a condição é uma preocupação constante. O tratamento envolve um trabalho de fisioterapia focado no fortalecimento do “core” e no reequilíbrio biomecânico do quadril. A recuperação da pubalgia exige tempo e trabalho multidisciplinar, afastando o atleta dos gramados por períodos que podem variar de semanas a meses.

Alguns exemplos de jogadores que enfrentaram o problema incluem

    • Nico Williams: O atacante espanhol conviveu com a pubalgia durante uma temporada desafiadora, chegando a relatar dores em atividades rotineiras antes de se recuperar para o Mundial.
    • Lamine Yamal: Outro destaque espanhol que sofreu com dores no púbis, chegando a ser cortado de convocações recentes devido ao problema.
    • Richarlison: O atacante brasileiro passou por uma cirurgia no púbis para tratar a condição, visando retomar sua melhor forma no mais alto nível.
    • Kaká: Jogou a Copa do Mundo de 2010 visivelmente limitado pelas dores e pelas limitações de movimento impostas pela pubalgia.

 

55% dos atletas apresentam dor no quadril ou virilha

Estudos internacionais  apontam que a pubalgia afeta entre 4% e 19% em jogadores profissionais de futebol, dependendo da modalidade e do nível de competição. Outro levantamento epidemiológico recente apontou que aproximadamente 55% dos atletas apresentam algum episódio de dor na região do quadril ou da virilha ao longo de um ano, evidenciando a relevância do problema para a medicina esportiva.

Além disso, pesquisas mostram que grande parte desses casos pode estar relacionada a alterações mecânicas do quadril, tornando o diagnóstico preciso fundamental para o sucesso do tratamento.A relação entre pubalgia e alterações do quadril tem sido cada vez mais documentada pela literatura científica. Um estudo com atletas portadores de dor púbica identificou sinais de impacto femoroacetabular em até 86% dos pacientes avaliados, demonstrando a forte conexão entre as duas condições.

Uma revisão científica publicada na revista Frontiers in Surgery mostrou que muitos atletas com pubalgia também apresentam alterações no quadril, especialmente o impacto femoroacetabular. Segundo os pesquisadores, quando o quadril perde parte de sua mobilidade, a região da virilha e do púbis passa a receber uma sobrecarga maior durante corridas, chutes e mudanças de direção, favorecendo o aparecimento da dor.

O médico ortopedista e cirurgião especialista em quadril, Thiago Fuchs, que observa um aumento na procura por atendimento de pacientes com dores persistentes na virilha, púbis e quadril.  Segundo o especialista, muitas pessoas passam meses ou até anos tratando apenas a musculatura da região sem identificar corretamente a verdadeira origem do problema.

Hoje se sabe que uma parcela importante dos casos de pubalgia está associada a alterações do quadril, especialmente o impacto femoroacetabular. Quando existe essa alteração mecânica, o organismo passa a compensar os movimentos, gerando sobrecarga nas estruturas da pelve, da virilha e da musculatura adutora e do reto abdominal”, explica Dr. Thiago Fuchs.

Além dos atletas profissionais, corredores, praticantes de beach tennis, tênis, artes marciais, cross training e esportes de quadra também figuram entre os grupos mais acometidos. Os sintomas geralmente começam de forma discreta, manifestando-se após treinos intensos, mas podem evoluir para dor durante corridas, mudanças de direção, chutes, saltos e até mesmo durante atividades cotidianas.

A dor na virilha não deve ser considerada normal, principalmente quando persiste por semanas ou meses. Quanto mais cedo identificamos a causa, maiores são as chances de evitar a progressão da lesão, preservar a articulação do quadril e devolver ao paciente uma vida ativa e sem limitações”, afirma Dr. Thiago Fuchs.

Tratamento pode envolver fisioterapia, exercícios e cirurgia

Quando o diagnóstico é realizado precocemente, o tratamento normalmente inclui fisioterapia especializada, fortalecimento muscular, exercícios de mobilidade e correção dos movimentos que provocam sobrecarga. Nos casos em que existe uma alteração estrutural do quadril, pode ser necessária uma abordagem cirúrgica.

A artroscopia do quadril, procedimento minimamente invasivo realizado por pequenas incisões, apresenta taxas de retorno ao esporte de aproximadamente 90%. Além do alívio da dor, os pacientes costumam recuperar movimentos, desempenho físico e qualidade de vida.

Os resultados são bastante positivos. Estudos mostram que a maioria dos atletas consegue retornar ao esporte após a correção das alterações do quadril. A melhora da mobilidade da articulação reduz a sobrecarga na região do púbis e contribui para o desaparecimento da dor.

Para prevenir o problema, Dr. Thiago Fuchs recomenda fortalecimento adequado da musculatura do CORE e do quadril, treinamento de mobilidade, correção de desequilíbrios musculares e avaliação especializada sempre que houver dor persistente na região da virilha ou do quadril.

Hoje dispomos de recursos diagnósticos avançados e tratamentos altamente eficazes. O mais importante é não normalizar a dor e procurar ajuda especializada o quanto antes”, conclui.

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As principais ocorrências que afastam os craques dos gramados

Para ajudar a contextualizar o que acontece nos bastidores médicos do futebol de alto rendimento, ortopedistas, especialistas em medicina esportiva e cardiologistas do Hcor listaram as principais ocorrências que afastam os craques dos gramados — desde as tradicionais contusões até a evolução de protocolos complexos de concussão e cuidados essenciais com a saúde do coração.

Contusão – A lesão mais comum no futebol

Choques e pancadas seguem sendo a principal ocorrência em partidas profissionais. Com o aumento da intensidade física no futebol moderno, contusões seguem entre os problemas mais comuns em torneios de alto rendimento. Ocorrências desse tipo acontecem de forma imprevisível devido a contatos físicos ao longo de qualquer momento do jogo.

Lesão muscular – Uma das lesões mais recorrentes em torneios curtos e sequência intensa de jogos

Condição que engloba distensão ou estiramento, lesão parcial e lesão completa.

  • Hoje existem mais opções de avaliações biomecânicas para auxiliar a decisão de retorno ao esporte;
  • GPS e análise de carga muscular ganharam protagonismo;
  • retorno precoce aumenta muito o risco de recidiva.

Lesões musculares seguem entre os principais motivos de cortes e afastamentos no futebol profissional. Arrancadas, explosão muscular e excesso de jogos elevam o risco de estiramentos, especialmente na coxa, além de comentar os novos protocolos usados para evitar reincidências.

Entorse – Lesão comum em articulações, como joelho e tornozelo, podem causar alguma lesão ligamentar (ver abaixo)

Mudanças rápidas de direção, gramados e contato físico tornam as entorses uma das ocorrências mais frequentes no futebol. Tratamentos para lesões ligamentares evoluíram e recuperação funcional passou a ser prioridade na medicina esportiva moderna. Anti-inflamatórios, especialmente o corticóide, perderam espaço em atletas de alta performance. Hoje há menos imobilização prolongada e mais:

  • mobilização precoce;
  • fortalecimento funcional;
  • fisioterapia acelerada.

Ruptura de ligamento – Casos como o rompimento de ligamento cruzado anterior (LCA) exigem um longo período de recuperação

Protocolos de retorno ao esporte pós-operatório de LCA passaram por modificações nos últimos anos. Antes, a recomendação era de retorno às atividades em cerca de seis meses, enquanto hoje muitos protocolos indicam 9 a 12 meses para retorno seguro após reconstrução do LCA. A mudança ocorreu por estudos que mostraram maior risco de nova ruptura em retornos precoces. As rupturas ligamentares, especialmente do ligamento cruzado anterior (LCA), estão entre as lesões mais temidas do futebol profissional.

Traumatismo craniano / concussão – Uma das lesões com maior foco de discussões na área médica para atletas

Concussões cerebrais vêm ganhando cada vez mais atenção no futebol internacional. Os casos ganharam um novo protocolo específico dentro do futebol – o clube tem direito a uma substituição extra, permanente e gratuita caso um jogador saia de campo devido a um traumatismo craniano. Além de atendimento imediato ao atleta lesionado, como explicam ortopedistas do Hcor,

Cãimbra – Lesão que possui relação com movimentos repetitivos e calor (fadiga)

Hoje se entende que não é apenas “falta de potássio”. A cãibra pode ocorrer devido a uma série de condições:

  • fadiga neuromuscular;
  • sobrecarga;
  • aclimatação;
  • hidratação inadequada.

Temperaturas elevadas e jogos intensos aumentam a incidência de cãibras em atletas profissionais. Hidratação isoladamente nem sempre resolve o problema e fatores como fadiga e desgaste muscular influenciam diretamente nas ocorrências.

Arritmia cardíaca – Casos merecem atenção para a prática esportiva

Qualquer condição que altere o ritmo do coração recebe o nome de arritmia cardíaca. Essas alterações podem ocorrer por esforço físico, mas também podem ter origens congênitas, hereditárias ou adquiridasas. “Todas as arritmias têm tratamento e a maioria delas pode ser curada a partir de um diagnóstico precoce”, esclarecem cardiologistas do Hcor.

Mal súbito – Ligação direta com condições cardíacas

O mal súbito não é uma doença, mas um sintoma de que algo está errado, caracterizado por uma perda repentina de consciência. As causas mais frequentes são de origem cardíaca, como infarto agudo do miocárdio e arritmias, mas podem variar desde um quadro de desidratação e hipoglicemia, até causas neurológicas, como acidente vascular cerebral (AVC) e convulsões. Pode culminar em morte.

Com Assessorias

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