O alto custo financeiro permanece como a principal barreira para a continuidade do tratamento de doenças crônicas com análogos do receptor de GLP-1 no Brasil. Um estudo nacional realizado pelo Instituto de Pesquisa e Educação Corporativa da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), que ouviu 1.067 médicos em todo o país, revela que 65% dos pacientes abandonam o uso de “canetas emagrecedoras” ou não conseguem manter a dosagem recomendada por limitações no orçamento.
De acordo com a pesquisa desenvolvida em maio de 2026, o tratamento atual é considerado financeiramente viável para apenas 28% das pessoas que têm indicação clínica para utilizá-lo. Para os profissionais de saúde, o aumento da concorrência impulsionado pelas recentes aprovações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — como a liberação de genéricos e similares da semaglutida — é a chave para mudar essa realidade: a estimativa é que uma redução de 35% nos preços tornaria a terapia acessível para cerca de 45% dos pacientes aptos.
Os médicos já reconhecem os benefícios clínicos dessa categoria terapêutica. O desafio agora não é mais comprovar sua eficácia, mas ampliar o acesso. A pesquisa mostra que o principal obstáculo para a expansão dos GLP-1 no Brasil continua sendo o custo”, destaca Edison Tamascia, presidente da Febrafar.
Percepção médica e abrangência do estudo
A pesquisa abrangeu médicos de todas as regiões brasileiras, concentrando 544 profissionais no Sudeste, 206 no Nordeste, 169 no Sul, 96 no Centro-Oeste e 52 no Norte, distribuídos entre especialidades estratégicas de atendimento primário e especializado.
| Especialidade Médica | Percentual de Entrevistados |
| Clínica Médica / Geral | 59,3% |
| Cardiologia | 21,9% |
| Medicina de Família e Comunidade | 10,8% |
| Endocrinologia | 8,0% |
A grande maioria dos entrevistados afirmou que pretende incorporar os novos biossimilares e genéricos sintéticos à prática clínica diária, desde que comprovada a equivalência técnica de qualidade, eficácia e segurança em relação às medicações de referência (como Ozempic e Wegovy).
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Proteção cardiovascular e renal além da balança
Embora conhecidas pelo apelo no combate à obesidade e perda de peso, as medicações da classe GLP-1 foram destacadas pelos médicos devido à sua ação sistêmica e preventiva no tratamento de diversas comorbidades.
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Saúde cardiovascular e renal: Acompanhamento clínico indica proteção significativa contra desfechos cardíacos, doença renal crônica e gordura no fígado (esteatose hepática).
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Controle metabólico: Redução acentuada da glicemia no diabetes tipo 2 e diminuição da compulsão alimentar.
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Comorbidades associadas: Melhora nos quadros de hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono e dores articulares decorrentes da sobrecarga de peso.
Apesar de relatarem episódios gastrointestinais comuns (como náuseas, constipação e diarreia), os médicos enfatizam que os benefícios metabólicos superam com folga os eventos adversos, desde que haja acompanhamento médico regular.
Alerta contra o uso irregular e chegada às farmácias
O levantamento revelou ainda um dado preocupante de segurança sanitária: 7% dos pacientes chegam aos consultórios informando que já utilizaram medicamentos GLP-1 por conta própria, sem qualquer prescrição prévia. O achado reforça a necessidade de combater canais clandestinos e anúncios de venda ilegal na internet.
Para conter o mercado informal e oferecer produtos seguros e fiscalizados, a distribuição dos novos sintéticos nacionais já começou no varejo. A Farmarcas, associação que reúne mais de 1.700 farmácias e 11 redes no país, iniciou a entrega dos primeiros lotes do Ozivy (semaglutida sintética da EMS) em seu canal de atendimento regular, onde exige a retenção obrigatória da receita médica.
Especialistas ressaltam que o papel do farmacêutico no balcão e a presença do médico no acompanhamento são pilares indispensáveis para orientar a posologia correta, garantindo que o barateamento das medicações se traduza em adesão contínua e proteção à saúde pública.
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