A guerra de preços e de mercado no setor de tratamentos para o controle de peso e diabetes ganha um capítulo divisor de águas no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira, dia 17 de agosto de 2026, os primeiros registros de novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida sintética que incluem o primeiro remédio genérico e um similar da substância, popularizada nas versões originais de Ozempic e Wegovy.

O registro do primeiro genérico da semaglutida, utilizada no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, foi concedido à EMS, que vai comercializar o produto sob o nome Ozivy.  O medicamento seguindo a regra, será 35% mais barato com relação ao remédio original.

A chegada do primeiro genérico — produzido pela farmacêutica EMS — e do similar Semaclique (do laboratório Germed) reforça um movimento de reconfiguração comercial observado nos últimos meses. Em maio deste ano, a Anvisa já havia concedido o primeiro registro para a semaglutida sintética nacional ao medicamento Ozivy.

Programas de suporte reduzem valores e aproximam o tratamento de R$ 10 por dia

A concorrência acirrada já reflete em novas condições de preços nas farmácias do país por meio dos programas de suporte ao paciente. A farmacêutica EMS anunciou em julho que ampliou o acesso ao tratamento com Ozivy por meio do seu Programa Vida + Leve. Para garantir o benefício, a aquisição exige cadastro prévio e a apresentação de prescrição médica válida.

Com a nova modalidade, pacientes elegíveis devidamente cadastrados passam a contar com a opção de adquirir três canetas de 1 mg por R$ 999 — o que equivale a R$ 333 por caneta, aproximando o investimento do tratamento a cerca de R$ 10 por dia. O programa também mantém a opção comercial de duas canetas de 1 mg por R$ 863,22 (R$ 431,61 por unidade).

Nosso objetivo é transformar inovação e capacidade produtiva em acesso real para os pacientes. Trabalhamos para ampliar a disponibilidade de terapias inovadoras no país e criar condições que favoreçam a continuidade do tratamento, sempre com acompanhamento médico”, destaca Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.

A queda dos preços e a democratização do acesso

A nova autorização atende a um pleito de priorização feito pelo Ministério da Saúde para impulsionar a concorrência no mercado nacional, baratear o custo final das terapias e avaliar a futura viabilidade de incorporação das chamadas “canetas emagrecedoras” ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a autorização para a versão genérica, sem nome comercial, o impacto esperado no bolso do consumidor deve ser imediato. A estimativa do setor farmacêutico é de que a concorrência nacional reduza os preços entre 30% e 50% no período de 12 a 18 mesesApenas no primeiro trimestre de 2026, grandes redes de farmácia registraram saltos de mais de 150% nas vendas dessa categoria de medicação.

Especialistas reforçam que a redução de custos é decisiva para evitar abandono de tratamento. De acordo com a endocrinologista Carolina Janovsky, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a ampliação do acesso financeiro favorece a adesão do paciente e contribui para a permanência na terapia prescrita, garantindo os benefícios clínicos ao longo do tempo.

A democratização das canetas emagrecedoras

Com a onda de aprovações do órgão regulador, o alcance deixa de ser exclusivo da parcela de altíssima renda e ganha apelo em massa. Historicamente marcado pelo alto custo — com tratamentos mensais que podiam atingir patamares superiores a R$ 2,5 mil ou até R$ 4 mil —, o mercado da semaglutida passa a dialogar com novos perfis socioeconômicos.

O impulso vindo do Ministério da Saúde visa estruturar a oferta interna antes de deliberar sobre a oferta no sistema público. Discussões anteriores na Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) apontavam o entrave financeiro como a principal barreira para a disponibilização da semaglutida na rede pública. A ampliação do portfólio de genéricos e similares é a aposta governamental para baratear custos operacionais e viabilizar compras públicas em escala.

Perfil e mercado Modelo anterior (Referência) Novo cenário (sintéticos/genéricos)
Público predominante

Classe A (69% dos usuários)

Expansão para Classes B e C (~110 milhões de pessoas)

Estimativa de custo mensal

De R$ 2.500,00 a R$ 4.000,00

Versões abaixo de R$ 300,00 com programas de suporte

Dinâmica do mercado

Monopólio de patentes e importação

Produção e transferência de tecnologia nacional

O avanço da produção nacional e os passos em direção ao SUS

A nova decisão da Anvisa soma-se a outra medida anunciada em julho de 2026, quando a Anvisa liberou o maior pacote único de registros para semaglutida, liberando cinco produtos (Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema). Desses, marcas como Zempneo e Semavy contam com acordos de transferência de tecnologia para fabricação em solo brasileiro.

Medicamento Empresa / Importadora Situação no Brasil
Genérico da Semaglutida EMS S.A.

Aprovado (Agosto/2026) – 1º Genérico sintético do país

Semaclique Germed Farmacêutica

Aprovado (Agosto/2026) – Medicamento Similar

Zempneo Brainfarma

Aprovado (Julho/2026) – Transferência de tecnologia

Semavy Cosmed

Aprovado (Julho/2026) – Transferência de tecnologia

Owozy Ávita Care

Aprovado (Julho/2026) – Importação

Seemasun Sun Farmacêutica

Aprovado (Julho/2026) – Importação

Orsema Ranbaxy

Aprovado (Julho/2026) – Importação

Linha do tempo das aprovações recentes na Anvisa

  • Julho de 2026: Anvisa aprova lote recorde com cinco novos registros à base de semaglutida (Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema).

  • Agosto de 2026: Agência concede autorização para o primeiro medicamento genérico (da EMS) e o similar Semaclique (do laboratório Germed). 

Exigências técnicas, prescrição e cuidados médicos

Apesar da facilitação do acesso comercial, a Anvisa reforça que as regras de segurança permanecem rígidas. Como todos os análogos e agonistas do receptor de GLP-1, a semaglutida sintética exige receita médica em duas vias (com retenção) e acompanhamento profissional rigoroso.

  • Modo de uso e armazenamento: Aplicação semanal injetável, exigindo conservação em geladeira (temperatura de 2 °C a 8 °C).

  • Apresentações aprovadas: Soluções em sistema multidose e descartável de 1,34 mg/mL em embalagens de 1,5 mL (com 1 caneta e 4 a 6 agulhas) ou 3 mL (com 2 canetas e 8 a 10 agulhas).

  • Indicação: Tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e controle de sobrepeso/obesidade associado obrigatoriamente à reeducação alimentar e à prática de exercícios físicos.

Médicos e especialistas destacam que o uso de canetas aplicadoras atua no controle do apetite e na melhora do perfil metabólico, mas a interrupção do tratamento sem mudança de estilo de vida costuma levar ao ganho progressivo do peso perdido.

Com informações da Anvisa e Assessorias

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *