Lesões avermelhadas, coceira, áreas mais grossas, descamação e até mesmo vesículas e bolhas podem ser sinais de algum tipo de alergia na pele. Um grupo importante das alergias cutâneas é o da urticária, que se caracteriza por lesões avermelhadas, geralmente arredondadas, um pouco elevadas na pele, com coceira intensa. Neste Dia Mundial da Urticária, celebrado em 1º de outubro, é importante entender melhor essa condição que impacta profundamente a qualidade de vida dos pacientes.
Essa condição se manifesta com urticas e/ou angioedema. Urtica é uma reação da pele caracterizada por empolações, placas ou vergões de tom avermelhado ou rosado, em alto relevo, que coçam bastante. As lesões costumam aparecer e desaparecer em poucas horas, sem deixar alterações residuais na pele. Pode aparecer em qualquer local do corpo, inclusive nas palmas das mãos, plantas dos pés e couro cabeludo. Em 40 a 50% dos casos, o paciente também tem o angioedema, um inchaço mais profundo da pele ou mucosas (lábios, pálpebras, mãos, pés, língua), que pode ocorrer junto com as urticas (empolações) ou isoladamente.
Conheça os diferentes tipos de urticária
A urticária pode ser classificada pela duração: aguda, quando os sintomas duram até 6 semanas, e crônica, quando ultrapassam esse período. Na urticária crônica, as urticas e/ou o angioedema (inchaço) podem surgir diariamente, na maior parte dos dias, ou de forma recorrente. Ela se divide em:
Urticária Crônica Espontânea (UCE): é uma forma frequente dos tipos existentes de urticária. Como o próprio nome já diz, as lesões surgem de forma espontânea, ou seja, sem que sejam identificadas causas ou fatores desencadeantes externos específicos. Os impactos desta condição vão além das manifestações cutâneas, afetando também a saúde mental dos pacientes e a qualidade de vida de seus familiares.
Urticária Crônica Induzida (UCInd): com gatilhos específicos e bem definidos, como urticária ao frio (água fria, ar), calor, pressão tardia, dermografismo (atrito na pele), solar (pelos raios solares), vibratória (angioedema provocado pela vibração na pele), aquagênica (pela água em qualquer temperatura), e colinérgica (pelo aumento da temperatura corporal, como em exercícios e banhos quentes).
O tipo mais comum é a urticária aguda, que dura até seis semanas, e está associada a alimentos, medicamentos, ferroadas de insetos, infecções virais e bacterianas. A urticária pode ocorrer em qualquer fase da vida. Já a urticária crônica é mais comum em adultos”, explica Luisa Karla Arruda, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).
Conheça a urticária colinérgica
Manchas vermelhas na pele, coceira intensa e sensação de ardência que aparecem logo após exercícios físicos, banhos quentes ou momentos de estresse podem ser sinais de urticária colinérgica, um tipo de condição desencadeada pelo aumento da temperatura corporal. Embora não seja considerada uma doença grave, pode causar grande desconforto e interferir em atividades simples do dia a dia.
A reação ocorre quando o corpo se aquece e libera acetilcolina, um neurotransmissor que pode estimular a liberação de histamina na pele. Esse processo provoca pequenas lesões avermelhadas, chamadas micropápulas, além de coceira intensa e sensação de “pinicação”. As manifestações costumam surgir principalmente no rosto, pescoço e tronco, podendo também aparecer em braços e coxas.
Situações comuns da rotina estão entre os principais gatilhos da urticária colinérgica. Banhos muito quentes, exercícios físicos intensos, clima quente, sudorese excessiva, ansiedade, alimentos muito quentes ou apimentados e bebidas alcoólicas podem desencadear as crises. Pessoas com histórico de alergias respiratórias, eczema, hiperidrose ou urticária crônica também podem apresentar maior predisposição.
O diagnóstico é clínico e geralmente realizado por dermatologistas ou alergistas, a partir da avaliação das lesões e do relato do paciente. Em alguns casos, testes de provocação podem ser realizados de forma controlada para observar a reação da pele após aumento da temperatura corporal.
Segundo a enfermeira Andrezza Silvano Barreto, especialista em cuidados clínicos, o tratamento busca controlar os sintomas e reduzir a frequência das crises. “Os anti-histamínicos costumam ser a principal abordagem para aliviar a coceira e a inflamação, mas cada caso deve ser avaliado individualmente por um profissional de saúde”, explica.
Além do tratamento médico, algumas medidas ajudam a reduzir o desconforto, como preferir banhos mornos, usar roupas leves, evitar ambientes muito quentes e aplicar compressas frias nas áreas afetadas. Quando o ato de coçar provoca feridas na pele, curativos especiais podem ser utilizados para proteger a região e auxiliar no processo de cicatrização.
Embora não exista uma forma definitiva de prevenção, identificar os fatores desencadeantes e adotar cuidados simples no dia a dia pode ajudar a diminuir a frequência das crises e melhorar a qualidade de vida de quem convive com a condição”, afirma a especialista.
Coceira, espirros e manchas? Pode ser alergia!
As alergias afetam milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 30% da população sofra com algum tipo de manifestação alérgica, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, com crises recorrentes, uso frequente de medicamentos e, em casos mais graves, riscos à saúde respiratória ou alimentar.
Profissionais da saúde reforçam a importância da atenção aos primeiros sinais e do diagnóstico precoce como estratégia fundamental para o controle da doença e a prevenção de complicações. Rinite, asma, urticária, dermatite atópica, alergias alimentares e reações a picadas de insetos estão entre as formas mais comuns.
A recomendação dos especialistas é que sintomas persistentes ou repetitivos, como espirros constantes, coceira nos olhos, manchas na pele ou dificuldade para respirar, não sejam negligenciados. Buscar um profissional qualificado e realizar o teste pode ser o primeiro passo para uma vida mais saudável e livre das limitações causadas pela alergia.
O impacto das alergias na saúde mental
Urticária, dermatite atópica e outras alergias não são originadas pela emoção, não tem origem psicológica e nem ocorre por estresse. Porém, quem tem urticária crônica, dermatite atópica ou outro tipo de alergia crônica, seja pela coceira ou pelo aspecto das lesões na pele, acaba tendo a insegurança de não saber quando vai ter uma crise ou não e isso pode levar a transtornos psicológicos com impacto nos vários aspectos da vida social e afetiva.
Tudo isso junto, em algumas pessoas, provavelmente naquelas mais predispostas, pode levar a quadros de depressão e ansiedade por causa do impacto que tem na qualidade de vida como um todo. Importante ressaltar que não são todos os pacientes que terão depressão”, alerta a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai)
Um estudo multicêntrico de UCE em crianças, que contou com a participação da a alergista e imunologista Larissa Brandão, membro do Departamento Científico de Urticária da Asbai, mostrou que irritabilidade (49%), ansiedade (44%), distúrbios do sono (29%) e depressão ou tristeza (17%) estão entre os sintomas mais prevalentes nessa faixa etária.
O levantamento também mostrou que pacientes com sintomas extracutâneos tiveram maior intensidade do prurido (p=0,023), enquanto aqueles com sintomas neuropsiquiátricos apresentaram maior número de lesões e urticas (p=0,023). Segundo a especialista, esses achados reforçam a importância de uma assistência que considere todos os impactos da doença.
A urticária crônica espontânea não afeta apenas a pele. Os sintomas emocionais e os distúrbios do sono podem comprometer significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes, independente da faixa etária. Por isso, durante o acompanhamento, é fundamental investigar esses aspectos e oferecer um cuidado integral, que contemple não apenas o controle das lesões e do prurido, mas também o impacto da doença na saúde mental.”
A alergista e imunologista Larissa Brandão destaca que reconhecer precocemente esses sintomas permite um acompanhamento mais abrangente e individualizado, contribuindo para melhorar a qualidade de vida e o controle global da doença.
Com Assessorias




