O avanço dos diagnósticos de Mpox – doença causada pelo vírus Monkeypox, que ficou conhecida anteriormente como varíola dos macacos – voltou a acender o sinal de alerta nas autoridades sanitárias brasileiras no final de 2026. Dados atualizados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil já contabiliza 665 casos confirmados da doença neste ano.
Embora o patamar nacional permaneça abaixo do pico registrado em anos anteriores, regiões como o Estado do Rio de Janeiro enfrentam um crescimento expressivo, superando com folga os índices do período passado e mobilizando a rede de saúde pública.
No Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Saúde do Estado (SES-RJ) divulgou um alerta oficial após confirmar 269 casos da infecção entre janeiro e o início de novembro de 2026. O número representa mais do que o dobro registrado no mesmo período do ano passado, quando o estado contabilizou 92 ocorrências.
Cenário fluminense: salto de notificações e expectativa por imunizantes
Para conter a disseminação do vírus, a SES-RJ intensificou as ações de vigilância ativa em conjunto com as secretarias municipais de saúde e informou que aguarda a chegada de um novo reforço nos estoques de vacinas enviados pelo Ministério da Saúde. A medida busca ampliar a preparação da rede de atendimento para as festas e férias de fim de ano, período tradicionalmente marcado por uma maior circulação de pessoas e viagens interestaduais e internacionais.
A escalada de casos gera preocupação sobre a capacidade de resposta rápida dos serviços de saúde e a restrição de acesso aos imunizantes. Infectologistas apontam que gargalos na distribuição e a falta de doses em algumas praças dificultam a contenção de surtos localizados, tornando o diagnóstico precoce e as medidas de barreira sanitária ainda mais cruciais.
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Transmissão, sintomas e estigma social
A Mpox é uma enfermidade zoonótica viral provocada pelo vírus MPXV. A transmissão entre seres humanos ocorre predominantemente por:
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Contato direto e prolongado com lesões cutâneas, bolhas ou fluidos corporais de uma pessoa infectada;
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Relações sexuais ou contato íntimo de pele com pele;
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Inalação de gotículas e secreções respiratórias em interações próximas;
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Contato com objetos, roupas de cama, toalhas ou superfícies contaminadas.
O período de incubação do vírus oscila entre 3 e 16 dias, podendo se estender até 21 dias. Os sintomas iniciais costumam incluir febre alta, dores de cabeça, dores musculares, calafrios, exaustão e o inchaço de gânglios linfáticos (ínguas).
Posteriormente, surgem erupções na pele que evoluem de manchas planas para vesículas com pus, transformando-se em crostas que secam e caem. O potencial de transmissão permanece ativo desde o surgimento dos primeiros sintomas até a cicatrização completa da pele.
Especialistas reforçam que o estigma social associado à doença continua sendo um obstáculo relevante, fazendo com que muitos pacientes demorem a procurar assistência médica por receio de julgamento, o que favorece a manutenção de cadeias de transmissão ocultas.
Quem deve procurar atendimento e onde buscar ajuda
A vacinação contra a Mpox no Brasil não é destinada ao público em geral, sendo restrita a grupos específicos com maior vulnerabilidade a quadros graves:
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Pré-exposição: Recomendada para profissionais de laboratório que manipulam o Orthopoxvírus e pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão severa.
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Pós-exposição: Indicada para indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com casos confirmados ou suspeitos, condicionado à avaliação da vigilância epidemiológica. No Rio de Janeiro, o Painel de Ocorrência da SES-RJ registra a aplicação acumulada de 953 doses.
Pacientes que integram grupos de risco para complicações — como gestantes, pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados, crianças e idosos — devem buscar atendimento médico imediato ao notar qualquer lesão suspeita. No Estado do Rio, os atendimentos ocorrem nas unidades básicas dos municípios, UPAs e hospitais da rede pública.




