O Brasil deverá registrar cerca de 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Do total previsto, 12.260 diagnósticos devem ocorrer entre homens e 4.930 entre mulheres, fazendo com que aproximadamente 71% dos casos afetem o público masculino. Entre os homens, a doença está entre os tipos de câncer mais frequentes.
Apesar dos números expressivos, o câncer de boca ainda costuma ser diagnosticado em fases mais avançadas, o que reduz as possibilidades de tratamento menos invasivo e aumenta os impactos na qualidade de vida dos pacientes. Por isso, a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal – celebrada de 1º a 7 de novembro – reforça a importância da informação, da prevenção e do diagnóstico precoce. A doença exige atenção, especialmente porque muitos casos são identificados em estágios avançados.
O câncer bucal é um tumor maligno que pode atingir os lábios e diferentes estruturas da boca, como língua, gengivas, bochechas, céu da boca e assoalho bucal, região localizada abaixo da língua. O tipo mais frequente é o carcinoma de células escamosas, também chamado de carcinoma espinocelular, que representa mais de 90% dos casos. Tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores de risco, assim como a exposição solar sem proteção nos lábios e a infecção pelo HPV em tumores da orofaringe.
Para Caroline B. Ramos, cirurgiã dentista do IOP (Instituto de Oncologia do Paraná), conhecer os sinais da doença é fundamental para buscar ajuda no momento adequado.
O câncer bucal pode começar com alterações discretas, que muitas vezes são confundidas com aftas ou machucados comuns. Por isso, é importante observar a própria boca regularmente e não ignorar lesões que não cicatrizam. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as possibilidades de um tratamento eficaz e menos complexo”, destaca.
Segundo a médica especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, Dra. Silvia Picado, uma das razões para esse cenário é que os primeiros sinais da doença frequentemente são confundidos com problemas bucais comuns.
Apesar de a boca ser uma região de fácil visualização, muitas lesões iniciais são indolores e podem parecer problemas simples, como aftas, machucados por próteses ou irritações locais. Isso faz com que muitas pessoas demorem a procurar atendimento. Além disso, ainda falta informação sobre os sinais de alerta e a importância do exame periódico da cavidade oral”, explica.
Principais sinais de alerta
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam em até 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas, caroços, sangramentos sem causa aparente e áreas endurecidas. Em fases mais avançadas, podem surgir dificuldades para mastigar, engolir ou falar, além de limitações nos movimentos da língua.
Entre os sintomas que merecem atenção estão feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas na boca, áreas endurecidas, sangramentos sem causa aparente, alterações na língua, dificuldade para engolir, mudanças persistentes na voz e o surgimento de nódulos no pescoço.
O principal alerta é qualquer alteração na boca que persista por mais de duas semanas. Nem toda alteração significa câncer, mas a persistência do sintoma é o que deve motivar a investigação”, destaca a especialista.
O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no tratamento. Além de aumentar significativamente as chances de controle e cura da doença, a identificação precoce permite abordagens menos agressivas e menor comprometimento da fala, da deglutição e da aparência do paciente.
A maior incidência entre os homens está diretamente relacionada à exposição a fatores de risco historicamente mais frequentes nesse público. O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam sendo os principais responsáveis pelo aparecimento da doença.
Quando associados, tabagismo e álcool potencializam ainda mais o risco. “Além disso, a infecção pelo HPV também está relacionada a alguns tumores da região da cabeça e pescoço, especialmente da orofaringe”, afirma Silvia Picado.
Para reduzir as chances de desenvolver a doença, a especialista recomenda evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool, manter uma boa saúde bucal, realizar consultas odontológicas regulares e manter a vacinação contra o HPV conforme as recomendações médicas.
Autoexame não substitui o dentista
O autoexame pode ser realizado diante de um espelho, em um ambiente bem iluminado. Com as mãos limpas, a pessoa deve observar os lábios, abrir a boca e examinar as gengivas, a parte interna das bochechas, o céu da boca e a língua, inclusive as laterais e a região inferior.
É importante procurar manchas, feridas, alterações de cor, inchaços ou caroços. O autoexame, entretanto, não substitui a avaliação de um cirurgião dentista ou médico. Qualquer alteração suspeita deve ser investigada, principalmente quando persiste por mais de 15 dias.
A confirmação do diagnóstico geralmente é feita por biópsia, com análise de uma amostra do tecido suspeito. O tratamento depende da localização, do tamanho e do estágio do tumor e pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, isoladas ou combinadas, conforme a avaliação da equipe especializada. Em situações específicas, outras terapias também podem ser indicadas.
Além de observar possíveis alterações, a prevenção inclui não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, usar protetor labial com filtro solar, manter uma alimentação equilibrada e manter a vacinação contra o HPV em dia. Consultas odontológicas regulares também contribuem para identificar lesões suspeitas e encaminhar o paciente para investigação quando necessário.
Com Assessorias




