Além de sediar parte dos jogos, o Canadá tem feito história na Copa do Mundo 2026. No entanto, uma grave fratura na tíbia e na fíbula da perna esquerda sofrida pelo meio-campista Ismaël Koné, durante a partida em que a Seleção canadense goleou o Catar por 6 x 0, no último dia 18/6, assustou a torcida. Termos como “arrepiante”, “assustador” e “horror” foram usados pela imprensa internacional para descrever o caso. Devido à gravidade da lesão, ele precisou passar por cirurgia e está fora do restante da Copa.
A lesão aconteceu após uma entrada dura por trás, que resultou na expulsão do adversário. O impacto foi tão forte que o osso se partiu, com relatos da comissão técnica indicando que o som da fratura pôde ser ouvido no campo. Devido à intensidade da dor, o atleta utilizou um analgésico inalável em campo antes de ser encaminhado para o hospital.
Apesar da gravidade do trauma, a reação do jogador surpreendeu o público, já que ele deixou o gramado de maca sorrindo e acenando para a torcida. Mesmo cortado das partidas, Ismaël Koné segue com a delegação e visitou seus companheiros, sendo recebido com grande festa e apoio emocional do grupo. A equipe garantiu a classificação após uma vitória dramática sobre a África do Sul por 1 x 0no último domingo (28/6) ao avançar para as oitavas de final. O gol decisivo foi marcado pelo meia Stephen Eustáquio aos 45 minutos do segundo tempo.
Volta aos gramados pode levar 8 meses após lesão
O caso levantou questionamentos sobre os riscos envolvidos em lances de alto impacto, o atendimento imediato em campo e os desafios da recuperação dos atletas. Afinal, o que acontece após uma lesão traumática grave em um atleta de alto rendimento? Quando é preciso fazer uma cirurgia para recuperar uma fratura óssea ocorrida durante a prática esportiva?
É uma fratura grave e a recuperação, nesse tipo de caso, costuma levar de três a cinco meses para a consolidação óssea. O retorno aos gramados geralmente acontece próximo ao oitavo mês”, afirma Harley De Nicola, médico radiologista intervencionista, professor doutor do Departamento de Radiologia da Unifesp – Escola Paulista de Medicina.
Nem sempre a cirurgia exige tempo de retorno maior
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo, Marcelo Campos, existe uma falsa impressão de que as lesões tratadas cirurgicamente têm um tempo de retorno mais curto do que as tratadas de forma conservadora.
Embora isso seja verdade em alguns casos, para muitas lesões, o tratamento não cirúrgico pode oferecer um tempo de retorno menor ao esporte, além de reduzir significativamente o risco de complicações”, explica. “Por isso, ao sofrer uma lesão, é fundamental procurar um especialista para orientações mais precisas e adequadas”, completa.
A cirurgia tem seu lugar, mas em alguns casos não é a primeira opção. Avaliamos critérios clínicos e funcionais antes de decidir. Muitas vezes, com acompanhamento multidisciplinar, o paciente recupera-se completamente sem operar”, reforça.
Segundo ele, com diagnóstico precoce e conduta conservadora, é possível evitar agravamentos e cirurgias desnecessárias. “Se tratado no início, o problema pode ser resolvido sem cortes, internação ou afastamento prolongado. A decisão pelo tipo de tratamento deve ser feita com critério técnico e não por pressa ou pressão externa”, conclui o Dr Marcelo Campos.
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Exames de imagem ajudam no planejamento da cirurgia
Casos como esse chamam atenção para os desafios físicos do futebol de alto rendimento e também para a importância da avaliação por imagem em todas as etapas da jornada do atleta, desde o diagnóstico inicial até o planejamento do tratamento e o retorno seguro aos gramados.
De acordo com o Dr Harley, os exames de imagem são fundamentais não só para o diagnóstico, mas também para o planejamento da cirurgia e para acompanhar se a consolidação óssea está acontecendo da forma esperada.
O raio-X é normalmente o exame inicial e consegue mostrar o tipo e a extensão da fratura. Já a tomografia computadorizada é indicada em situações mais complexas, principalmente quando há proximidade com articulações como joelho ou tornozelo. Ela traz uma visão tridimensional do osso e ajuda a identificar desvios, alterações de rotação e fragmentos que podem não aparecer no raio-X.
Quanto mais preciso for o diagnóstico e o acompanhamento, maiores são as chances de uma recuperação adequada e de retorno seguro ao esporte, reduzindo riscos de sequelas como dor crônica ou limitação de movimento“, esclarece Dr Harley.
O especialista atua como superintendente médico da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (Fidi), instituição filantrópica de saúde responsável pela realização de mais de 5 milhões de exames de imagem por ano no Brasil.
Casos em que jogadores evitaram a cirurgia no ombro e cotovelo
Para ilustrar o tema, a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo traz alguns reflexões sobre casos recentes no futebol mundial.
- Em 2020, o então goleiro Alisson Becker, da Seleção Brasileira, sofreu uma luxação no ombro durante um treino. A equipe médica optou por fisioterapia intensiva e protocolos conservadores, evitando a cirurgia e garantindo retorno seguro aos gramados.
- O lateral Marcelo, ex-Real Madrid, também enfrentou problemas recorrentes no ombro e cotovelo durante a carreira. Tratado com fortalecimento muscular, mobilização articular e controle de carga, conseguiu manter o desempenho esportivo sem necessidade de intervenção cirúrgica..
- Em 2025, um flagrante em campo do meia Jude Bellingham, do Real Madrid, chamou a atenção. Para evitar uma cirurgia que o afastaria dos gramados por até seis meses, o jogador, que enfrenta as consequências de uma luxação no ombro esquerdo sofrida em novembro de 2023, utiliza uma órtese personalizada antes de cada partida. A proteção cobre o ombro e parte do peito, permitindo que ele continue atuando.
Em relação ao caso de Bellingham, a Associação Espanhola de Fisioterapeutas explicou que sem a cirurgia, havia um risco de 90% de uma reluxação. Quem passa pela cirurgia reduz esse risco para cerca de 4%. Jogar com a órtese apenas adia a operação, porque há uma grande instabilidade na articulação do ombro.
Impacto na vida cotidiana
Lesões no ombro são comuns em esportes que exigem movimentos repetitivos ou de alto impacto, como futebol, tênis, natação e levantamento de peso. Além de atletas de alta performance, lesões no ombro afetam também trabalhadores, idosos e praticantes de atividades físicas em geral.
Para preveni-las, é essencial manter um bom condicionamento físico, com ênfase no fortalecimento dos músculos que estabilizam essas articulações. Além disso, a técnica correta nos movimentos esportivos e o uso de equipamentos adequados são fundamentais para evitar sobrecarga e traumas.
Com Assessorias
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