Realizado nos primeiros dias após o nascimento, o teste do pezinho – um dos exames da triagem neonatal – é obrigatório e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Fundamental para a saúde do bebê, ele possibilita o rastreamento precoce de doenças genéticas, metabólicas, infecciosas, endocrinológicas e hematológicas que podem comprometer o desenvolvimento infantil e, em alguns casos, colocar a vida da criança em risco.
Entre as doenças mais conhecidas rastreadas pelo exame estão o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a fibrose cística, a anemia falciforme e a hiperplasia adrenal congênita. A especialista destaca que a quantidade de doenças investigadas varia de acordo com a modalidade do teste, básica, ampliada ou expandida, permitindo uma avaliação mais abrangente em alguns casos.
O objetivo do teste do pezinho é diagnosticar e impedir o desenvolvimento de doenças genéticas ou metabólicas que podem levar à deficiência intelectual ou causar prejuízos à qualidade de vida e até levar a óbito. Mas se não for coletado em até 5 dias após o nascimento do bebê, não tem como tratar”, afirma a endocrinologista Tânia Sanchez Bachega, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP)
“Se não tem diagnóstico precoce não tem como tratar”
Uma das doenças rastreadas pelo Teste do Pezinho é o hipotireoidismo congênito, caracterizado pela diminuição da quantidade dos hormônios tireoidianos, essenciais para todo o organismo, especialmente o cérebro da criança. O hipotireoidismo congênito é a principal causa de deficiência intelectual que pode ser prevenida quando o diagnóstico e tratamento são feitos precocemente. Nas crianças não tratadas, as complicações podem ser irreversíveis, como prejuízos no desenvolvimento mental e no crescimento.
Outra doença detectada pelo Teste do Pezinho é a hiperplasia adrenal congênita, que afeta os hormônios essenciais à vida, como cortisol e aldosterona. Sem o tratamento precoce, a hiperplasia adrenal congênita leva o bebê à desidratação grave nos primeiros dias de vida, podendo evoluir para óbito. O Teste do Pezinho também pode identificar a fenilcetonúria, uma doença rara, congênita e genética, que afeta o sistema neurológico.
É importante fazer o teste do pezinho porque ele diagnostica e permite tratamento precoce de doenças graves, que não apresentam sinais evidentes, nos primeiros dias de vida, durante a avaliação médica.
As maternidades da rede particular fazem a coleta do material. Já no sistema público, isso não acontece em todos os municípios, e os pais precisam ficar atentos ao prazo (até o quinto dia após o nascimento) para levar o recém-nascido a uma Unidade Básica de Saúde para coletar o sangue. “O importante não é somente coletar o sangue, mas também cobrar a liberação rápida dos resultados”, alerta Dra. Tânia.
Conheça as doenças mais comuns rastreadas pelo exame
Para Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Brasília, um dos principais benefícios do exame é identificar doenças antes mesmo do surgimento dos sintomas. “Muitas das condições detectadas pelo teste não apresentam manifestações evidentes nos primeiros meses de vida. O bebê aparenta estar saudável, mas já pode apresentar alterações importantes no organismo. Em alguns casos, os sintomas só aparecem após a introdução de determinados alimentos ou exposição a medicamentos, enquanto outras doenças podem se manifestar logo nos primeiros dias de vida”, explica.
O exame possibilita o rastreamento de doenças que podem ser tratadas ou acompanhadas de forma mais eficaz quando identificadas precocemente, reduzindo o risco de sequelas e melhorando a qualidade de vida da criança. Em alguns casos, ele também aponta condições que ainda não possuem cura, mas que exigem acompanhamento contínuo e cuidados específicos ao longo da vida”, acrescenta a pediatra.
Os benefícios da triagem neonatal são especialmente evidentes em doenças como a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito, nas quais o tratamento iniciado ainda nas primeiras semanas de vida pode favorecer crescimento e desenvolvimento próximos do esperado.
Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida para a criança”, reforça Pollyana.
Além da realização do exame, as especialistas destacam a importância de os pais acompanharem o resultado e manterem contato com a unidade de saúde responsável pela coleta.
Um resultado alterado não significa necessariamente que o bebê tenha a doença. Em muitos casos, é preciso realizar exames complementares ou uma nova coleta para confirmação. O mais importante é não ignorar o chamado e seguir corretamente as orientações médicas”, orienta a Dra. Isabela.
Como é feito o Teste do Pezinho?
De acordo com Pollyana Estephanelli, professora do curso de Enfermagem em Itaperuna (RJ), o exame é feito a partir da coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, região rica em vasos sanguíneos que facilita o procedimento.
O ideal é que o teste seja realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. Nesse período, o organismo já começou a metabolizar proteínas e outros nutrientes, o que favorece a detecção de diversas doenças”, explica.
A especialista ressalta que o procedimento é simples, rápido e seguro. Após a higienização do local, o sangue é coletado em um papel-filtro específico e encaminhado para análise em laboratório de referência. “O exame provoca apenas um desconforto momentâneo e não oferece riscos significativos quando realizado por profissionais capacitados”, afirma.
Segundo Pollyana, ainda existe a falsa percepção de que o teste serve para identificar apenas uma ou duas doenças. Na prática, a triagem neonatal é considerada uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública e permite rastrear diversas condições que podem comprometer o desenvolvimento neurológico, cognitivo e motor da criança.
Quando não são identificadas e acompanhadas precocemente, algumas dessas doenças podem provocar sequelas permanentes e até levar ao óbito”, alerta.
5 fatos sobre o teste do pezinho que provavelmente você desconheça
1. O exame existe há décadas no Brasil
O teste do pezinho começou a ser realizado no país na década de 1970, mas passou a integrar oficialmente o Programa Nacional de Triagem Neonatal somente em 2001.
2. O nome oficial não é teste do pezinho
Embora seja popularmente conhecido por esse nome, o termo técnico é triagem neonatal biológica. A denominação surgiu porque a coleta é realizada no calcanhar do bebê.
3. Nem sempre uma única coleta é suficiente
Bebês prematuros, que receberam transfusão sanguínea ou que passaram por situações capazes de interferir nos resultados podem precisar repetir o exame para garantir maior precisão.
4. O número de doenças investigadas pode variar bastante
Dependendo da modalidade realizada, o teste pode rastrear um número maior de doenças, incluindo diversas condições raras, genéticas, metabólicas, imunológicas e endocrinológicas.
5. Um resultado alterado não é sinônimo de diagnóstico
Quando o exame aponta alguma alteração, isso não significa automaticamente que o bebê tenha a doença investigada. O resultado funciona como um alerta para que sejam realizados exames complementares e avaliações específicas antes da confirmação diagnóstica.
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Com Assessorias

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