Dietas da moda: o que emagrece mesmo são hábitos saudáveis, diz especialista

Jejum intermitente, low carb, detox, Dukan, sem glúten… Quem nunca seguiu uma dieta por conta própria para tentar perder aquele peso indesejável? Pesquisa da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) mostra que 77% dos pacientes já fizeram alguma dieta sem acompanhamento médico pelo menos uma vez na vida. E boa parte já aderiu a alguma “dieta da moda”. A endocrinologista Lenita Zajdenverg falou sobre este tema com exclusividade ao Vida & Ação, durante a oitava edição do EndoRio, congresso organizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – regional RJ, no final de agosto.

A pesquisa realizada por médicos nutrólogos da Abran com pacientes de dez estados brasileiros mostrou que  boa parte dos pacientes já havia tentado alguma dieta da moda. Nesse caso, foram mencionadas as dietas cetogênica ou low carb (30%), detox (19,1%), Dukan (15,7%), hiperproteica (13,3%), sem glúten (12,9%), seguidas por outras – era possível assinalar mais de uma alternativa. Quase 70% dos pacientes buscam dietas para perder peso, enquanto 45% aderiram para melhorar a qualidade de vida, seguidos por 43% que buscam uma reeducação alimentar e 18% que querem condicionamento físico. Nessa questão também era possível assinalar mais de uma alternativa.

Os campeões de restrição em uma dieta são os doces (65%). Contudo, 28% mencionaram que eles são o principal motivo por abandonarem o programa alimentar. Frituras (61,82%), porções durante a alimentação (48,31%), quantidade de refeições (24,25%), sal (18,62%) e carboidratos (3,18%) foram citados como o que as pessoas costumam restringir mais frequentemente das dietas. A desmotivação por não conseguir perder peso atinge mais de 45,32% da população pesquisada, seguida pela falta de tempo para preparar as refeições (40,55%).

Dietas sem acompanhamento profissional

A pesquisa da Abran revelou que 77% dos entrevistados já fizeram dietas sem acompanhamento alguma vez na vida. Somente nos últimos 12 meses, 40,8% iniciaram um programa alimentar por conta própria. Em contrapartida, 95% dos entrevistados reconheceram que os profissionais médicos e da área de nutrição são as fontes mais confiáveis para indicar uma dieta. O levantamento foi feito com 503 pessoas, de 20 de agosto a 25 de setembro de 2017.

Quase 76% dos entrevistados iniciaram alguma dieta nos últimos doze meses. 21,6% iniciaram e interromperam uma dieta mais do que quatro vezes no período, seguidos por 16,5% que iniciaram e interromperam duas vezes e 15,8% que fizeram isso apenas uma vez. Depois dos profissionais da saúde (95%), que apareceram em primeiro lugar como fontes confiáveis para recomendar dietas, indicação de amigos (3,1%), sites (3,1%), livros (1,7%), blogueiros e influenciadores (1,5%) foram mencionados pelos entrevistados. 40,6% das pessoas disseram que suas tentativas de dietas não são acompanhadas de exercícios físicos.

“De forma prática, a pesquisa mostra o comportamento dos pacientes que estamos acostumados a receber em nossos consultórios e nos hospitais. Isso que constatamos nessa amostragem é uma tendência da população brasileira, que está habituada a iniciar dietas sem acompanhamento profissional, sem perceber que elas podem acarretar em prejuízos graves para sua saúde, como deficiências nutricionais, que podem impactar órgãos como intestino, estômago, pâncreas, entre outros”, afirma Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Abran.

Pacientes de dez Estados brasileiros responderam à pesquisa realizada por médicos nutrólogos para avaliar o perfil dos brasileiros em relação às dietas: Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Ceará, Distrito Federal. Fundada em 1973, a Abran dedica-se ao estudo de nutrientes dos alimentos, que são decisivos na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da maior parte das doenças que afetam o ser humano. Reúne mais de 1.700 médicos nutrólogos titulados especialistas em nutrologia pelo Brasil e mais de quatro mil médicos associados, que atuam no desenvolvimento e na atualização científica em prol do bem estar nutricional, físico, social e mental da população.

Fonte: Abran, com Redação