O avanço dos vírus respiratórios acende o sinal de alerta na saúde pública nacional. A nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quarta-feira (3/6), aponta um aumento sustentado nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o território nacional.
O cenário atual é impulsionado, principalmente, pelo crescimento expressivo das hospitalizações causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Em algumas regiões, a circulação da Influenza A e do rinovírus também contribui para a pressão sobre o sistema de saúde.
De acordo com a análise, referente à Semana Epidemiológica 21 (de 24 a 30 de maio), todas as unidades da Federação encontram-se em níveis de alerta, risco ou alto risco para a incidência de SRAG. Destas, 18 estados apresentam indícios claros de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas):
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Norte: Acre, Amapá, Pará e Roraima;
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Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe;
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Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo;
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Sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
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Centro-Oeste: Goiás e Mato Grosso do Sul.
Além disso, 15 das 27 capitais brasileiras mostram sinal de crescimento na tendência de longo prazo para a síndrome.
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O impacto por faixa etária e a importância da vacinação
Os dados epidemiológicos reforçam que os vírus atingem as faixas etárias de maneira distinta. A incidência de SRAG é significativamente mais elevada em crianças pequenas, impulsionada pelo VSR e pelo rinovírus (este último com forte presença também em adolescentes). Por outro lado, a mortalidade é mais expressiva na população idosa, a partir dos 65 anos, tendo como principal causa a Influenza A.
Diante desse cenário epidemiológico complexo, que conecta a saúde da população às sazonalidades climáticas e à circulação viral, os especialistas reforçam a necessidade de medidas preventivas urgentes.
A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus respiratórios que causam SRAG, como VSR, influenza e Covid-19, é a vacinação. Portanto, é essencial que a população de maior risco e elegível para receber essas vacinas esteja em dia com a imunização”, alerta a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz (PROCC/Fiocruz).
A pesquisadora lembra ainda o papel estratégico da vacina contra o VSR, que é aplicada em gestantes para que os anticorpos sejam transmitidos ao bebê, garantindo proteção nos primeiros seis meses de vida.
Panorama dos vírus em circulação
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição dos vírus identificados nos casos positivos de SRAG revelou o amplo predomínio do VSR no ambiente hospitalar:
| Vírus Respiratório | Proporção nos casos positivos | Proporção nos óbitos |
| Vírus Sincicial Respiratório (VSR) | 48,5% | 16,6% |
| Rinovírus | 24,3% | 16,9% |
| Influenza A | 21,9% | 49,0% |
| Influenza B | 5,1% | 8,2% |
| Sars-CoV-2 (Covid-19) | 2,1% | 9,0% |
Enquanto a Covid-19 permanece em patamares baixos na maior parte do país — registrando crescimento apenas no Ceará, Maranhão e Pará —, as hospitalizações por Influenza A começam a dar sinais de queda ou estabilização em níveis baixos na maior parte das regiões, exceto na Região Sul, em São Paulo, Minas Gerais, Roraima, Acre e Rio Grande do Norte, onde o vírus ainda avança.
No acumulado do ano de 2026, o Brasil já notificou 77.153 casos de SRAG. Desse total, 48,2% (37.153 casos) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 36,1% foram negativos e cerca de 9% seguem aguardando o fechamento dos laudos.




