O cenário epidemiológico das doenças respiratórias no Brasil exige atenção redobrada da população. O novo Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 28 de maio de 2026, aponta que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua aumentando em nível nacional, atingindo todas as faixas etárias. A análise é referente à Semana Epidemiológica 20 (período de 17 a 23 de maio).
De acordo com o relatório, a atual alta de internações está diretamente associada ao crescimento do número de hospitalizações pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e pelo vírus da influenza A (gripe). Além deles, o rinovírus tem desempenhado um papel central no aumento dos quadros graves entre crianças e adolescentes, com impactos destacados em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas, Paraíba, Sergipe, Amazonas e Santa Catarina.
O avanço da SRAG e o contraste com boletins anteriores
A escalada atual consolida uma tendência que vinha se desenhando ao longo do outono. Se no início do ano (como na Semana Epidemiológica 4) o cenário nacional era de queda generalizada na circulação de vírus respiratórios, o quadro começou a mudar de forma acentuada a partir de março.
Na Semana Epidemiológica 14, o InfoGripe já sinalizava uma estabilização que rapidamente evoluiu para um crescimento concentrado no público infantil, devido ao VSR. Agora, os dados mais recentes indicam que o aumento não está mais restrito aos mais jovens. A combinação da sazonalidade da influenza A com a circulação contínua do VSR expandiu as notificações de SRAG para todas as idades.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas avaliadas, a prevalência entre os óbitos que testaram positivo para vírus respiratórios evidenciou a letalidade desses agentes: a influenza A respondeu por 51,2% das mortes registradas, seguida pelo rinovírus (17,2%), VSR (13,4%) e SARS-CoV-2 (9,6%).
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Covid-19: estabilidade com pontos de atenção no Norte e Nordeste
Embora os casos graves de Covid-19 permaneçam em níveis baixos na maior parte do território nacional, o boletim faz um alerta importante para algumas regiões. Os estados do Ceará, Maranhão e Pará começam a registrar sinais de início ou manutenção do crescimento de SRAG associada ao coronavírus.
Historicamente, as flutuações regionais servem como indicativo de que o vírus SARS-CoV-2 continua circulando e pode encontrar brechas em populações com esquemas vacinais desatualizados, reforçando que a estabilidade nacional não deve ser sinônimo de relaxamento.
Vacinação é a principal barreira contra complicações
Diante da alta atividade da influenza A e do VSR, autoridades em saúde e pesquisadores reforçam que a imunização continua sendo a estratégia mais eficaz para evitar hospitalizações e mortes. A vacina contra a gripe, disponível nas unidades de saúde, protege contra as principais cepas em circulação (incluindo o vírus H1N1 e H3N2) e deve ser priorizada pelos grupos elegíveis.
Mesmo com a Covid-19 registrando baixa atividade na média nacional, a atualização das doses de reforço é indispensável, sobretudo para idosos e indivíduos imunocomprometidos, que compõem a parcela mais vulnerável a desfechos fatais. Paralelamente, as novas ferramentas de prevenção contra o VSR direcionadas a bebês e gestantes representam um marco essencial para conter a pressão sobre os leitos de pediatria.
Proteger a si mesmo por meio da vacinação é, também, um ato de responsabilidade coletiva para reduzir a transmissão comunitária e resguardar o sistema de saúde durante os meses mais frios do ano.
Com informações da Agência Fiocruz



