A pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes” mostra que a maioria dos brasileiros defende o diálogo como a principal forma de educar crianças, mas a violência continua presente nas práticas cotidianas e segue naturalizada. A segunda edição do estudo foi realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável – Infinis, em parceria com a Quaest, para compreender como a população brasileira percebe, vivencia e reage às diferentes formas de violência contra crianças e adolescentes e como os brasileiros compreendem os direitos da infância e adolescência.
O levantamento revela que 91% dos brasileiros consideram o diálogo a melhor forma de corrigir comportamentos infantis, enquanto 62% admitem já ter gritado com uma criança, 49% reconhecem já ter dado tapas e 27% afirmam já ter utilizado objetos para bater. Ao comparar os resultados com a edição anterior, observa-se que esse paradoxo permanece, ainda que os percentuais tenham sido reduzidos. Na primeira edição, realizada em 2023, 93% da população também defendiam o diálogo, mas 66% admitiam já ter gritado com uma criança, 52% já haviam dado tapas e 38% reconheciam ter utilizado objetos para bater.
Em conjunto, os resultados indicam que, embora o discurso em favor de uma educação e cuidado sem violência esteja consolidado, romper com práticas historicamente naturalizadas ainda representa um dos principais desafios para a proteção de crianças e adolescentes.
Ainda que tenhamos avançado em legislação e na conscientização sobre os direitos das crianças, a pesquisa mostra que ainda existe uma lacuna significativa entre aquilo que os brasileiros consideram correto e aquilo que acontece na prática. Compreender essas percepções é fundamental para romper o ciclo intergeracional de violência e orientar políticas públicas de prevenção. Cada criança protegida hoje representa menos violência amanhã”, afirma Márcia Kalvon, diretora executiva do Infinis.
A pesquisa mostra que a violência contra crianças ainda está presente na vida de diferentes gerações e quem sofreu violência tendem a replicar essa prática. E 62% afirmam que não interfeririam caso presenciassem uma criança recebendo palmadas ou puxões de orelha em um espaço público, reforçando a naturalização da violência identificada na edição anterior do levantamento.
Castigo é considerado ideal por quase metade dos brasileiros
Apesar da grande maioria defender a conversa com as crianças para explicar erros e educar, castigo é considerado ideal por quase metade dos brasileiros, enquanto mais de um terço considera aceitável gritar ou ameaçar bater em crianças

Outro dado revela que 62% das pessoas não reagiriam caso presenciasse agressão contra criança na rua
Trabalho infantil, direitos e proteção ainda desafiam o país
A pesquisa investigou, ainda, como os brasileiros compreendem os direitos da infância e da adolescência. Ao mesmo tempo que a educação é vista como prioridade, ainda há elevada aceitação do trabalho infantil em determinadas circunstâncias e baixo conhecimento sobre os instrumentos legais de proteção.
Em números | Direitos e proteção
- 93% afirmam que os estudos devem ser prioridade para crianças
- 61% consideram aceitável o trabalho infantil para evitar que crianças permaneçam nas ruas
- 88% acreditam que adolescentes devem trabalhar se quiserem
- 71% acreditam que devem trabalhar quando os pais determinarem
- 71% não conseguem citar nenhuma lei de proteção à infância
- 60% confiam muito em psicólogos
- 49% confiam muito na polícia
- 46% confiam muito no Conselho Tutelar
- 42% confiam muito em assistentes sociais e Centro de Referência de Assistência Social – CRAS
- 40% confiam muito em Unidade Básica de Saúde – UBS e hospitais
Brincar é a principal característica associada à infância pelos brasileiros

Metodologia
Os dados da pesquisa foram coletados entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. Foram entrevistados pessoalmente 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O levantamento, conduzido pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest.
Fórum de Políticas Públicas em Setembro/2026
Os resultados da pesquisa Infinis – Quaest serão um dos principais insumos para os debates do 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância (FPPSI), que será promovido pelo Infinis em 30 de setembro de 2026, em São Paulo. O evento reunirá especialistas, gestores públicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir estratégias de prevenção das violências contra crianças e adolescentes.
Durante o encontro será apresentada a versão completa do estudo, com análises inéditas, recortes temáticos e recomendações para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção integral da infância.






