Segunda-feira é o dia internacional da preguiça. Ainda mais após um feriado prolongado como o de Tiradentes e São Jorge – para quem vive no Rio de Janeiro. Mas se diariamente você acorda e parece que não dormiu nada, toma café, mas a energia não sobe, algo mais importante pode estar acontecendo com seu corpo e é bom investigar.

Sentir cansaço constante, desânimo ou queda no rendimento mental muitas vezes não é apenas consequência da rotina agitada. A fadiga permanente, a ansiedade persistente e a queda de energia têm se tornado queixas frequentes nos consultórios, e nem sempre a origem é exclusivamente emocional.

Para além do estresse e da rotina acelerada, desequilíbrios biológicos podem desencadear sintomas que se confundem com transtornos de saúde mental, ampliando a importância dos exames laboratoriais na investigação clínica.

Quando o cansaço vem do desequilíbrio hormonal

Muitas vezes, rotulamos o cansaço excessivo como “estresse do dia a dia” ou “falta de sono”. Mas a verdade é que, se a fadiga é constante e não passa nem com o repouso, o problema pode estar escondido no seu equilíbrio hormonal. Nossos hormônios são os mensageiros do corpo. Quando eles estão em desajuste, o “motor” simplesmente não liga direito,

O alerta é de Thatyane Ribeiro, médica da família com especialização em Endocrinologia. Ela confirma que o cansaço frequente no dia a dia é uma queixa diária em seu consultório. “Doutora, eu acordei cansado e a preocupação é, será que eu tô muito estressado, eu sou uma pessoa carregada no trabalho?”, questiona um paciente. A resposta da especialista é certeira:

Muito provavelmente existe um desequilíbrio hormonal no seu corpo, por isso essa sensação de cansado, que acorda cansado. Então temos que fazer exames de rotina pensando na sua tireoide, no cortisol, na resistência à insulina. Esse desequilíbrio hormonal te dá um excesso de cansaço, você dorme e não cansa”.

O que pode estar por trás do cansaço extremo?

  • Tireoide (hipotireoidismo): Quando a glândula trabalha devagar, seu metabolismo desacelera e o desânimo toma conta.
  • Cortisol: Conhecido como o hormônio do estresse. Níveis muito altos ou muito baixos (fadiga adrenal) drenam sua energia.
  • Hormônios sexuais: Baixa de testosterona ou desequilíbrios no estrogênio e progesterona afetam diretamente o vigor físico e mental.
  • Resistência à insulina: Dificulta a entrada de glicose nas células, deixando você sem “combustível”.

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Outras causas ocultas que podem explicam a fadiga

Além das alterações hormonais e disfunções na tireoide, alguns dos fatores podem influenciar diretamente o humor e o bem-estar, como  deficiência de vitaminas, processos inflamatórios silenciosos e até quadros metabólicos. Por isso, compreender o que ocorre no organismo é fundamental para orientar o paciente de forma precisa.

Nem todo cansaço ou irritabilidade é apenas psicológico. Muitas vezes, o que parece ansiedade pode ser reflexo de uma falta de micronutrientes, uma alteração metabólica ou mesmo um processo inflamatório em curso”, explica Julio Cesar Lemes Macedo, médico do DB Diagnósticos.

No entanto, a “fisiopatologia da fadiga” permanece obscura. Há controvérsias sobre a existência de uma única causa ou de múltiplas causas. A interligação entre corpo e mente também tem sido reforçada por estudos recentes, que mostram como desequilíbrios biológicos podem afetar neurotransmissores como serotonina, dopamina e cortisol, substâncias diretamente envolvidas na regulação do humor.

Quando cansaço, desânimo e depressão são falta de vitaminas no corpo

Quando as vitaminas estão em falta, o corpo avisa e saber interpretar esses alertas é fundamental para recuperar a saúde. Diversos sinais podem estar ligados à deficiência de vitaminas essenciais, nutrientes que participam diretamente do funcionamento do cérebro, do sistema imunológico e do metabolismo energético.

De acordo com a médica nutróloga Giovanna Spagnuolo Brunello, formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pós-graduada em Nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein, quando as vitaminas estão em falta, o corpo avisa e saber interpretar esses alertas é fundamental para recuperar a saúde.

A deficiência de vitaminas do complexo B, especialmente B12, B6 e ácido fólico (B9), está entre as mais comuns. A B12 baixa pode causar fadiga intensa, falta de memória, formigamentos e até sintomas depressivos. A B6 e o ácido fólico estão ligados à produção de neurotransmissores, e sua carência pode se manifestar como irritabilidade, alterações de humor e dificuldade de concentração”, explica a especialista.

Entretanto, outra vitamina muito conhecida, também merece atenção: a vitamina D. “Níveis baixos estão associados a cansaço persistente, dores musculares, baixa imunidade e maior risco de depressão. Como grande parte da população tem pouca exposição solar adequada, essa deficiência é hoje um problema de saúde pública silencioso.”

Já a falta de vitamina C, conforme a médica, pode causar maior suscetibilidade a infecções, sangramento gengival e dificuldade de cicatrização, além de uma menor produção de colágeno. “A vitamina A, por sua vez, quando deficiente, pode provocar ressecamento da pele, queda da visão noturna e redução da imunidade, enquanto a vitamina E está relacionada à proteção celular e, em níveis baixos, pode contribuir para fadiga e alterações neuromusculares.”

Como os exames podem auxiliar na investigação de causas físicas

Alterações hormonais, déficits nutricionais e processos inflamatórios podem estar por trás de sintomas emocionais cada vez mais comuns

A boa notícia? Com exames laboratoriais e acompanhamento especializado, é possível regular essas taxas e recuperar a sua vitalidade. Entre os exames mais utilizados na investigação estão hemograma completo, painel de vitaminas e minerais, como B12, D, ferro e magnésio, avaliação da função tireoidiana (TSH, T3 e T4), marcadores inflamatórios e testes hormonais.

Esses resultados ajudam médicos a definir etiologia, ajustando tratamentos e evitando abordagem inadequadas”, diz o médico Julio Macedo, destacando ainda a importância da avaliação laboratorial como parte da abordagem integral ao paciente.

Para quem convive com fadiga sem explicação, oscilações emocionais ou ansiedade recorrente, buscar orientação médica e realizar uma investigação completa é um passo essencial para melhorar a qualidade de vida.

Não normalize o que te impede de viver bem. Sentir-se exausto o tempo todo é um sinal de alerta do seu organismo”, afirma a endocrinologista Thatyane Ribeiro. “Vamos marcar para fazer um check-up?”, convida a médica.

Como enfrentar a falta de vitaminas de forma saudável

A nutróloga Giovanna também ressalta a importância de repor a falta de vitaminas. Mas, para repor e recuperar, o primeiro passo é o diagnóstico correto, feito por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais.

Depois, é preciso uma alimentação equilibrada e variada, que é a base do tratamento, com consumo adequado de frutas, verduras, legumes, proteínas e gorduras boas. E, na grande maioria dos casos, a suplementação é necessária, mas deve sempre ser individualizada e orientada por um profissional de saúde. Assim como a aplicação de injetáveis”, diz a médica.

Na avaliação da nutróloga, ignorar os sinais do corpo pode prolongar o sofrimento e comprometer a qualidade de vida, perpetuando sintomas como cansaço, fraqueza e rendimento mental mais lento.

Por isso, diante de sintomas persistentes como cansaço, tristeza sem causa aparente ou baixa imunidade, vale investigar além do óbvio. Muitas vezes, corrigir uma deficiência vitamínica é o primeiro passo para devolver energia, equilíbrio emocional e bem-estar ao organismo”, pondera.

Com Assessorias

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