O mês de abril traz uma importante campanha de saúde, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, que tem como propósito conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico preventivo e do tratamento dessa condição, que pode ser prevenida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipertensão é responsável por mais de 10 milhões de mortes no mundo a cada ano.

No Brasil, cerca de 30% da população convive com a doença – ou seja, mais de 30 milhões de brasileiros. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a hipertensão é responsável por 388 mortes diárias.

Uma pesquisa realizada nas capitais brasileiras pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), que compõe o sistema de Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), revelou um aumento no diagnóstico de hipertensão arterial entre jovens de 18 a 24 anos. Em 2021 foi registrada incidência de 3,8% nessa faixa etária, aumentando para 5,6% em 2023.

A hipertensão arterial pode surgir em qualquer idade, sendo desencadeada por uma série de fatores, incluindo estilo de vida, predisposição genética e condições médicas subjacentes. Entre os jovens, há uma associação entre os maus hábitos alimentares, falta de atividade física, tabagismo e estresse crônico”, explica o cardiologista Anis Ghattás Mitri Filho, presidente da Santa Casa de Chavantes.

O estudo da VIGITEL também apontou um aumento na prevalência de hipertensão entre os idosos. Em 2021, cerca de 61% das pessoas com mais de 65 anos tinham a doença. Em 2023, esse número aumentou para 65,1%. O especialista explica que o processo de envelhecimento é natural e envolve também o sistema sanguíneo.

Com o envelhecimento das artérias, ocorre seu endurecimento e diminuição de sua capacidade de distender. Além disso, pessoas idosas ficam mais tempo expostas a condições que favorecem o desenvolvimento da hipertensão arterial, como consumo excessivo de sal, estresse e obesidade. Condições médicas subjacentes como diabetes e doenças renais também tendem a colaborar com o desenvolvimento da hipertensão”, explica.

Fatores de risco entre as mulheres

A Hipertensão é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). Ela é diagnosticada quando os valores da pressão arterial igualam ou ultrapassam os 130/80 mmHg (ou 13 por 8). Ou seja, isso significa que o sangue circula pelas artérias com uma pressão maior do que o ideal, fazendo com que o coração exerça um esforço maior.

Em pleno crescimento, a enfermidade, que é uma doença silenciosa, perigosa e sem cura, atinge muito as mulheres brasileiras e é um importante fator de risco para a ocorrência do acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio.

A infectologista Lorena Faro, diretora médica do Grupo Alliança Saúde, afirma que as mulheres apresentam alguns fatores de risco que vão desde as alterações hormonais, devido uso de anticoncepcional e a chegada da menopausa. ao estresse em que muitas são submetidas diariamente em grandes jornadas de trabalho e excesso de responsabilidade e conciliação de papeis. Com isso, os riscos para desenvolverem doenças como a hipertensão arterial são mais comuns que aos homens.

Quais são os principais fatores de risco?

Segundo Eliana Pinto, os fatores mais conhecidos que contribuem para a doença incluem idade, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e sal, tabagismo, estresse, colesterol e histórico familiar – responsável por até 90% dos casos.

“Há outros fatores que também podem levar ao diagnóstico da doença. Entre eles, o uso frequente de anti-inflamatórios, doenças congênitas, alterações na tireoide e na glândula suprarrenal, lesões renais e até o uso de anticoncepcionais, embora em menor escala, já que as fórmulas atuais contêm doses reduzidas de estrogênio”, explica.

Como a pressão alta atua no organismo?

Essa condição crônica se caracteriza pelo aumento da pressão sanguínea nas artérias, o que demanda um esforço adicional do coração para garantir uma distribuição adequada do sangue pelo corpo. A pressão alta é um dos principais fatores de risco para uma série de problemas de saúde, incluindo doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e doença renal crônica (DRC).

A hipertensão arterial é uma doença crônica e silenciosa nas fases iniciais, dificultando o diagnóstico precoce. Muitas pessoas podem conviver com ela por anos sem perceber. “O seu agravamento pode aumentar os riscos de doenças cardiovasculares como infarto, AVC e insuficiência cardíaca”, alerta a cardiologista do Hospital Felício Rocho, Eliana Lopes Pires Pinto.

O nível pressórico desejado depende de uma avaliação criteriosa e individualizada, realizada pelo cardiologista. Os sintomas costumam aparecer apenas quando há picos de pressão. Entre os sinais mais comuns estão dores no peito, dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.

Sintomas e diagnóstico

Checkups anuais ajudam a detectar a doença no início. Especialistas destacam a importância da medição da pressão regularmente

A hipertensão não costuma apresentar sintomas, exceto em casos em que a pressão se eleva muito, podendo ocorrer dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal. Medir a pressão regularmente é a única maneira de diagnosticar a doença. Pessoas acima de 20 anos de idade devem medir a pressão pelo menos uma vez por ano. Se houver casos de pressão alta na família, deve-se medir no mínimo duas vezes por ano.

A hipertensão não tem cura, mas pode ser controlada por meio de medicamentos e tratamentos médicos. “Além de fazer o uso de medicamentos recomendado pelo seu médico, é imprescindível adotar um estilo de vida saudável, como manter o peso adequado, não abusar no consumo de sal ou de alimentos gordurosos, moderar o consumo de álcool, abandonar o fumo, praticar exercícios físicos e controlar a diabetes”, declara Dr. Anis.

Os sintomas de pressão alta geralmente quando aparecem já está na fase mais avançada da doença. É preciso ficar alerta aos pequenos sinais que podem surgir e que indicam um quadro de hipertensão. Os principais sintomas vão desde tontura e enjoo, palpitações, visão embaçada ou dupla, dificuldade para respirar, sonolência; cansaço em excesso e sangramento nasal.

Dra. Lorena também alerta para a importância de check ups periódicos que incluam exames para detectar precocemente alterações de pressão. É indicada a medição da pressão arterial a partir dos 20 anos, ao menos uma vez ao ano, para realizar um monitoramento periódico.

Mesmo sem ter sintomas, é importante a ida a um cardiologista para aferir a pressão, que deve ser feita em diferentes momentos, segundo a nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia, e fazer exames complementares, como o eletrocardiograma, exames de sangue e quando necessário o uso do holter de pressão arterial, também conhecido como monitorização ambulatorial de pressão arterial (MAPA), um exame utilizado para investigar os níveis de pressão arterial do paciente, monitorando oscilações e picos de hipertensão.

Quanto antes a doença for diagnosticada, mais cedo o tratamento é iniciado”. O tratamento da doença pode ser feito tanto por via medicamentosa ou não medicamentosa. Na segunda opção, o paciente é instruído a mudar o estilo de vida, ou seja, praticar atividade física, evitar bebidas alcóolicas, refrigerantes, frituras e alimentos com muito sal. Além disso, é recomendado diminuir a quantidade de carne vermelha e doces.

Mudança no estilo de vida colabora para melhoria da doença

Entenda como hábitos alimentares, vícios e estilo de vida podem ser fatores decisivos para prevenir a condição que afeta 30% da população brasileira. Por isso, a principal forma de prevenção é a mudança nos hábitos.

A alimentação tem um papel fundamental, principalmente na prevenção da obesidade — um dos fatores de risco. Reduzir o consumo de alimentos gordurosos, evitar vícios como o cigarro, bebidas alcoólicas e adotar atividade física são atitudes que ajudam a reduzir as chances de desenvolver a doença.

Muito além da dor de cabeça:

Silenciosa e perigosa, hipertensão atinge um em cada três adultos no Brasil

Cardiologista reforça a importância do diagnóstico precoce e desmistifica curiosidades sobre a doença

Você sabia que dor de cabeça não é um sintoma confiável de hipertensão arterial? Ou que a pressão alta pode afetar até mesmo pessoas jovens e ativas? Segundo especialistas, a hipertensão é uma condição em que a pressão arterial permanece alta ao longo do tempo, demandando mais esforço do coração e causando danos aos vasos sanguíneos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,1 bilhão de pessoas convivem com a hipertensão em todo o mundo. No entanto, apenas 20% conseguem manter a pressão controlada de forma eficaz. No Brasil, calcula-se que um em cada três adultos seja hipertenso.

Entre as principais dúvidas da população, muitos ainda acreditam que sintomas como tontura, nervosismo ou sangramento nasal indicam a doença. “Na prática, a hipertensão é geralmente assintomática. Por ser silenciosa, a pressão alta frequentemente passa despercebida até provocar eventos graves, como infarto ou AVC”, alerta o coordenador de cardiologia do Hospital Vitória Anália Franco, Miguel Antônio Moretti.

Ele alerta para fatos pouco conhecidos sobre a doença, que impactam milhões de brasileiros.

Entenda alguns fatos importantes sobre a doença:

  • Pressão alta não dá sinais claros – A maioria das pessoas hipertensas não apresentam sintomas, o que reforça a importância de aferições regulares, mesmo para quem se sente bem;
  • Diagnóstico de hipertensão – Só é confirmada quando a pressão arterial se mantém elevada – acima de 140/90 mmHg – em mais da metade do tempo. Esse controle pode ser feito por meio de exames como o MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) ou a MRPA (monitorização residencial da pressão arterial). Ambos registram a pressão ao longo de 24 horas, ajudando os médicos a identificarem padrões ocultos de hipertensão que passariam despercebidos em uma medição comum;
  • Afeta todas as idades – Embora mais comum após os 60 anos, a hipertensão pode surgir em jovens e até em crianças, especialmente se houver predisposição genética ou obesidade;
  • Sal em excesso é um vilão silencioso – Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o consumo ideal é de até 5g de sal por dia, mas o brasileiro ingere, em média, o dobro disso;
  • Estresse contribui, mas não é causa única – É um fator agravante, mas outros como sedentarismo, má alimentação e histórico familiar são mais determinantes.
  • Uma doença desafiadora – A hipertensão afeta uma parcela significativa da população em fase produtiva, o que contribui para aposentadorias precoces e sendo uma das principais responsáveis pela alta mortalidade por doenças cardiovasculares.

 

Da mesma forma que um diagnóstico preciso, o controle da pressão arterial requer, sobretudo, a adoção de práticas saudáveis. ” O controle da pressão arterial começa com a modificação dos hábitos de vida, assumindo uma alimentação com baixo teor de sal, gorduras e calorias. Paralelo a isso, a atividade física adequada e equilibrada associada a medidas para reduzir o estresse podem colaborar para manter a pressão arterial sob controle e dentro das metas. O controle da pressão reduz risco de morte e com certeza melhora a qualidade de vida”, ressalta o cardiologista.

 

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *