Cansaço excessivo, sonolência, oscilações de peso, queda de cabelo e alterações intestinais. Sintomas como esses são frequentemente atribuídos ao desgaste da rotina intensa, ao estresse ou a fases naturais da vida, como a menopausa. No entanto, esses sinais podem indicar disfunções na tireoide, uma glândula localizada na região anterior do pescoço que regula funções vitais do organismo.

O alerta ganha relevância neste Dia Internacional da Tireoide (25 de maio) especialmente a partir dos dados divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), que revelam que as mulheres concentram a grande maioria das alterações tireoidianas. A instituição analisou 179.152 exames de imagem da tireoide que apresentaram algum tipo de alteração.

O levantamento aponta uma proporção estável de seis mulheres diagnosticadas para cada homem, o que significa que o público feminino responde por cerca de 85% dos casos. A maior concentração dessas ocorrências está na faixa etária entre 40 e 65 anos, com o pico dos diagnósticos se aproximando dos 60 anos

Embora as disfunções tireoidianas sejam estatisticamente mais frequentes no público feminino, os homens não estão imunes e enfrentam riscos específicos que costumam ser silenciados.  Entre os principais impactos do hipotireoidismo na saúde masculina não tratada está a disfunção erétil, um reflexo direto do desequilíbrio metabólico e hormonal no organismo.

O alerta é do médico Helton Estrela, endocrinologista com doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)e professor associado da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Segundo o especialista, a falta de informação faz com que muitos homens demorem a buscar ajuda, atribuindo a queda de libido ou a fadiga a fatores isolados como o estresse profissional.

Mitos e verdades sobre a tireoide

Para ajudar a desmistificar o tema, o endocrinologista aponta o que é mito e o que é verdade quando o assunto envolve a tireoide.

O hipotireoidismo só surge em mulheres?

Mito. Embora a incidência seja maior nas mulheres por questões genéticas e hormonais, os homens também desenvolvem a condição. Neles, a redução na produção dos hormônios da tireoide pode interferir diretamente na saúde sexual, alterando os níveis de testosterona e a circulação, o que leva à disfunção erétil e à perda de libido.

Todo mundo que tem hipotireoidismo apresenta o “papo” no pescoço?

Mito. O aumento visível da glândula, conhecido clinicamente como bócio (ou popularmente como “papo”), era muito comum no passado devido à falta de iodo na alimentação. Hoje, com o sal iodado no Brasil, muitas vezes a glândula mantém seu tamanho normal ou pode estar até mesmo diminuída, sendo identificada apenas por exames laboratoriais.

O hipotireoidismo pode ser detectado pelo Teste do Pezinho?

Verdade. O rastreamento neonatal é uma das principais ferramentas de saúde pública. Ele é fundamental para o diagnóstico precoce do chamado hipotireoidismo congênito, uma condição que, se não tratada imediatamente após o nascimento, pode comprometer o desenvolvimento físico e cognitivo da criança.

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Os principais sintomas das alterações na tireoide

Os distúrbios mais comuns são o hipotireoidismo (tireoide lenta) e o hipertireoidismo (tireoide acelerada). Os principais sintomas variam dependendo do tipo de alteração:

Hipotireoidismo (baixa produção de hormônios)

    • Cansaço extremo e fraqueza.
    • Ganho de peso inexplicável e dificuldade para emagrecer.
    • Desânimo, sonolência excessiva e falta de libido.
    • Queda de cabelo e unhas fracas.
  • Intolerância ao frio.

Hipertireoidismo (excesso de hormônios)

    • Perda de peso rápida, mesmo com aumento do apetite.
    • Agitação, nervosismo, ansiedade e insônia.
    • Palpitações e aumento da frequência cardíaca.
    • Suor excessivo e mãos trêmulas.

Nódulos e Câncer de Tireoide

Embora a maioria dos nódulos seja benigna, nódulos em homens exigem atenção médica rigorosa, pois o risco de malignidade é maior. Os sinais de alerta incluem rouquidão, dificuldade para engolir ou um caroço palpável no pescoço.
Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito através de exames de sangue para checar os hormônios (TSH, T3 e T4 livre) e, quando necessário, ultrassonografia do pescoço. O tratamento para o hipotireoidismo consiste em reposição hormonal diária. Já o hipertireoidismo é controlado com medicações ou terapias com iodo.
Se apresentar sintomas persistentes, o ideal é procurar um endocrinologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço.

Sinais de alerta e a importância do autoexame

O Dia Internacional da Tireoide  mobiliza a comunidade médica para conscientizar a população sobre a importância de monitorar a glândula localizada no pescoço.  A realização do autoexame da tireoide é uma forma simples de o paciente conhecer o próprio corpo e identificar possíveis nódulos de forma precoce.

A palpação do pescoço não deve ser considerada o diagnóstico definitivo, mas sim o primeiro passo para que o paciente procure o médico e inicie a investigação e o tratamento adequado para o seu caso”, esclarece o Dr. Helton Estrela.

Durante o toque, o paciente deve ficar atento a alguns sinais de alerta que exigem avaliação especializada no consultório:

  • Presença de uma massa ou caroço endurecido na região do pescoço.

  • Crescimento perceptível ou relativamente rápido de alguma área da garganta.

  • Dificuldade persistente para engolir alimentos e líquidos ou dor de garganta contínua sem sinais de gripe.

Diante de sintomas persistentes ou do surgimento de sinais como rouquidão crônica, gânglios inflamados ou nódulos endurecidos na região do pescoço, a recomendação dos especialistas é buscar avaliação médica para a realização dos exames laboratoriais e de imagem adequados

Como realizar o autoexame da tireoide

Para realizar a palpação em casa de forma correta e segura, basta seguir o método estruturado pelos especialistas:

1. Posicionamento inicial – Em frente ao espelho.
Fique de pé em frente a um espelho, mantenha a coluna reta e incline o queixo levemente para cima para expor a região do pescoço.
2. Localização central – Toque suave.
Use as pontas dos dedos indicador e médio para sentir a região central do pescoço. Pressione de forma suave a parte localizada logo abaixo do pomo de Adão (o relevo no meio da garganta).

3.Movimento de deglutição – Engolir água.

Beba um pouco de água ou engula a saliva. Ao fazer isso, você deve sentir a estrutura central da tireoide subindo e descendo junto com o movimento natural da musculatura da garganta.

4.Palpação lateral – Análise das laterais.

Repita o movimento de engolir, mas deslizando os dedos cerca de um dedo de largura para os lados. Dica técnica: use a mão direita para sentir o lado esquerdo do pescoço, e a mão esquerda para examinar o lado direito.

Diante de qualquer assimetria, endurecimento ou desconforto durante o processo, a recomendação médica é agendar uma consulta com um endocrinologista para a realização de exames de sangue, como a dosagem de TSH (Hormônio Estimulador da Tireoide), e exames de imagem complementares.

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Com Assessorias

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