O hábito de checar as notificações no celular logo ao acordar, passar horas trabalhando em frente ao computador e relaxar assistindo à televisão tem cobrado um preço alto da nossa visão. O uso excessivo e prolongado de telas tem contribuído diretamente para o aumento expressivo dos casos de miopia, olhos secos e fadiga visual — problemas que já preocupam autoridades médicas globalmente. De acordo com projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o ano de 2050, metade da população mundial poderá ser míope.
Aproveitando o Dia da Saúde Ocular, lembrado em 10 de julho, médicos e entidades do setor intensificam os alertas sobre a necessidade de impor limites à rotina digital. Estudos científicos revelam que cada hora extra diária passada em frente aos dispositivos eletrônicos eleva em 21% o risco de desenvolvimento de miopia. No cenário nacional, dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) apontam que os diagnósticos da condição em crianças e adolescentes cresceram mais de 35% ao longo da última década, refletindo o isolamento em ambientes fechados e o contato precoce com a tecnologia.
Os prejuízos, contudo, não se limitam ao erro refrativo. O desconforto imediato após longas jornadas digitais tem explicação biológica. Pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) explicam que, ao fixarmos a atenção em uma tela, a frequência com que piscamos diminui drasticamente. Esse mecanismo reduz a lubrificação natural dos olhos, gerando sintomas incômodos como ardência, vermelhidão, coceira, visão embaçada e a incômoda sensação de “areia” nos olhos.
Impacto na rotina: Um estudo publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia revelou que mais de 75% dos participantes utilizavam dispositivos eletrônicos por mais de cinco horas diárias. A grande maioria relatou sofrer com episódios frequentes de vista cansada, ressecamento e turvação visual decorrentes do abuso de smartphones.
Equilíbrio e limites recomendados por idade
A principal mensagem dos especialistas para o Dia da Saúde Ocular não é a demonização da tecnologia, mas sim a busca pelo equilíbrio. Para proteger o desenvolvimento visual das gerações mais jovens, o Ministério da Saúde estabelece diretrizes claras de tempo máximo de exposição diária de acordo com a faixa etária:
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Até 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia;
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De 6 a 10 anos: no máximo 2 horas por dia;
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De 11 a 17 anos: até 3 horas diárias.
De acordo com o médico oftalmologista Herminio Bezerra Resende Filho, da Clínica SiM, a explosão de novos casos está intimamente ligada a essas transformações no estilo de vida.
Passamos cada vez mais tempo em ambientes fechados e olhando para telas posicionadas muito próximas do rosto. Esse comportamento sobrecarrega constantemente a musculatura ocular, provocando dores de cabeça e dificuldades de foco“, esclarece.
O especialista também ressalta um fator crucial frequentemente negligenciado: a falta de exposição à luz solar. Estudos demonstram que a luz natural desempenha um papel protetor essencial, pois estimula a liberação de substâncias que controlam o crescimento do globo ocular, desacelerando a progressão da miopia.
A prevenção começa com atitudes simples, como incentivar atividades ao ar livre, respeitar os limites de tempo de tela e realizar consultas periódicas para diagnosticar qualquer alteração precocemente”, orienta o médico.
O teste das telas em momentos de lazer e torcida
Os momentos de lazer coletivo, como acompanhar a Copa do Mundo 2026, também submetem nossos olhos a testes de esforço intenso. É comum que problemas de visão preexistentes, que passavam despercebidos no cotidiano, ganhem evidência nessas ocasiões.
A oftalmologista Adriana Gomes, do H.Olhos, explica que a atenção contínua voltada para a televisão acelera a evaporação da lágrima. “Manter o foco fixo nos lances exige uma concentração que nos faz esquecer de piscar. A luminosidade do aparelho aliada à baixa lubrificação agrava a Síndrome do Olho Seco, gerando cansaço e vermelhidão”, detalha a médica.
Sinais como a necessidade de se aproximar demais da TV, apertar os olhos para ler o placar, lacrimejamento constante ou dores de cabeça persistentes são alertas claros de que o corpo está sinalizando erros refrativos como miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Para mitigar esses efeitos, a recomendação médica é aproveitar os intervalos das transmissões para aplicar a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de uso de telas, faça uma pausa de 20 segundos para olhar para um ponto distante, a cerca de seis metros (como através de uma janela).
Garantir o conforto ambiental também faz a diferença. O ideal é manter o aparelho a uma distância mínima equivalente ao dobro do tamanho da tela e priorizar uma iluminação suave no ambiente, reduzindo o contraste agressivo do brilho do monitor. Cuidar da saúde visual é o primeiro passo para não perder nenhum detalhe com o máximo de nitidez e emoção.




