Conhecido como o ladrão silencioso da visão’, o glaucoma surge em consequência do aumento da pressão intraocular e gera perda da visão pela destruição gradativa do nervo óptico, estrutura que conduz as imagens da retina ao cérebro. Sem sintomas nas fases iniciais, ele costuma ser identificado apenas quando já há comprometimento da visão.
Como a perda visual é irreversível, a consulta completa com um médico oftalmologista, mesmo na ausência de sintomas, permanece como a principal forma de se proteger da doença. Por isso o acompanhamento com especialistas é fundamental. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes têm acesso a diagnóstico, acompanhamento e tratamento, incluindo colírios e procedimentos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma afeta cerca de 80 milhões de pessoas no mundo, e a previsão é que esse número chegue a 111,5 milhões até 2040. A incidência varia entre 1% e 2% na população geral, aumentando após os 40 anos e atingindo mais de 6% após os 70 anos.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia mais de 1,7 milhão de pessoas devem ter glaucoma no Brasil, sendo que metade permanece sem diagnóstico. Em 26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, mas o mês ganha a cor verde para alertar sobre a doença. Alguns grupos precisam de atenção redobrada. Entre os principais fatores de risco estão histórico familiar, idade acima de 40 anos, alta miopia e maior predisposição em pessoas negras e asiáticas, além de pessoas com diabetes.
O glaucoma é a maior causa de cegueira irreversível do mundo, e ela acontece de forma silenciosa. A única forma de sabermos se temos ou não é fazendo os exames, medindo a pressão ocular, fazendo uma fundoscopia, a avaliação do seu nervo óptico, para poder, se tiver alguma alteração, pedir exames complementares. Isso faz todo sentido para se prevenir de uma doença que não tem cura, só tratamento”, diz Henrique Rocha, presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO).
Em razão da ausência de dor ou de outro tipo de incômodo nos olhos, o glaucoma geralmente progride de forma assintomática. Um dos sinais de alerta, que indica o seu avanço é a perda da visão periférica. “Existe uma dificuldade para visualizar objetos pelo canto do olho, algo que antes ocorria naturalmente. A pessoa passa a precisar movimentar a cabeça ou os olhos para enxergar o que está fora do campo visual central”, explica o oftalmologista.
Prevenção e tratamento
A melhor maneira de se prevenir o glaucoma é indo ao médico regularmente. “A prevenção é feita em consultas oftalmológicas de rotina, por meio de exames realizados no próprio consultório como o do fundo de olho e de medição da pressão intraocular”, pontua Henrique Rocha. “Pessoas com histórico familiar de glaucoma, miopia alta, diabéticos e maiores de 40 anos precisam ter uma atenção redobrada”, completa.
Não existe cura para o glaucoma, mas a doença pode ser controlada. “O tratamento do glaucoma é geralmente para a vida toda, pois a pressão intraocular precisa ser controlada continuamente para evitar danos ao nervo óptico. Ele poderá incluir colírios, medicamentos, uso de laser e, em casos mais graves, a cirurgia. Contudo, ele é individualizado para cada caso e deve ser acompanhado por um especialista”, destaca o oftalmologista.
A negligência com dores de cabeça frequentes e o uso de colírios sem prescrição podem esconder a maior causa de cegueira irreversível no mundo.
Muitas vezes, o paciente só percebe a perda visual quando ela já atingiu cerca de 40% das fibras do nervo óptico. O grande parte da população atribui dores de cabeça ao estresse ou cansaço, quando, na verdade, elas podem ser causadas pelo aumento súbito da pressão intraocular (glaucoma de ângulo fechado)”, diz especialista do HospItal CEMA.
Leia mais
Exames de glaucoma no SUS crescem 65% em 6 anos
Glaucoma: como a IA pode ajudar no diagnóstico precoce?
Quando a vista envelhece: idade é fator de risco para glaucoma
8 mitos e verdades que você precisa saber
No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma (26/5), a informação é o melhor colírio para conscientizar sobre a principal causa de cegueira irreversível no mundo
Para conscientizar a população, o médico oftalmologista e professor do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), Jarbas Emílio de Moraes Neto, esclarece mitos e verdades sobre o glaucoma. Participam também estudantes da Liga de Oftalmologia da UniMAX, futuros médicos que já se preparam para lidar com os desafios da saúde ocular.
1. Glaucoma só atinge idosos
Mito! Embora o risco aumente com a idade, o glaucoma pode surgir em qualquer fase da vida, inclusive em recém-nascidos (glaucoma congênito) ou em adultos jovens com predisposição genética.
“A hereditariedade é um dos principais fatores de risco. Por isso, quem tem casos na família deve fazer exames oftalmológicos regulares a partir dos 35 anos”, explica o Dr. Jarbas Emílio de Moraes Neto.
2. Pessoas negras têm maior risco de desenvolver glaucoma
Verdade! Estudos mostram que pessoas negras (pretas e pardas) têm maior predisposição à doença e à sua forma mais agressiva.
3. A pressão intraocular alta sempre indica glaucoma
Mito! Nem sempre. Existem casos de glaucoma com pressão normal e casos de pressão elevada sem danos ao nervo óptico. “O diagnóstico é multifatorial. Avaliamos a pressão, mas também o nervo óptico e o campo visual do paciente”, afirma o especialista.
4. O diagnóstico precoce salva a visão
Verdade! Consultas regulares com o oftalmologista são a principal estratégia de prevenção. “Mesmo sem sintomas, é essencial incluir o exame de fundo de olho e aferição da pressão intraocular no check-up anual, principalmente após os 40 anos”, orienta Dr. Jarbas.
5. O glaucoma é reversível
Mito! Infelizmente, não é. O glaucoma provoca uma perda progressiva e irreversível da visão periférica, mas pode ser controlado se detectado precocemente. “Não há cura, mas o tratamento reduz a progressão da doença. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de preservar a visão funcional”, destaca o médico.
6. O glaucoma é uma doença silenciosa
Verdade! Essa é uma das grandes armadilhas da doença. Na maioria dos casos, não há dor nem sintomas perceptíveis no início. “O paciente só percebe que há algo errado quando já perdeu parte da visão. A perda, infelizmente, é irreversível”, alerta o Dr. Jarbas.
7. O tratamento é sempre cirúrgico
Mito! Na maioria dos casos, o tratamento inicial é clínico, com colírios e acompanhamento periódico. A cirurgia é indicada apenas quando os métodos convencionais não controlam a pressão ocular.
8. A detecção precoce depende também da atenção básica à saúde
Verdade! O diagnóstico do glaucoma muitas vezes começa com uma boa escuta e avaliação clínica na atenção primária.
“Durante a graduação, aprendemos que mesmo os profissionais que não são especialistas podem fazer a diferença ao identificar sinais de risco e encaminhar corretamente o paciente”, comenta a aluna de medicina e coordenadora da Liga de Oftalmologia da UniMAX, Cristiane Baena.
“Isso reforça a importância da formação integrada, que nos prepara para atuar com responsabilidade desde o primeiro contato com o paciente”, completa o estudante de medicina e presidente da Liga de Oftalmologia da UniMAX, Marcos Menegueti Rossi.
Agenda Positiva
Cristo Redentor ganha iluminação verde pela conscientização sobre glaucoma
Nessa terça-feira, 26 de maio, das 18h às 19h, o monumento ao Cristo Redentor será iluminado em verde para alertar sobre a importância do diagnóstico precoce do glaucoma, doença silenciosa que lidera as causas de cegueira irreversível no mundo. A iluminação é uma parceria entre o Consórcio Cristo Sustentável e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e integra a campanha “24 Horas pelo Glaucoma” – neste ano, 24 dias – promovida pelo CBO e pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), que mobiliza o país com 24 dias de cuidado e conscientização.
Outros prédios e monumentos em diferentes capitais brasileiras também recebem iluminação na mesma cor ao longo do mês de maio, que abriga o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma (26), instituído pela Lei nº 10.456/2002. A data funciona como um ponto de referência para intensificar as ações de conscientização em todo o país.
A campanha “24h pelo Glaucoma” oferece conteúdos voltados à população, médicos e gestores, com destaque para uma série de podcasts que aborda fatores de risco, adesão ao tratamento, uso correto de colírios e combate à desinformação. Todos os conteúdos veiculados ao longo do mês também estão disponíveis no site oficial da campanha.
A programação segue até os dias 27 e 28 de maio, em Brasília (DF). Em articulação com sociedades estaduais de oftalmologia, a campanha também promove atividades educativas e mobilizações locais em diversas cidades brasileiras. Na parceria com o Consórcio Cristo Sustentável, o CBO irá ajudar no desenvolvimento de ações sociais do Consórcio.
Com Assessorias





