O mês de maio ganha um tom de alerta com a campanha Maio Verde, dedicada à conscientização sobre o glaucoma. A mobilização nacional, que tem como marco o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma (26 de maio), ganha um novo fôlego este ano. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) lançaram nesta segunda-feira (4) a ação “24 Horas pelo Glaucoma – 24 Dias de Cuidado”.

Dados inéditos do CBO revelam que, entre janeiro de 2019 e dezembro de 2025, mais de 12 milhões de exames diagnósticos foram realizados via Sistema Único de Saúde (SUS). O volume anual saltou de 1,3 milhão para 2,2 milhões de procedimentos, um crescimento de 65%. Entretanto, o acesso é desigual: enquanto o Sudeste registrou alta de 115%, o Nordeste avançou apenas 36%.

O inimigo silencioso da visão

O glaucoma é uma neuropatia óptica caracterizada pelo dano progressivo ao nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular. Por ser assintomática nas fases iniciais, a doença é frequentemente descoberta quando a perda visual — que começa pela periferia — já está avançada.

A perda visual evolui de forma lenta. Quando o paciente nota sintomas, a doença já pode estar em estágio avançado. Como a visão perdida não pode ser recuperada, o diagnóstico precoce é decisivo”, explica o oftalmologista Rodrigo Carvalho.

A médica oftalmologista do Hospital Oftalmos, Carolina Rottili Daguano, reforça que, em quadros graves, a redução do campo de visão compromete tarefas simples, como dirigir ou caminhar. “Na etapa final, a evolução pode resultar em perda total e permanente da visão”, alerta.

Fatores de risco e predisposição

Embora seja mais comum após os 40 anos, o glaucoma pode atingir jovens e até bebês (forma congênita). Os principais fatores de risco incluem:

  • Histórico familiar: Parentes de primeiro grau têm maior chance de desenvolver a doença.

  • Etnia: Pessoas negras e asiáticas apresentam maior predisposição.

  • Condições médicas: Diabetes, alta miopia e uso prolongado de corticoides.

  • Histórico ocular: Traumas ou cirurgias prévias nos olhos.

Tipos e diagnóstico

As formas mais frequentes são o Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) e o Glaucoma Primário de Ângulo Fechado (GPAF). Há também casos raros de glaucoma com pressão intraocular normal, o que reforça a necessidade de exames detalhados.

O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação oftalmológica completa, incluindo:

  1. Tonometria: Medição da pressão intraocular.

  2. Fundoscopia: Avaliação do nervo óptico.

  3. Exames complementares: Campimetria (campo visual), Gonioscopia, Retinografia e Tomografia de Coerência Óptica (OCT).

Tratamento e Prevenção

O objetivo principal é controlar a pressão intraocular para frear a progressão do dano. As opções variam conforme o caso:

  • Colírios: Primeira linha de tratamento para controle da pressão.

  • Laser: Tem ganhado espaço pela eficácia e segurança em diversos estágios.

  • Cirurgia: Indicada para casos avançados ou quando não há resposta aos tratamentos anteriores.

A recomendação dos especialistas é clara: pessoas sem fatores de risco devem realizar uma avaliação oftalmológica anual. Para aqueles nos grupos de risco, o acompanhamento deve ser individualizado e mais frequente. Pelo SUS, a população tem acesso gratuito a diagnóstico, acompanhamento e medicação.

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Com Assessorias

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