A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora um possível surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico. Até o momento, três mortes foram registradas e pelo menos outras três pessoas estão doentes — uma delas em estado crítico em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Joanesburgo, na África do Sul. Foi neste paciente que uma variante do hantavírus foi laboratorialmente identificada.

A operadora Oceanwide Expeditions confirmou a “situação médica grave” a bordo. O cronograma de óbitos iniciou em 11 de abril, com um passageiro holandês. No dia 27, sua esposa também faleceu. No último sábado (2), um passageiro alemão morreu a bordo, mas a causa exata ainda é investigada. Atualmente, dois tripulantes apresentam sintomas respiratórios agudos e aguardam autorização para atendimento urgente.

A embarcação permanece isolada na costa de Cabo Verde com 149 pessoas de 23 nacionalidades — não há brasileiros na lista. As autoridades sanitárias locais coordenam a triagem, e há possibilidade de o navio seguir para Las Palmas ou Tenerife para facilitar o desembarque e o tratamento dos ocupantes.

O que é o hantavírus e como ocorre a transmissão

De acordo com a OMS, os hantavírus são vírus zoonóticos que infectam naturalmente roedores e são transmitidos ocasionalmente a seres humanos. A infecção ocorre principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de animais infectados.

Embora rara, a transmissão entre pessoas pode ocorrer em variantes específicas, como o vírus Andes (comum na Argentina e no Chile), através de contato próximo e prolongado. As manifestações clínicas variam por região:

  • Américas: Comumente causa a síndrome cardiopulmonar, que afeta pulmões e coração.

  • Europa e Ásia: Frequentemente evolui para febre hemorrágica com síndrome renal.

Sintomas e diagnóstico

Os sinais iniciais costumam surgir entre uma e seis semanas após a exposição. Os sintomas típicos incluem:

  • Febre e dores musculares;

  • Dores de cabeça;

  • Distúrbios gastrointestinais (náuseas, vômitos e dor abdominal).

Em estágios avançados, a doença progride para falta de ar, acúmulo de líquido nos pulmões ou insuficiência renal. O diagnóstico precoce é um desafio, pois os sintomas se confundem com os de gripe, Covid-19 e leptospirose. A confirmação é feita via testes sorológicos ou moleculares (RT-PCR).

Prevenção e controle

Não existe um tratamento específico para o hantavírus; o suporte médico foca no controle das complicações e monitoramento clínico. A prevenção baseia-se em evitar o contato com roedores e seus excrementos. A OMS recomenda:

  1. Manter locais de trabalho e residências limpos e vedados.

  2. Armazenar alimentos em recipientes seguros.

  3. Nunca varrer fezes de roedores a seco (para evitar a inalação de partículas); deve-se sempre umedecer a área com desinfetantes antes da limpeza.

A situação no MV Hondius segue sob investigação epidemiológica e sequenciamento viral para identificar a origem exata da contaminação.

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