A Semana Mundial do Brincar (SMB), campanha anual promovida pela Aliança pela Infância, mobiliza escolas, ONGs, parques e prefeituras em todo o país entre os dias 23 e 31 de maio de 2026. Culminando no Dia Mundial do Brincar (28 de maio), o evento traz como tema oficial “A Potência dos Encontros”, celebrando a convivência coletiva, o brincar livre e o fortalecimento de vínculos comunitários pacíficos.

No entanto, o cenário atual exige que este período vá além da diversão: trata-se de uma oportunidade crucial para refletir sobre os complexos desafios da infância em um mundo cada vez mais conectado. A digitalização avança a passos largos, mas a alta exposição e a falta de privacidade de crianças e adolescentes no ambiente virtual acendem um alerta para as famílias e autoridades.

Vulnerabilidade na rede: segurança digital e privacidade em xeque

De acordo com a pesquisa Global Cybersecurity Index 2024, realizada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), a maioria dos países já possui leis e regulamentações voltadas à proteção infantil online. Contudo, apenas 94 nações contam com estratégias específicas em vigor para este fim, sendo o Brasil reconhecido como um dos países ativos na consolidação desse cenário de proteção.

A urgência por medidas robustas é ratificada por dados domésticos. A pesquisa TIC Kids Brasil apontou que 95% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos já acessam a internet, utilizando o telefone celular como o principal dispositivo de navegação. O dado mais alarmante da investigação revela que um terço dos perfis de menores em redes sociais são totalmente abertos, o que amplia drasticamente os riscos de exposição a criminosos, assédio e vazamento de dados.

Para Luiza Dias, diretora presidente da GlobalSign Brasil — empresa de segurança cibernética e a única Autoridade Certificadora de raiz internacional presente fisicamente no país —, a capacitação é o melhor caminho para a prevenção: “À medida que crianças e jovens acessam a internet, é imprescindível protegê-los e capacitá-los para se tornarem participantes ativos na criação de um ciberespço mais seguro e confiável.”

Luiza Dias ressalta que, além de blindar a navegação, é urgente dosar o tempo de exposição às telas e conscientizar os jovens sobre os contextos exatos em que o uso do celular prejudica os processos de aprendizagem e o desenvolvimento biopsicossocial.

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O impacto das telas na primeira infância e na saúde

A presença dos dispositivos eletrônicos começa muito antes da idade escolar. Um levantamento nacional realizado em agosto de 2025 pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Datafolha, revelou indicadores profundos sobre o hábito das famílias brasileiras:

  • Até 3 anos de idade: 78% das crianças já utilizam telas diariamente.

  • Entre 4 e 6 anos de idade: O índice de uso diário dispara para 94%.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, mais de 80% das famílias confessam recorrer aos aparelhos para acalmar ou entreter os filhos pequenos. No Norte, o índice registra uma leve redução, embora permaneça elevado.

Esse comportamento faz com que quase metade das crianças brasileiras de 0 a 6 anos exceda as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que orienta o uso zero para bebês e, no máximo, uma hora por dia para a faixa entre 2 e 5 anos.

Compilações do NIC.br e da ONU posicionam o Brasil entre os países com maior índice de uso de internet por crianças e adolescentes no mundo, um padrão diretamente associado à queda de atividades físicas, redução de horas de sono e escassez de interações sociais ao vivo.

Semana Mundial do Brincar

A Semana Mundial do Brincar (SMB) é uma campanha anual da Aliança pela Infância para conscientizar sobre a importância do brincar no desenvolvimento. Em 2026, o evento ocorre entre 23 e 31 de maio, culminando no Dia Mundial do Brincar (28 de maio), tendo como tema oficial “A Potência dos Encontros”.

Este tema celebrou a convivência coletiva, a importância dos vínculos e como o brincar livre conecta pessoas, respeita as diferenças e constrói comunidades mais pacíficas. Escolas, ONGs, parques e prefeituras em todo o Brasil (incluindo coletivos no Rio de Janeiro) organizam oficinas, rodas de conversa e atividades lúdicas gratuitas ao longo desses dias.

Para conferir o material educativo completo sobre o desenvolvimento infantil ou acessar os guias das edições anteriores da campanha, os leitores podem visitar o portal oficial da Aliança pela Infância.

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