O uso da cannabis medicinal no Brasil atravessa um momento de consolidação focado no bem-estar e na qualidade de vida dos pacientes. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reunidos pelo ecossistema de saúde Cannect revelam que, apenas nos primeiros seis meses do ano, foram concedidas 116.372 autorizações para importação de produtos à base da planta — uma alta de quase 29% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O volume constante, que mantém uma média próxima a 20 mil pedidos mensais, sinaliza que a terapia deixou de ser um recurso de exceção para se tornar um tratamento contínuo de manutenção. As evidências científicas e de vida real têm impulsionado a adesão médica e de pacientes ao tratamento de diferentes condições de saúde.

Tratamento de dores crônicas, ansiedade e insônia

Terapia canabinoide deixa de ser opção alternativa e passa a integrar a rotina de pacientes com condições crônicas

Segundo dados do Estudo Guarda-Chuva Cannect Cuida, a busca por terapias à base de canabinoides no país é motivada principalmente pelo manejo de:

  • Ansiedade: 38,5% das indicações

  • Dor crônica: 25,4% das indicações

  • Insônia e distúrbios do sono: 13,5% das indicações

Além dessas condições, a terapia canabinoide consolida seu espaço na neurologia, atuando como suporte essencial no acompanhamento de pacientes com autismo, doença de Parkinson, Alzheimer e quadros de epilepsia refratária.

Avanço na regulamentação amplia acesso e prescrição

A atualização do marco regulatório pela Anvisa, com a entrada em vigor da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 1.015/2026 em substituição à antiga RDC 327/2019, trouxe avanços importantes para a segurança dos pacientes. A nova norma estabeleceu que o Brasil está oficialmente autorizado a exportar produtos de cannabis finalizados, bem como insumos farmacêuticos ativos (IFAs ou APIs, na sigla em inglês) e extratos.

A medida permite que o país deixe de atuar apenas como importador de tecnologia e matérias-primas e passe a figurar na cadeia global de fornecimento. O avanço acompanha as diretrizes para o cultivo nacional destinado a fins medicinais e científicos — fruto de determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) —, o que fortalece a rastreabilidade, a segurança jurídica e a eficiência produtiva das empresas instaladas no país.

A nova norma ampliou as vias de administração dos produtos, liberou a manipulação do fitofármaco CBD em farmácias magistrais e incluiu cirurgiões-dentistas no rol de profissionais autorizados a prescrever os tratamentos.

Adesão contínua e suporte médico no centro do cuidado

Especialistas ressaltam que o acompanhamento médico multidisciplinar e a busca por produtos devidamente regulamentados são indispensáveis para garantir a eficácia do tratamento e evitar a interrupção das terapias, oferecendo uma jornada de cuidado segura para a saúde integrativa do paciente.

Na avaliação de Allan Paiotti, CEO da Cannect, o mercado brasileiro de cannabis medicinal vive um momento de inflexão e expansão estrutural. Além do crescimento acelerado do consumo interno, o ecossistema nacional passa a se integrar de forma definitiva ao comércio internacional.

A estabilidade nas importações prova que os pacientes não estão apenas testando a cannabis medicinal, mas mantendo seus tratamentos rigorosamente em dia porque encontram qualidade de vida real. Estamos presenciando a consolidação da cannabis como uma alternativa terapêutica de longo prazo para o manejo de dores crônicas, ansiedade e outras patologias”, afirma o executivo.

Paiotti destaca que a adesão contínua reflete o amadurecimento da relação entre médicos e pacientes. “Temos observado um avanço importante nas evidências de vida real. O grande desafio no tratamento de condições crônicas sempre foi evitar o abandono. Quando os dados governamentais mostram a manutenção desse alto volume de pedidos, fica claro que a estruturação de ecossistemas de saúde e o suporte de equipes multidisciplinares estão fazendo a diferença para dar segurança ao paciente brasileiro em sua jornada”, conclui.

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Consolidação no mercado interno impulsiona o setor

A abertura das fronteiras para a exportação ocorre em paralelo à consolidação do uso terapêutico de canabinoides no próprio território brasileiro. A consistência dos números reflete a resposta clínica positiva no dia a dia dos pacientes. O histórico do primeiro semestre demonstra o patamar em que o setor se estabeleceu:

  • Janeiro: 18.998 autorizações

  • Fevereiro: 18.965 autorizações

  • Março: 23.199 autorizações (pico histórico da série iniciada em 2015)

  • Abril: 18.616 autorizações

  • Maio: 18.339 autorizações

  • Junho: 18.255 autorizações

Atualizações regulatórias e projeções de mercado

Entrada em vigor no início de maio de 2026 para substituir a RDC 327/2019, a RDC 1.015/2026 também trouxe inovações para a prescrição e distribuição no mercado doméstico. A norma autorizou a manipulação exclusiva do fitofármaco CBD em farmácias magistrais, incluiu cirurgiões-dentistas no rol de prescritores e ampliou as vias de administração dos produtos.

A combinação entre regulamentação do plantio, autorização de exportação e maior segurança prescritiva atrai investimentos institucionais para o Brasil. Estimativas de mercado publicadas pelo Anuário da Cannabis Medicinal (Kaya Mind) indicam que o setor no país pode movimentar mais de R$ 1,1 bilhão em 2026, consolidando a transição do mercado de um uso experimental para uma indústria farmacêutica completa.

Com informações da Cannect

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