A frase “Tem comida saudável em casa”, dita recentemente pela cantora Shakira em resposta ao filho que pedia um lanche fast-food, viralizou nas redes sociais. O momento reforça que, na busca por uma rotina alimentar equilibrada dentro de casa, os ultraprocessados não devem ser a regra.

O episódio demonstra que o papel da família no momento das refeições é determinante, especialmente porque crianças e adolescentes são mais vulneráveis ao marketing alimentar, que explora cores, formatos e sabores intensos para atrair esse público.

Fast-food e o risco de ganho de peso

Apesar da praticidade, opções comuns de fast-food — como hambúrgueres, pizzas, frango frito e batatas fritas — costumam apresentar alto teor de gorduras saturadas, açúcares e sódio. O consumo excessivo de sódio está associado ao aumento da pressão arterial e ao maior risco de doenças cardiovasculares e renais.

Além disso, refeições preparadas fora de casa dificultam o controle exato dos ingredientes utilizados. A ingestão frequente desse tipo de alimento contribui diretamente para o ganho de peso e o desenvolvimento de enfermidades crônicas.

Hoje, a maioria das pessoas sabe que deve consumir mais frutas, verduras e legumes e reduzir alimentos ultraprocessados. O desafio é transformar essa informação em prática dentro de uma rotina intensa, marcada por trabalho, deslocamentos e múltiplas responsabilidades”, explica a nutricionista Alexandra Corrêa de Freitas, professora do curso de Nutrição da Faculdade Santa Marcelina.

O impacto do ambiente nas escolhas do dia a dia

De acordo com a professora Alexandra Corrêa, o ambiente alimentar exerce forte influência sobre as decisões diárias. Alimentos ultraprocessados e refeições rápidas costumam estar mais disponíveis no comércio, amplamente divulgados e associados à conveniência.

Estudos de saúde pública mostram que o contexto social e comercial afeta diretamente os hábitos de consumo. Assim, manter uma alimentação saudável não depende apenas de informação individual ou força de vontade, mas também de fatores sociais, econômicos e ambientais.

Como a publicidade direciona o consumo no supermercado

Ultraprocessados: como o marketing influencia suas escolhas alimentares

A decisão por um produto no supermercado muitas vezes vai além da necessidade nutricional ou do estímulo da fome. Fatores como cores de embalagens, promoções, aromas e o posicionamento estratégico dos itens nas gôndolas despertam respostas emocionais nos consumidores.

Pesquisadores da Harvard T.H. Chan School of Public Health apontam que os alimentos ultraprocessados recebem destaque comercial por meio de estratégias visuais e táticas de ponto de venda, como a alocação em pontas de gôndola e caixas de pagamento. O supermercado opera, assim, como um ambiente planejado para induzir escolhas.

Esse cenário causa preocupação em autoridades de saúde, uma vez que a presença frequente de ultraprocessados na dieta — especialmente carnes processadas e bebidas açucaradas — está associada ao aumento de doenças como diabetes tipo 2, obesidade e enfermidades cardiovasculares, além de maior risco de mortalidade prematura.

Descasque mais e desembale menos

Priorizar alimentos in natura e minimamente processados melhora a qualidade de vida a longo prazo. Pesquisas publicadas pela Escola de Saúde Pública T.H. Chan, da Universidade de Harvard, indicam que o consumo de duas porções de frutas e três porções de vegetais por dia compõe uma combinação adequada para a promoção da longevidade.

O guia alimentar de Harvard recomenda a base da dieta centrada em frutas, verduras, grãos integrais e gorduras saudáveis, combinada com o controle de porções e a redução de sal e açúcares adicionados.

A leitura atenta dos rótulos e a seleção consciente dos itens no momento das compras garantem maior autonomia sobre o que é consumido na rotina familiar. Como sintetizou a medicina clássica atribuída a Hipócrates: “Que o seu alimento seja o seu remédio e que o seu remédio seja o seu alimento”.

Foto: Freepik
Texto produzido a partir de conteúdos extraído do site Comida na Mesa – ver aqui e aqui
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