O adversário do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026 já está definido. No próximo domingo (5), a seleção enfrenta a Noruega em busca de uma vaga na próxima etapa. Não será um confronto simples. Na equipe nórdica, nossos jogadores devem ficar de olho no seu principal jogador: Erling Haaland.
Com 1,95 metro de altura e calçando o número 47, o atacante também virou assunto fora dos gramados. Nas redes sociais, vídeos mostram o jogador supostamente levando um susto ao se ver, de boca cheia, refletido no espelho de um restaurante. A cena parece espontânea, divertida e convincente. Mas é falsa.
O vídeo foi manipulado com Inteligência Artificial, segundo o Fato ou Fake do G1. O episódio é mais um entre tantos conteúdos produzidos para viralizar durante a Copa, explorando a curiosidade do público e a facilidade com que imagens em movimento despertam credibilidade.
A desinformação já não depende apenas de textos ou fotografias alteradas. Vídeos sintéticos, montagens e cenas retiradas de contexto circulam em alta velocidade, muitas vezes compartilhados por pessoas que sequer imaginam estar propagando uma falsificação.
Grandes eventos esportivos sempre atraíram boatos e rumores. A diferença é que, agora, ferramentas de Inteligência Artificial (IA) permitem produzir conteúdos falsos com qualidade suficiente para enganar até usuários atentos. Quanto maior a audiência, maior também o incentivo para criar vídeos capazes de gerar cliques, engajamento e desinformação.
Antes de compartilhar um vídeo que desperte surpresa, indignação ou humor, vale a pena fazer uma pausa. Verifique se a publicação foi feita por um veículo de imprensa confiável, procure outras fontes que confirmem a história e desconfie de cenas extraordinárias que aparecem sem contexto.
Na Copa de 2026, os gols acontecem dentro de campo. Fora dele, a disputa também é contra os vídeos manipulados que tentam transformar ficção em realidade.
O vídeo manipulado de Haaland é apenas um exemplo de um fenômeno maior. Em grandes eventos esportivos, a desinformação encontra um ambiente perfeito para se espalhar. A paixão pelo futebol reduz nossa disposição para questionar aquilo que confirma expectativas, provoca indignação ou simplesmente diverte. Antes mesmo do apito inicial, a disputa pela nossa atenção já acontece também nas redes sociais.
É por esse motivo que a Copa pode se transformar em uma excelente oportunidade educativa. Em vez de apenas acompanhar os resultados, escolas podem aproveitar o interesse dos estudantes para discutir como circulam as informações, por que determinados conteúdos viralizam e quais interesses existem por trás de determinadas publicações.
Mais do que perguntar se uma notícia é verdadeira ou falsa, vale ensinar os estudantes a investigar quem a produziu, quando foi publicada e qual sua finalidade. Um vídeo impressionante pode ter sido retirado de contexto. Uma imagem pode ter sido criada por IA. Uma manchete pode existir apenas para atrair cliques e receita publicitária. Desenvolver esse hábito de verificar a fonte antes de compartilhar é uma habilidade tão importante quanto interpretar um texto ou resolver um problema de matemática.
A Copa também permite observar a desinformação em tempo real. Diferentemente de analisar casos históricos, o estudante acompanha o nascimento de boatos, a velocidade com que eles se espalham e as correções feitas por agências de checagem. Ao mesmo tempo, percebe como os algoritmos das plataformas privilegiam conteúdos capazes de provocar reações emocionais, ampliando o alcance de vídeos manipulados, memes e narrativas fora de contexto.
Esse trabalho dialoga diretamente com a BNCC Computação, cuja implementação passa a ser obrigatória em todas as escolas brasileiras a partir de 2026. O pensamento computacional pode ser desenvolvido por meio de processos de checagem de informações. O eixo Mundo Digital ajuda a compreender como plataformas, algoritmos e sistemas de recomendação influenciam aquilo que vemos. Já a Cultura Digital convida os estudantes a refletirem sobre autoria, ética, IA e responsabilidade na produção e no compartilhamento de conteúdos.
No fim, a maior vitória não é identificar um vídeo falso sobre um jogador famoso. A intencionalidade pedagógica deve ser formar pessoas capazes de desconfiar antes de compartilhar, verificar antes de acreditar e compreender que, no ambiente digital, exercer a cidadania também significa assumir responsabilidade pela informação que colocamos em circulação.



