Com a queda das temperaturas, é comum sentir mãos e pés mais gelados. No entanto, quando essa reação do corpo ultrapassa o desconforto habitual e os dedos passam a apresentar tonalidades esbranquiçadas, arroxeadas ou avermelhadas, o quadro merece atenção médica. Trata-se do fenômeno de Raynaud, uma condição que afeta entre 3% e 5% da população mundial, caracterizada por uma resposta exagerada dos vasos sanguíneos ao frio ou ao estresse emocional.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o problema ocorre porque os vasos sanguíneos das extremidades — principalmente dedos das mãos e pés — se contraem de forma mais intensa do que o normal, reduzindo temporariamente o fluxo de sangue na região.

O ciclo de mudanças na coloração

Durante uma crise, a pele costuma passar por uma sequência típica de cores, conforme explica o cirurgião vascular Edwaldo Joviliano, presidente da SBACV:

  1. Fase pálida/esbranquiçada: Ocorre devido à contração excessiva dos vasos, que diminui drasticamente o fluxo sanguíneo local.

  2. Fase azulada/arroxeada: Surge pela diminuição da oxigenação dos tecidos na região afetada.

  3. Fase avermelhada: Acontece quando a circulação retorna ao normal, podendo ser acompanhada de formigamento, ardência ou dor.

Fenômeno ou doença de Raynaud: qual a diferença?

É comum confundir os termos, mas existe uma distinção importante. A “doença de Raynaud” (ou Raynaud primário) refere-se a casos isolados, que ocorrem sem associação com outras enfermidades. Já o “fenômeno de Raynaud” é um conceito mais abrangente, que engloba tanto os quadros primários quanto os secundários.

O perigo reside nos casos secundários, que podem estar ligados a doenças autoimunes, como esclerose sistêmica, lúpus e síndrome de Sjögren. Por isso, a avaliação de um angiologista ou cirurgião vascular é essencial para diferenciar um quadro benigno de uma condição que exige tratamento específico.

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Quando procurar um médico?

Martim Elviro, médico da família e professor de Medicina, ressalta que, embora muitos casos sejam benignos, certos sinais de alerta devem levar o paciente ao consultório:

  • Surgimento dos sintomas após os 30 anos;

  • Crises de dor intensa;

  • Presença de feridas ou úlceras nos dedos;

  • Assimetria importante entre as mãos;

  • Histórico pessoal ou familiar de doenças reumatológicas.

Como prevenir crises no inverno?

A prevenção baseia-se, principalmente, na proteção térmica e na mudança de hábitos. As recomendações dos especialistas incluem:

  • Proteção das extremidades: Utilizar luvas, meias quentes e manter os ambientes aquecidos.

  • Evitar gatilhos: Fugir de mudanças bruscas de temperatura e do estresse emocional excessivo.

  • Estilo de vida: Abandonar o tabagismo — que prejudica a circulação — e manter a prática regular de exercícios físicos e uma alimentação equilibrada.

Em situações onde as medidas de estilo de vida não são suficientes, o acompanhamento médico pode incluir o uso de medicamentos específicos para melhorar o fluxo sanguíneo. O diagnóstico precoce e o monitoramento regular são as chaves para minimizar as crises e garantir qualidade de vida, mesmo nos meses mais frios.

Fontes:

Com Assessorias

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