A vacinação infantil no Brasil ganha um reforço histórico a partir da segunda quinzena de junho, com data prevista para o início das aplicações em 15 de junho. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que confirmou a chegada da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) às Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país. O imunizante, que antes estava restrito à rede privada com custo superior a R$ 500 por dose, passa a ser gratuito para os públicos prioritários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A incorporação ocorre em um momento crucial de combate às doenças respiratórias e infecções bacterianas invasivas. Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos. Na população de crianças menores de 5 anos — um dos principais alvos da nova campanha —, foram registradas 616 ocorrências e 188 mortes decorrentes da infecção pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo).

Entenda a diferença entre as vacinas pneumocócicas

A principal dúvida de pais, responsáveis e pacientes costuma girar em torno da variedade de siglas disponíveis no mercado: Pneumo 10, 13, 15, 20 e 23. De acordo com especialistas em imunização, o número que acompanha o nome de cada vacina indica a quantidade exata de sorotipos (variantes) da bactéria que ela é capaz de combater. Quanto maior o número, mais abrangente é o escudo de proteção.

Além do número de sorotipos, a tecnologia de fabricação também divide as vacinas em dois grupos: as conjugadas (tecnologia mais moderna que induz memória imunológica de longo prazo e impede a transmissão da bactéria) e as polissacarídeas (que atuam como um reforço complementar focado em idosos e pacientes crônicos).

Veja o comparativo de cada versão:

Vacina Tipo de Tecnologia Cobertura Disponibilidade e Indicação
Pneumo 10 Conjugada 10 sorotipos Foi a base do calendário infantil do SUS desde 2010. Agora, entra em fase de descontinuação progressiva à medida que os estoques acabarem.
Pneumo 13 Conjugada 13 sorotipos Oferece proteção ampliada em relação à Pneumo 10. Antes disponível no SUS apenas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) para pacientes com comorbidades.
Pneumo 15 Conjugada 15 sorotipos Versão moderna de alta cobertura, encontrada predominantemente no setor privado.
Pneumo 20 Conjugada 20 sorotipos A grande novidade do SUS. Une a tecnologia conjugada à maior cobertura do mercado para crianças e adultos, incluindo proteção contra os temidos sorotipos 3, 6A e 19A.
Pneumo 23 Polissacarídea 23 sorotipos Utiliza uma tecnologia diferente. Não é voltada para a rotina de bebês, sendo aplicada de forma complementar em idosos e pacientes imunossuprimidos.

O grande diferencial que motivou a guinada do Ministério da Saúde em direção à Pneumo 20 foi o combate ao fenômeno do replacement (substituição epidemiológica). Após anos de sucesso da Pneumo 10 — que reduziu em até 65% os casos de meningite em bebês —, variantes que não estavam no radar do antigo imunizante começaram a ocupar espaço e a causar quase 40% das infecções graves registradas recentemente. A Pneumo 20 cobre justamente essas lacunas.

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Quem tem direito à Pneumo 20 de graça no SUS?

Nesta primeira fase de implementação nacional, os critérios do Programa Nacional de Imunizações (PNI) direcionam os estoques para os grupos com maior vulnerabilidade a complicações respiratórias e óbitos:

  • Crianças menores de 5 anos;

  • Povos indígenas maiores de 5 anos de idade (que não tenham histórico vacinal prévio com outras vacinas pneumocócicas conjugadas);

  • Idosos com 60 anos ou mais que estejam acamados e/ou institucionalizados (residentes em abrigos e lares de longa permanência);

  • Pacientes com condições clínicas especiais (como pessoas vivendo com HIV/Aids, pacientes oncológicos, transplantados e portadores de doenças crônicas cardíacas, pulmonares ou renais) atendidos diretamente via CRIE.

O novo esquema vacinal de transição para as crianças

O Ministério da Saúde já iniciou a distribuição do primeiro lote com 514 mil doses da Pneumo 20. A estimativa é entregar mais de 6,1 milhões de ampolas até o final deste ano. Para otimizar o uso do estoque existente da antiga Pneumo 10 e acelerar a introdução da nova proteção, o esquema de aplicação nas salas de vacina foi temporariamente redesenhado:

  • Aos 2 meses: A criança recebe a primeira dose já com a nova Pneumo 20;

  • Aos 4 meses: Aplica-se a Pneumo 10 (aproveitando os estoques vigentes nos municípios);

  • Aos 12 meses (Dose de Reforço): Retorna-se com a Pneumo 20, garantindo que o ciclo se encerre com a máxima proteção contra os 20 sorotipos. O intervalo mínimo exigido entre a segunda dose e este reforço é de 60 dias.

Assim que as doses da Pneumo 10 forem totalmente esgotadas em cada município, o SUS passará a adotar o esquema linear utilizando exclusivamente a Pneumo 20 em todas as etapas de aplicação. Os pais e responsáveis podem acompanhar a atualização e o histórico de doses de seus filhos em tempo real pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, integrada ao aplicativo Meu SUS Digital.

Serviço: Onde e quando se vacinar

A vacinação começa de forma escalonada a partir de 15 de junho, dependendo do fluxo de entrega de cada Secretaria de Estado de Saúde aos seus respectivos municípios. Para vacinar os pequenos, basta comparecer à Unidade Básica de Saúde mais próxima levando o documento de identidade da criança e a Caderneta de Vacinação física.

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