Além dos resultados específicos de cada estudo científico, a Asco 2026, consolidou tendências que vêm se fortalecendo nos últimos anos. A principal mensagem do congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), é que a Oncologia caminhada a passos largos para um modelo em que a compreensão da biologia do tumor, o uso racional das tecnologias disponíveis e a participação ativa dos pacientes nas decisões clínicas se tornam elementos inseparáveis.
Esta é a avaliação do urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR), que acompanhou de perto os resultados apresentados em Chicago (EUA). Para o especialista, que coordena os departamentos cirúrgicos oncológicos e da Medicina Genômica da BP — A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o avanço é marcado por uma assistência orientada pela biologia molecular.
Segundo ele, a Oncologia vive um período de transição de um modelo baseado predominantemente no órgão de origem do tumor para uma abordagem cada vez mais orientada pelas características biológicas da doença. Neste sentido ganharam espaço discussões sobre inteligência artificial, patologia digital, análise de grandes bases de dados e perfilagem multiômica, tecnologias que vêm sendo incorporadas gradualmente aos processos de diagnóstico, estratificação de risco e planejamento terapêutico.
Outra tendência destacada ao longo do congresso foi a expansão de terapias-alvo e imunoterapias para fases mais precoces da doença. Medicamentos inicialmente utilizados em cenários avançados passam a ser avaliados antes da cirurgia ou após procedimentos com intenção curativa, com o objetivo de aumentar as chances de controle prolongado e, potencialmente, de cura.
Os estudos apresentados mostraram que decisões sobre uso de quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia dependem cada vez mais da identificação de alterações específicas presentes no tumor. Essa mudança permite direcionar tratamentos para pacientes com maior probabilidade de benefício e reduzir a exposição a toxicidades desnecessárias.
Estamos vendo o amadurecimento de uma oncologia de precisão, onde o perfil genético do tumor define uma rota mais eficaz e com menos toxicidade”, avalia.
Leia mais em Câncer Tem Cura – Especial Asco 2026
Oncologia de precisão: avanços podem mudar o futuro do câncer
Novo medicamento dobra sobrevida no câncer de pâncreas
Ciência confirma elo do câncer com metabolismo e estilo de vida
O paciente no centro da decisão clínica
Se a medicina de precisão foi um dos principais temas científicos, a participação dos pacientes nas decisões terapêuticas também foi um dos temas centrais do congresso sob a perspectiva assistencial. “Mais do que um conjunto de resultados, a Asco 2026 reforçou que a decisão terapêutica tende a ser cada vez mais compartilhada, com o paciente como participante ativo e não apenas receptor do tratamento
Ainda segundo o especialista, essa mudança pode ser observada em diferentes frentes. Uma delas é o fortalecimento de iniciativas de advocacy e participação de pacientes dentro do próprio congresso. Outra é a crescente valorização de desfechos relacionados à qualidade de vida e à tolerabilidade dos tratamentos.
Outro tema debatido durante o encontro foi a importância da comunicação aberta entre pacientes e equipes de saúde. Especialistas destacaram que alguns pacientes deixam de relatar sintomas por receio de interromper tratamentos ou perder acesso a determinadas terapias, o que pode comprometer o cuidado.
A discussão, complementa Guimarães, parte do reconhecimento de que os objetivos dos médicos nem sempre são idênticos aos objetivos dos pacientes. Enquanto o profissional pode priorizar ganhos de sobrevida, muitas pessoas valorizam igualmente aspectos relacionados ao bem-estar, à autonomia e à capacidade de manter suas atividades cotidianas.
Compreender preferências individuais, condições clínicas associadas e expectativas pessoais passa a ser parte fundamental da construção das estratégias terapêuticas”, diz o urologista.
Na avaliação de Gustavo Guimarães a mensagem final do evento é que a inovação em oncologia não está apenas no desenvolvimento de novos medicamentos, mas também na forma como as decisões são tomadas.
Acompanhe o nosso especial Câncer Tem Cura e fique por dentro das principais notícias da Oncologia
👉 Clique aqui para entrar no canal oficial do Portal Vida e Ação no WhatsApp e receba nossos conteúdos diariamente!
Com Assessorias




