Nem todas as novidades da reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago, envolveram apenas novos medicamentos. Uma das tendências mais marcantes do evento foi o entendimento consolidado de que combater o câncer vai muito além das salas de cirurgia, da quimioterapia e das terapias-alvo.
Fatores metabólicos e comportamentais foram integrados de forma rigorosa às evidências científicas, mostrando que o estilo de vida e o equilíbrio do organismo são aliados indispensáveis para aumentar a eficácia dos tratamentos tradicionais.
Um estudo de peso feito com 1 milhão de pessoas nos Estados Unidos, por exemplo, correlacionou os níveis de poluição do ar não com o surgimento do tumor em si, mas com uma maior gravidade e agressividade do câncer de pulmão no momento do diagnóstico. A descoberta reforça a urgência de olhar para o ambiente onde o paciente vive como parte do seu histórico clínico.
Canetas emagrecedoras e jejum entram no radar
Entre os trabalhos de suporte que chamaram a atenção, destacaram-se pesquisas avaliando o impacto dos agonistas de GLP-1 (medicamentos originalmente utilizados para o tratamento de diabetes e obesidade, conhecidos como canetas emagrecedoras) na prevenção do câncer de mama e na desaceleração da progressão tumoral.
Os cientistas também apresentaram dados sobre os benefícios do jejum de curto prazo em pacientes com câncer de ovário, o papel de intervenções como a yoga na recuperação de sobreviventes da doença e o impacto da perda de peso programada para evitar a recidiva (retorno) de tumores.
Para os especialistas presentes no congresso, esse movimento simboliza uma visão mais ampla da medicina, menos centrada exclusivamente na destruição das células doentes e mais focada na experiência global e na saúde metabólica do indivíduo.
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Saúde mental e cuidados paliativos ganham força com brasileiros
A saúde mental e o suporte multidisciplinar também foram defendidos por cientistas brasileiros no palco internacional. A psico-oncologista Cristiane Bergerot, pesquisadora dedicada ao estudo do sofrimento emocional em saúde mental oncológica, apresentou trabalhos inovadores voltados à qualidade de vida de pacientes jovens em tratamento.
A integração da tecnologia aos cuidados paliativos e ao suporte avançado apareceu em pesquisas coordenadas pelos médicos Alexandra Arantes, Igor Morbeck e Sarah Ananda. Os estudos nacionais avaliaram desde o momento ideal para intervenções de suporte remoto até estratégias digitais para o planejamento avançado de cuidados de pacientes com a doença em estágio avançado.
De acordo com as avaliações da equipe liderada pela Dra. Alexandra Arantes e pelo Dr. Igor Morbeck, a telemedicina aplicada ao monitoramento contínuo ajuda a antecipar sintomas graves e garante uma linha de cuidado muito mais humana e ágil, mesmo à distância.
Outro destaque brasileiro envolveu um ensaio clínico de fase 2 liderado pelos oncologistas Paulo Bergerot e William Fuzita. A pesquisa demonstrou os benefícios de um programa de exercício físico remoto e monitorado durante o tratamento com imunoterapia, conectando tecnologia, bem-estar e maior adesão do paciente à terapia biológica.
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