O cenário do tratamento do câncer de pâncreas, historicamente conhecido por sua alta agressividade e letalidade, acaba de ganhar um capítulo revolucionário. Durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2026), realizada em Chicago, nos Estados Unidos, a comunidade médica internacional conheceu a pílula de 300mg que, tomada uma vez ao dia, promete dobrar o tempo de sobrevida de pacientes com metástase – quando o câncer se espalha para outros órgãos e pode levar à morte.
Os resultados do ensaio clínico de fase 3 RASolute 302 que avaliou o medicamento daraxonrasib mostra o seu poder de ação em pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático que já haviam passado por tratamento padrão anterior. O alvo do remédio é a proteína RAS — mais especificamente sua variante KRAS —, uma mutação genética presente em mais de 90% dos casos e considerada “intratável” pela ciência por décadas. A novidade promete muito menos efeitos colaterais do que a quimioterapia convencional..
O câncer de pâncreas é um dos tumores mais difíceis de rastrear, fazendo com que cerca de 80% dos pacientes recebam o diagnóstico já em estágio avançado ou metastático, quando a taxa de sobrevida em cinco anos é de apenas 3%. Até então, quando a primeira linha de quimioterapia falhava, as opções de segunda linha apresentavam baixa eficácia. No Brasil, a doença acomete famosos com o cantor Tony Belotto e o chef Edu Guedes, ambos em tratamento. A alta letalidade é o maior desafio: a cantora Aretha Franklin, o cantor D´Angelo e o jornalista Leo Batista perderam essa batalha.
Entenda como funciona a nova terapia de precisão
O daraxonrasib funciona como um bloqueador molecular direcionado. Ele atua diretamente na mutação de proteínas que sinalizam o crescimento descontrolado do tumor. Os dados apresentados no congresso apontam não apenas o ganho inédito em meses de vida para pacientes que já haviam falhado em tratamentos anteriores, mas também uma melhora significativa na qualidade de vida dos participantes, uma vez que as terapias-alvo costumam apresentar menos efeitos colaterais severos do que a quimioterapia tradicional.
O daraxonrasib atua como uma “cola molecular” que bloqueia as mutações do gene RAS (frequentemente associadas ao crescimento do câncer). Ele tem gerado grande repercussão e aplausos na comunidade médica por conseguir resultados inéditos na oncologia, reduzindo o risco de morte e prolongando significativamente o tempo de vida de pacientes com tumores avançados, como o câncer de pâncreas.
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O avanço já vinha sendo aguardado com grande expectativa por especialistas de todo o mundo antes mesmo do início do evento, que receberam previamente o material de divulgação da indústria Revolution Medicines, fabricante do medicamento. como revelou o Centro Integrado de Oncologia e Pesquisa (CIOP), de Poços de Caldas (MG), que enviou uma equipe de especialistas a Chicago (EUA) para acompanhar de perto a apresentação dos estudos e os principais debates científicos da ASCO 2026.
O câncer de pâncreas ainda tem prognóstico muito desfavorável e poucas alternativas eficazes em fases mais avançadas. Por isso, qualquer estudo que aponte ganho relevante de sobrevida precisa ser acompanhado com atenção”, disse Tobias Engel Ayer Botrel, diretor-presidente do Ciop.
No Brasil, o tema ganhou enorme repercussão nacional neste domingo (7), sendo o grande destaque no quadro do dr. Drauzio Varella no programa Fantástico, da Rede Globo. Na oportunidade, o médico entrevistou o oncologista Fernando Maluf, presidente do Instituto Vencer o Câncer, que reforçou o impacto dessa descoberta científica para uma doença que costuma ter diagnóstico tardio e poucas opções terapêuticas eficazes.
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- Redução drástica: Reduziu o risco de morte em 60% e o risco de progressão da doença em 55%.
- Eficácia clínica: Quase dobrou a sobrevida dos pacientes avaliados e triplicou as chances de o tumor diminuir.
- Agressividade contida: A droga age inibindo uma mutação proteica presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos, sendo muito mais tolerada do que a quimio.
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Os números impressionantes do estudo científico
O estudo RASolute 302, publicado simultaneamente no prestigiado The New England Journal of Medicine, acompanhou 500 pacientes e estabeleceram o daraxonrasib como o novo padrão mundial de cuidado para a doença. Os principais achados apontam:
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Sobrevida global dobrada: O tempo médio de vida dos pacientes saltou de 6,6 meses (com a quimioterapia convencional) para 13,2 meses com o novo medicamento.
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Sobrevida livre de progressão: O período em que a doença permaneceu controlada, sem avançar, também dobrou, passando de 3,5 para 7 meses.
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Redução do risco de morte: A medicação oral reduziu em 60% o risco geral de progressão da doença ou morte.
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Encolhimento do tumor: A taxa de resposta objetiva (pacientes cujo tumor encolheu ou desapareceu) foi três vezes maior, subindo de 11,8% na quimioterapia para 33,2% com a nova pílula.
Além dos dados de eficácia, o perfil de segurança chamou a atenção dos pesquisadores presentes em Chicago. O principal efeito colateral observado foi o rash cutâneo (erupção na pele), presente em 86,3% dos pacientes, mas considerado manejável com cremes dermatológicos e antibióticos tópicos.
O dado mais celebrável foi a taxa de descontinuação por toxicidade: apenas 1,2% dos pacientes precisaram parar o tratamento por efeitos colaterais, contra 11,2% no grupo da quimioterapia tradicional — o que representa um ganho incomensurável em bem-estar para pacientes já fragilizados.
Medicamento ainda não pode ser vendido nos EUA
O daraxonrasib é produzidopela Revolution Medicines, uma empresa de biotecnologia norte-americana focada especificamente em terapias-alvo para tumores impulsionados por mutações da família RAS. Por ser um medicamento experimental recém-anunciado na ASCO, ainda não tem preço comercial definido nem aprovação final da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA.
O valor exato não foi estabelecido porque a droga continua em fase final de estudos clínicos (testes de Fase 3). No entanto, a agência regulatória americana já concedeu acesso expandido ao medicamento e planeja uma revisão acelerada para aprovação comercial. É possível, encomendar o medicamento em caráter experimental ou compassivo através de plataformas de importação de remédios de acesso global, como a Everyone.org, cujo custo varia dependendo da liberação e cotação internacional.
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Com Assessorias e agências (atualizado em 08/06/26)






