O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente em 5 de junho, foca suas discussões no enfrentamento global às mudanças climáticas, destacando ações urgentes para a proteção do planeta. No mundo inteiro, diversas organizações promovem a Semana Mundial do Meio Ambiente, realizada de 1 a 7 de junho, que é seguida este ano pelo Dia Mundial do Oceano (8 de junho).

No Rio de Janeiro, a a agenda de mobilizações foi aberta no último domingo (31/05) com um grande ato público na Praia de Copacabana, reunindo militantes de mais de 180 entidades e projetos sociais. As lideranças socioambientais, através das suas diversas formações profissionais, atuando em empresas públicas e privadas, têm grande responsabilidade na formulação e execução de políticas públicas, inclusive as ambientais.

Para a Comissão de Meio Ambiente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a mobilização de diferentes segmentos da sociedade, unindo suas bandeiras e propostas, contribui para que essas políticas públicas sejam justas, adequadas e eficazes para enfrentar os desafios e mitigar as consequências das alterações climáticas, as quais exigem ações urgentes.

A diversidade de ações nesta semana — que vão desde a proteção de bacias hidrográficas ao reflorestamento e ao manejo de resíduos urbanos — dialoga diretamente com o conceito de One Health (Saúde Única), , que norteia a linha editorial do VIDA E AÇÃO nesses 10 anos de história, comemorados justamente neste Dia Mundial do Meio Ambiente. Essa abordagem científica reconhece que a saúde humana, a saúde animal e a saúde ambiental formam um sistema integrado e indissociável.

A poluição das águas por óleo e plástico destrói habitats marinhos e contamina cadeias alimentares, enquanto a degradação de solos acelera as mudanças climáticas e favorece o surgimento de doenças. Proteger os ecossistemas por meio de ações circulares e sustentáveis é uma salvaguarda direta para a saúde e a sobrevivência global”, afirma a jornalista especializada em saúde e meio ambiente Rosayne Macedo, editora do VIDA E AÇÃO.

Abaixo, a seção Boas Ações destaca três iniciativas práticas que marcam a Semana Mundial do Meio Ambiente:

Saneamento circular e troca de óleo por sabão em Miguel Pereira

Ação socioambiental na Lagoa das Lontras promove a troca de resíduos por sabão ecológico e reforça os impactos positivos do saneamento circular no estado

O descarte inadequado de óleo de cozinha é um dos principais fatores de poluição hídrica, já que um único litro do produto pode contaminar milhares de litros de água, além de obstruir redes de esgoto. No interior do estado, um projeto tem como foco combater a poluição hídrica gerada pelo descarte incorreto de óleo de cozinha residencial.

O projeto Omìayê — desenvolvido pelo Instituto Singular Ideias Inovadoras (ISII) e criador da primeira ecofábrica do país na comunidade da Mangueira — realiza neste sábado (6) uma grande ação socioambiental na região da Lagoa das Lontras, em Miguel Pereira.

Durante o evento, que tem início às 9h30, os moradores podem entregar o óleo de cozinha residencial usado, armazenado em recipientes fechados. Em troca, recebem gratuitamente o Omì, um sabão ecológico e biorremediador com tecnologia inovadora desenvolvido pelo Instituto Singular Ideias Inovadoras (ISII), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).

A troca é realizada na proporção de um litro de óleo por uma barra de sabão, fabricada a partir do reaproveitamento do próprio resíduo. Além da troca, a programação conta com orientações sobre economia circular e diálogos sobre a preservação dos ecossistemas aquáticos.

A tecnologia social do projeto acumula resultados expressivos: a coleta de 6.800 litros de óleo já evitou a contaminação de 170 milhões de litros de água, enquanto a produção de 7,8 toneladas de sabão e microrganismos tem o potencial de tratar efluentes equivalentes ao esgoto de uma cidade de 20 mil habitantes por três meses.

O papel da educação ambiental prática

Responsável pela primeira ecofábrica do Brasil, situada na Mangueira, Zona Norte da capital, o Instituto Singular Ideias Inovadoras (ISII) decidiu levar o projeto Omìayê para a Lagoa das Lontras durante a Semana do Meio Ambiente como uma forma de ampliar a lógica do saneamento circular para novos territórios. 

A coleta do óleo usado impede que um resíduo altamente poluente chegue à água e ao esgoto, e esse mesmo material retorna como sabão ecológico produzido com microrganismos que ajudam a degradar matéria orgânica no sistema”, destaca Gabriel Pizoeiro, diretor do instituto.

Para Rodrigo Rubinato, gestor de unidade do Projeto Omìayê na Ecofábrica Mangueira, a interiorização da proposta reforça o papel da educação ambiental prática. “Mostramos que a sustentabilidade não precisa ser distante ou complexa. Conectamos as pessoas a uma solução prática, que transforma um resíduo do dia a dia em impacto ambiental positivo”, afirma.

A ação é realizada pelo ISII em parceria com a Associação de Moradores e Amigos da Lagoa das Lontras (AMALL), a UFF, a Prefeitura de Miguel Pereira — por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente — e o Sítio dos Austríacos.

O projeto Omìayê utiliza uma tecnologia social que transforma o resíduo em solução ambiental e já apresenta dados consolidados em sua trajetória de atuação:

  • Tratamento de efluentes: Já foram produzidos 98 mil litros de microrganismos biorremediadores, com capacidade estimada para tratar cerca de 304 milhões de litros de esgoto, o equivalente ao abastecimento de uma cidade de 20 mil habitantes por mais de três meses.

  • Preservação hídrica: A coleta acumulada de 6.800 litros de óleo de cozinha residual evitou a contaminação potencial de mais de 170 milhões de litros de água, o que corresponde a cerca de 68 piscinas olímpicas.

  • Produção sustentável: Foram produzidas 7,8 toneladas de sabão ecológico (com potencial de tratamento superior a 6 milhões de litros de esgoto) e aproximadamente 2 mil litros de produtos líquidos ecológicos, como detergentes e lava-roupas.

Leia mais

VIDA E AÇÃO: uma década de jornalismo em defesa da Saúde Única
As 10 ameaças globais que sufocam o jornalismo ambiental
Saúde única: a conexão entre humanos, animais e o planeta

MST promove plantio de 5 mil mudas de árvores e mutirões agroecológicos

Ações em todas as regiões do país, incluindo o Rio de Janeiro, defendem a reforma agrária popular como alternativa ao modelo do agronegócio e resposta à crise climática

Durante a Semana do Meio Ambiente, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promove a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos. mobilizando cerca de 10 mil integrantes em 15 estados, incluindo o Rio de Janeiro. A mobilização teve seu dia “D” nesta sexta-feira, 5 de junho, no marco do Dia Mundial do Meio Ambiente, e segue com programação intensa até este domingo (7), sob o lema “Combater o agronegócio é cuidar da natureza!”.

Sob o lema “Combater o agronegócio é cuidar da natureza!”, o movimento realiza atos de denúncia contra os impactos ambientais e fundiários do modelo exploratório de monoculturas e mineração de larga escala. Como contraponto prático, a jornada promove ações de Reforma Agrária Popular focadas na recuperação de áreas degradadas.

Até o momento, a jornada já resultou no plantio de mais de 5 mil mudas de árvores e na semeadura de 30 toneladas de sementes em todo o país. Ao todo, cerca de 10 mil integrantes do movimento participaram das atividades práticas e de conscientização, que englobam desde o plantio coletivo, mutirões de produção agroecológica e processos formativos até ocupações e atos públicos.

As mobilizações ocorrem de forma simultânea em 15 estados brasileiros, abrangendo todas as regiões do país: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Sergipe, Bahia, Alagoas, Paraíba, Piauí, Maranhão e Rondônia.

Denúncia contra os impactos do ‘agro-hidro-minero-negócio’

Os mutirões de produção agroecológica contaram com a parceria de escolas, comunidades indígenas e quilombolas através do Plano Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis. , uma iniciativa nacional do movimento que visa recuperar áreas degradadas por meio de sistemas agroecológicos, apontando a Reforma Agrária Popular como parte fundamental do enfrentamento à crise ambiental e climática.

Paralelamente às ações práticas de reflorestamento e ao intercâmbio de saberes nos territórios, a jornada atua firmemente na denúncia dos impactos provocados pelo avanço do chamado agro-hidro-minero-negócio. De acordo com a coordenação do movimento, esse termo representa a fusão de grandes interesses econômicos do capitalismo no campo, que exploram os bens da natureza em larga escala no Brasil.

Os atos públicos apontam que esse modelo se traduz na expansão desenfreada de monoculturas, na concentração de terras e de recursos hídricos, além de grandes obras de infraestrutura e mineração que geram profundos impactos ambientais, sociais e fundiários nos territórios e na vida dos trabalhadores e povos tradicionais.

A jornada tem o papel de anunciar a Reforma Agrária Popular como alternativa, defendendo nossa biodiversidade e os nossos povos ao mesmo tempo em que denuncia o modelo destruidor e os responsáveis pela crise climática”, afirma Margarida da Silva, da Coordenação Nacional do MST.

Segundo os coordenadores, o envolvimento comunitário busca pautar alternativas reais de subsistência e conservação frente às recentes flexibilizações e aprovações de leis que impactam a proteção do meio ambiente no país.Milhares de famílias Sem Terra, junto com diversas articulações da sociedade, se mobilizaram para semear a vida em um momento que o agronegócio aprova leis que aumentam a destruição ambiental”, explica Camilo Augusto, integrante da coordenação nacional do plano.

Arte urbana alerta para a poluição dos mares na Comlurb

Exposição da artista plástica Carla Carvalhosa utiliza resíduos e material reciclado para criar alerta poético sobre o impacto do descarte de plástico nos mares

Unindo o encerramento da Semana do Meio Ambiente ao Dia Mundial dos Oceanos, o Galpão das Artes Urbanas Hélio G. Pellegrino, espaço cultural da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), abre as portas para a instalação “A Sereia e O Grito dos Oceanos”, da artista plástica carioca Carla Carvalhosa.

A exposição utiliza a arte como ferramenta de conscientização, transformando o galpão em um polo de reflexão sobre a urgência de conter o descarte inadequado de resíduos nas praias e mares. Através de uma abordagem poética, a instalação joga luz sobre as consequências da atividade humana nos ecossistemas marinhos, um dos maiores patrimônios naturais do planeta.

A exposição traz uma escultura central de sereia confeccionada inteiramente com o reaproveitamento de materiais recicláveis — como garrafas PET, embalagens plásticas, papelão e jornais — coletados pela artista a partir do acúmulo de resíduos domésticos.

A obra funciona como uma metáfora visual e um manifesto crítico contra o descarte irresponsável de lixo plástico, que ameaça os ecossistemas marinhos do planeta. No entorno da escultura, outros tipos de resíduos foram distribuídos para simular o acúmulo de lixo que hoje flutua pelos oceanos da Terra.

Transformando lixo doméstico em manifesto ecológico

A carioca Carla Carvalhosa atua na defesa ambiental desde a juventude e, há três décadas, ministra cursos que utilizam a expressão artística como instrumento de arteterapia. O gatilho para a criação de esculturas com recicláveis surgiu durante o período de isolamento na pandemia de Covid-19, quando a artista se deparou com o aumento expressivo do volume de lixo produzido dentro de casa.

Como solução, passou a coletar o material e a transformá-lo em metáforas críticas sobre o consumo. A relevância contemporânea e o alinhamento com a sustentabilidade motivaram o convite da Comlurb para ocupar o Galpão das Artes Urbanas.

A mostra reforça a premissa de que o lixo descartado incorretamente não desaparece, permanecendo no planeta como um poluente persistente que exige manejo e mudança de hábitos globais”, afirma o comunicado da Comlurb.

Curiosidade histórica

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído em 1972 pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Conferência de Estocolmo, na Suécia. O evento entrou para a história como o primeiro grande encontro global dedicado exclusivamente a debater a degradação ambiental e a poluição, resultando na aprovação da Resolução 2994 (XXVII) e no nascimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Com informações de Assessorias

Para acompanhar mais ações de sustentabilidade, projetos socioambientais e notícias sobre saúde e bem-estar, clique aqui e entre no canal do Vida e Ação no WhatsApp.
Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *